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domingo, 8 de março de 2009

That's one small step for man; one giant leap for mankind

Após protesto de hoje de 10 mil professores
Grupo parlamentar do PS admite que algumas medidas de política educativa do Governo "não correram muito bem"
07.03.2009 - 21h30 Lusa

O Grupo Parlamentar do PS admitiu hoje que algumas medidas da actual política educativa "não correram muito bem", apelando aos sindicatos para que respondam ao "esforço de revisão de decisões" do Governo com uma maior "maleabilidade".

"Verificou-se que em alguns aspectos não houve entendimento e o Governo fez algumas alterações, mas não é preciso fazer nenhum acto de inteligência superior para perceber que há, de facto, coisas que não correram bem", disse aos jornalistas o deputado Luiz Fagundes Duarte, da Comissão de Educação do partido, depois de uma reunião com representantes da plataforma sindical, na sequência do cordão humano concretizado hoje por docentes no centro de Lisboa.

Sem "deixar de parte os princípios programáticos" do PS, Luíz Duarte apontou o modelo de avaliação de professores como um exemplo, devido ao "mal-estar" e às manifestações que têm ocorrido em torno da questão, justificando as suas afirmações com os contactos estabelecidos com a comunidade escolar.

Apesar de admitir a alguma "crispação" e a necessidade de os responsáveis políticos serem "humildes" para reconhecer as lacunas, o representante defendeu que tem de haver "bom-senso" de ambas as partes, em defesa do interesse da escola pública e, em particular, dos alunos.

Aos sindicatos, Luiz Duarte pediu que sejam "um pouco mais versáteis", como resposta aos sinais, dados "desde sempre" pelo executivo central, de adaptação e revisão da política educativa.

"Se o Governo tem feito um esforço de revisão das suas decisões para ir ao encontro das exigências dos professores, esse gesto deve ser entendido como devendo ter contrapartida", defendeu.

O deputado socialista negou ainda qualquer relação entre os avanços e recuos do processo de negociação com os professores e a proximidade de eleições legislativas, alegando que se o PS tivesse objectivos eleitoralistas eles teriam sido tomados há três anos, já que o debate em questão envolve decisões com consequências a médio e longo prazo.

Também os grupos parlamentares dos restantes partidos estiveram hoje reunidos com delegações sindicais na Assembleia da República e todos fizeram um balanço positivo do encontro, apesar de já conhecerem os problemas em causa.

No final, o PSD mostrou-se preocupado com os efeitos da falta de respostas às "lutas" dos professores, que, segundo o partido, tem afectado sobretudo os alunos e o próprio funcionamento das aulas.

"Aquilo que nos preocupa em todo este contencioso é a qualidade. O que mais está abalado é a qualidade", disse o deputado Ribeiro Cristóvão, acrescentando que o processo de discussão "já vai longe demais".

De acordo com Ribeiro Cristóvão, a comissão educativa do grupo parlamentar social-democrata não obteve qualquer resposta ao pedido de esclarecimentos enviado há meses à ministra da Educação, sabendo apenas que Maria de Lurdes Rodrigues enviou a direcções-regionais de educação uma carta dizendo que "a lei era para cumprir".

Da parte do PCP, Bernardino Soares criticou o "desrespito pelas opiniões" dos professores e a "falta de abertura" da tutela e lamentou o "muro de criado pela política educativa do executivo de Sócrates.

Já a deputada bloquista Ana Drago classificou o processo de negociações entre o ministério e a classe docente como uma "palhaçada", uma vez que, à capacidade de resistência dos profissionais se têm oposto a "teimosia" de Maria de Lurdes Rodrigues.

Pedro Mota Soares, que falou em nome do CDS-PP, explicou que o partido é a favor da existência de uma avaliação de professores, desde que não inclua as "burocracias" e os "itens ridículos", como a consideração das notas dos alunos, actualmente aplicados.

Por isso, o deputado garantiu que, se o Governo prosseguir no mesmo caminho, que desautoriza os docentes, não pode contar com o partido.

Da bancada de Os Verdes, Heloísa Apolónia disse que o estatuto da carreira docente é "profundamente injusto" e que o modelo de avaliação proposto tem como objectivo fazer com que não se progrida na carreira, de modo a "poupar dinheiro ao Estado".

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Quantos (ainda) seremos?



Quem diria que esta foto foi tirada no Metro de Lisboa, num tal de dia 15 de Novembro (ou 8, não sei ao certo) poucos minutos antes de uma das maiores manifestações de classes do país????

Verdade...

Com esta foto, um poema:

QUANTOS SEREMOS?

Não sei quantos seremos, mas que importa?!
Um só que fosse, e já valia a pena.
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena!

Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.

E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.

Miguel Torga

sábado, 22 de novembro de 2008

Sobre a instrumentalização da PSP nas manifestações

Primeiras informações indicavam participação de três a quatro mil
PSP revê para 20 a 25 mil os funcionários públicos que hoje se manifestaram

A PSP reviu para 20 mil a 25 mil o número de funcionários públicos que se manifestaram hoje, em Lisboa, por aumentos salariais, depois de ter avançado com uma participação de três mil a quatro mil. Estes números continuam longe dos avançados pela organização do protesto, segundo a qual foram perto de 50 mil os que desfilaram entre o Marquês de Pombal e a Assembleia da República.

O oficial de dia do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP indicou à Lusa que estiveram na manifestação cerca de 20 a 25 mil pessoas, contrariando assim a informação dada horas antes pelo gabinete de relações públicas do mesmo comando.
21.11.2008 - 19h22 - in PÚBLICO


É com natural preocupação que vejo uma força de segurança prestigiada, como é o caso da PSP, prestar-se a favores à tutela (ou é ao PS...?) nas contagens de participantes nas Manifestações, como aconteceu em pelo menos três casos este mês.

Para quem não o percebe, afinal o tal interregno de 6 meses na democracia, a que por evidente lapso ou inabilidade uma presidente de partido recentemente se referiu, sempre dá muito jeito...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Sobre a manifestação de 8 de Novembro

Pensamos que o dia 8 de Novembro deve ser um momento em que os professores portugueses devem mostrar a sua indignação perante as políticas levadas a cabo pela Ministra da Educação indo à manifestação em Lisboa convocada pelos Sindicatos.

Contudo, achamos ainda que os Sindicatos dos Professores deveriam rasgar o Memorando de Entendimento, pois a sua assinatura em tal documento foi a causa de alguns dos problemas por que a Escola Pública está a passar neste momento...

Quanto sobre o que fazer no dia 15 de Novembro, deveremos decidir, depois de ouvidas as propostas dos docentes presentes na Reunião em Leiria do dia 6 de Novembro, às 21.00 horas na ESEL.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Manifestação - 17 de Maio

Se calhar é melhor esquecer o que nos divide e os erros do passado, olhando para o que se pode ainda salvar...

sexta-feira, 14 de março de 2008

Posição do Movimento face a manifestação ou contra-manifestação no Porto

O Movimento Cívico Em Defesa da Escola Pública e da Dignidade da Docência repudia e condena qualquer tipo de manifestação ou contra-manifestação que possa conduzir a situações susceptíveis de comprometerem os direitos, liberdades e garantias fundamentais ou serem interpretados como tal.

Os professores têm revelado um elevado sentido cívico na defesa das suas ideias, em nome da Escola Pública e da dignidade profissional.

Assim, condenamos a tentativa de contra-manifestação que se está a tentar convocar anonimamente, para o Porto, em simultâneo com o comício do P.S.

domingo, 9 de março de 2008

O Movimento Cívico e a manifestação de 8 de Março

O Movimento Cívico Em Defesa da Escola Pública trabalhou activamente, com outros movimentos e forças cívicas e sindicais, para a grande manifestação de Professores em Lisboa.

O Movimento congratula-se com a expressiva participação de docentes, da qual a classe política, nomeadamente o Governo, o Parlamento e o Senhor Presidente da República, terão de tirar as devidas ilações.

As declarações da Ministra são lamentáveis e, em vez de diálogo e abertura, reforçam a crispação e fragilizam, por culpa inteira do Governo, a serenidade a que o Senhor Presidente da República tinha apelado.

Por seu lado, o Primeiro-Ministro, tendo extremado posições e estando enredado na sua própria estratégia política, revela, ao desvalorizar os protestos dos docentes, que põe a sua pessoa acima dos interesses do País.

O Movimento Cívico Em Defesa da Escola Pública irá definir formas de actuação, em conjunto com outras forças, mas também autónomas, adequadas aos contextos de uma participação cívica adequada, eficaz e consequente.

A luta não acabou em Lisboa. Os professores e outros cidadãos não se podem desmobilizar, pois a defesa da Escola Pública, do ensino de qualidade e da própria democraticidade social continuam a estar em jogo.

Mandaram perguntar quantos somos...

MANDARAM PERGUNTAR QUANTOS SOMOS...

EIS A RESPOSTA





100 MIL
Foto: João Henriques, Publico Online, 8.3.08

A manifestação no jornal da situação

Professores já ameaçam Sócrates

Dizer 100 mil ou 80 mil manifestantes é atirar números. Dizer que os manifestantes conseguiram encher, em simultâneo, grande parte da Avenida da Liberdade, seguida do Rossio, depois a rua do Ouro e por último, como se não bastasse, o Terreiro do Paço, talvez dê a ideia da dimensão da "Marcha da indignação dos professores". Os primeiros a chegar ao Terreiro do Paço fizeram-no por volta das 16.00; os últimos (os dos sindicatos do Norte) quase duas horas depois.

"Ganhámos com maioria qualificada de dois terços", disse, exultante, perante um Terreiro do Paço a abarrotar de gente, como já não via há décadas, o sindicalista Mário Nogueira, líder da Fenprof, principal dinamizador do protesto.

O que ficou foi uma ideia de sucesso total no protesto. E ainda uma outra, consequente: ontem consumou-se no centro de Lisboa a ruptura total entre os professores e o Governo. Mário Nogueira, interpelado a certa altura pelo DN, não hesitou: "Com esta equipa governativa, não é possível que haja mais diálogo."

À multidão e aos vários jornalistas que o foram entrevistando ao longo da tarde, repetiu: "Esta equipa não tem mais condições para se manter em funções. Tudo o que faz com a sua inflexibilidade é regar a fogueira com gasolina."

Carvalho da Silva, líder da CGTP, sinalizou a dimensão da crise: "Se o Governo não souber interpretar os sinais, então é a democracia que está causa." "Ou se arranja uma grua ou a ministra se evapora". À pergunta "qual a solução?", a multidão respondeu-lhe: "Rua, rua, rua!" Mário Nogueira, engenhoso, já depois de o comício terminar, explicava aos jornalistas: "Na lista das nossas palavras de ordem nem constava essa ['Tá na hora/Tá na hora/Da ministra ir embora"]. Mas foi a que mais se ouviu." Numa faixa, a ameaça: "Em 2009 José Sócrates será avaliado..."

Ontem foi um dia diferente. Na maior parte das greves, todos os efeitos da propaganda e contra-propaganda se anulam. Raramente alguém consegue cantar convincentemente vitória. Ontem, a ministra da Educação ficou com a certeza que de facto a maior parte da classe dos professores está contra ela. Mário Nogueira conclui: "Este já não é um problema do ministério da Educação; é um problema do primeiro-ministro."

E tudo correu sem incidentes. O grosso do efectivo policial concentrou-se no controlo do trânsito. À cabeça da marcha, uns bons 50 metros à frente, vigiada de perto por alguns agentes da PSP, uma senhora idosa, visivelmente transtornada, agitava uma bandeira do PS e fazia manguitos aos manifestantes. "É atirar-lhe fogo!", gritava um deles. Mas ninguém perdeu a cabeça.

Vieram de todo o lado, inclusivamente das ilhas. Chegaram a Lisboa por todas as maneiras, nomeadamente utilizando os mais de 627 autocarros que os sindicatos alugaram. Quarenta mil manifestantes chegaram a Lisboa nestes autocarros. Ou de todas as outras formas. Vieram sindicatos da CGTP, outros da UGT e outros independentes.

Às 14.30, hora marcada, a frente da marcha arrancou do Marquês do Pombal. Vivia-se, como Pacheco Pereira ontem escreveu no seu blogue, um ambiente "fisico", alegre, dançante às vezes, quando por exemplo as colunas debitavam o "Venham mais cinco", de Zeca Afonso, ou os delírios cigano-balcânicos do sérvio Emir Kusturica.

Os políticos, esses, foram discretos. Durante toda a semana, os sindicatos promotores da marcha multiplicaram avisos contra tentativas de partidarização. "O que queremos são dirigentes partidários que sejam professores", reafirmava ontem Mário Nogueira.

Viram-se, do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, Miguel Portas e Ana Drago. Do PSD, o deputado Arménio Santos, líder dos Trabalhadores Sociais-Democratas; do PS, ninguém. Do MRPP, o seu líder, Garcia Pereira. Ainda na Avenida da Liberdade, junto ao centro de trabalho do PCP do Hotel Vitória, mostrou-se a delegação do PCP, comandada pelo líder parlamentar, Bernardino Soares.

No final, foi aprovada a habitual resolução, com o habitual caderno reivindicativo: suspensão das avaliações dos professores; suspensão da aplicação às escolas do novo regime de gestão; pagamento de horas extraordinárias na aulas de substituição.

Eram 18.50 quando a "marcha da indignação" se dissolveu, cantando o hino. Antes, tinha-se feito um minuto de silêncio: "Pelos colegas que morreram em trabalho, pois que também eles foram vítimas deste Governo".

in DN on-line - ler notícia

Alguns vídeos da Manifestação




Maior manifestação de sempre na Educação pintou Lisboa de negro

Actualização - sindicatos falam em cem mil manifestantes
Maior manifestação de sempre na Educação pintou Lisboa de negro
08.03.2008 - 19h00 PÚBLICO, com Lusa

Os sindicatos garantem que se trata da maior manifestação de sempre na Educação e um dos maiores protestos dos últimos anos em Lisboa. Segundo a PSP, a Marcha da Indignação juntou 80 mil professores, mas os organizadores garantem que mais de cem mil docentes participaram na iniciativa, que tingiu de negro as ruas do centro de Lisboa.

No discurso que proferiu no final do desfile que ligou o Marquês de Pombal ao Terreiro do Paço, Mário Nogueira, dirigente da Fenprof e porta-voz da plataforma sindical, garantiu que "mais de um terço" da classe profissional participou no protesto de hoje - um anúncio que foi recebido com um forte aplauso pelos manifestantes.

Por seu lado, a PSP de Lisboa admite que o protesto juntou 80 mil professores, um número que ainda assim supera as expectativas iniciais dos sindicatos, que apontavam para 60 a 70 mil participantes.

A cabeça do desfile chegou ao Terreiro do Paço cerca das 16h30, mas mais de duas horas horas depois eram ainda milhares os manifestantes que chegavam ao local, onde decorrem os discursos finais. Cerca das 18h50, o Terreiro do Paço encontrava-se praticamente cheio, enquanto uma densa mole humana preenchia ainda os últimos dois quarteirões da Rua do Ouro.

Sindicatos exigem demissão da ministra

Em declarações aos jornalistas, Mário Nogueira afirmava que, a dimensão do protesto, demonstrava que “não há condições para mais diálogo” com a ministra da Educação. “Neste momento, depois desta manifestação impressionante, dizemos que a actual equipa ministerial não tem condições para continuar”, afirmou, sublinhando que “não é possível ter alguém à frente do ministério que tem, contra si, dois terços dos professores”.

“Com uma manifestação destas, este passa a ser um problema do Governo”, acrescentou o dirigente, que voltou a lançar um repto a José Sócrates. “O primeiro-ministro tem de fazer uma leitura desta manifestação. É impossível manter uma política ministerial nestas condições".

A plataforma sindical, que ao longo das duas últimas semanas promoveu protestos nas principais cidades do país, promete não baixar os braços e, esta tarde, anunciou que todas as segundas-feiras do terceiro período lectivo (que se inicia após a Páscoa) vai promover manifestações a nível local para exigir a suspensão imediata do modelo de avaliação dos professores e o adiamento da entrada em vigor do novo diploma de gestão escolar.

Maior manifestação de sempre na educação

O longo cortejo que durante toda a tarde vestiu de negro o centro de Lisboa começou a desenhar-se à hora de almoço, na rotunda do Marquês e no Parque Eduardo VII, local onde muitos professores aproveitaram para almoçar, depois de horas de viagem. A grande maioria dos manifestantes viajou nos mais de 600 autocarros fretados pela organização para transportar os docentes, oriundos do Norte ao Sul do país.

A longa marcha, antecedida por um minuto de silêncio, partiu cerca das 15h00 mas, meia hora depois, apenas o sector de Lisboa e Vale do Tejo tinha entrado na Avenida da Liberdade, enquanto os docentes do Sul e Ilhas e da região Norte se acotovelavam ainda na rotunda e na vizinha Avenida Fontes Pereira de Melo.

Na frente do protesto, caminhavam os dirigentes das dez estruturas que integram a plataforma sindical, encabeçados por uma faixa onde podia ler-se: “Pela dignidade da carreira docente, contra a precariedade”. Atrás, acotovelavam-se milhares de professores, na sua maioria mulheres, empunhando bandeiras e cartazes, muitos com referências às escolas onde leccionam.

“Ministra para a rua, que esta escola não é tua” ou “Está na hora, está na hora de a ministra ir embora”, eram alguns dos “slogans” ouvidos contra Maria de Lurdes Rodrigues. Mais atrás, as palavras de ordem não escondiam a proveniência dos que engrossavam a cauda da manifestação: “Viemos do Norte para ditar a tua sorte”.

A presença policial ao longo de toda a manifestação foi reduzida, mas no final da concentração, Mário Nogueira disse ter recebido informações de que 20 autocarros foram retidos pela polícia nas portagens de Aveiras, na A1, alegadamente para inspecções à presença de cintos de segurança nas viaturas.

in Público - ler notícia

Alguma vez houve condições para dialogar com autistas?

Actualização - organização fala em 80 mil professores nas ruas de Lisboa
Sindicatos rejeitam continuar diálogo com a ministra da Educação
08.03.2008 - 17h49 PÚBLICO, com Lusa

A plataforma sindical que concentrou hoje em Lisboa pelo menos 80 mil professores diz que “não há condições para mais diálogo” com a ministra da Educação e promete novos protestos para o início de cada semana do terceiro período lectivo.

No discurso que proferiu no final do desfile que ligou o Marquês de Pombal ao Terreiro do Paço, Mário Nogueira, dirigente da Fenprof e porta-voz da plataforma sindical, garantiu que cem mil professores, vindos de todo o país, participaram na Marcha da Indignação.

Por seu lado, a PSP de Lisboa admite que o protesto juntou 80 mil professores, o que equivale a mais de metade da classe profissional, estimada em 143 mil docentes.

A cabeça do desfile chegou ao Terreiro do Paço cerca das 16h30, mas uma hora depois eram ainda muitos os manifestantes que chegavam ao local, onde decorriam já os discursos finais.

Em declarações aos jornalistas, Mário Nogueira garantia que tinham sido superados os objectivos da organização. “Neste momento, depois desta manifestação impressionante, dizemos que a actual equipa ministerial não tem condições para continuar”, afirmou, sublinhando que “não é possível ter alguém à frente do Ministério que tem, contra si, dois terços dos professores”.

“Com uma manifestação destas, este passa a ser um problema do Governo”, acrescentou o dirigente, que voltou a lançar um repto a José Sócrates. “O primeiro-ministro tem de fazer uma leitura desta manifestação. É impossível manter uma política ministerial nestas condições".

A plataforma sindical, que ao longo das duas últimas semanas promoveu protestos nas principais cidades do país, promete não baixar os braços e, esta tarde, anunciou que todas as segundas-feiras do terceiro período lectivo (que se inicia após a Páscoa) vai promover manifestações a nível local para exigir a suspensão imediata do modelo de avaliação dos professores e o adiamento da entrada em vigor do novo diploma de gestão escolar.

in Público - ler notícia

A melhor solução para a Ministra está em voltar a dar aulas

Maria de Lurdes Rodrigues afasta hipótese de demissão
Ministra promete continuar a trabalhar para encontrar as "melhores soluções"
08.03.2008 - 21h23

A ministra da Educação diz “não ser relevante” a participação de 100 mil professores na Marcha da Indignação, este sábado em Lisboa, considerando que o importante é "continuar a trabalhar para encontrar as melhores soluções" para os problemas do sector.

Em entrevista à SIC, horas depois da maior manifestação de sempre no sector, Maria de Lurdes Rodrigues, disse que bastaria um milhar de docentes ter saído à rua para o ministério perceber que existe descontentamento na classe.

“Compreendo muito bem as razões da manifestação”, afirmou a ministra, admitindo que a tutela “está a pedir às escolas mais esforço e mais trabalho”, tendo em conta o aumento do número de alunos, “sacrifícios” que recaem directamente sobre os professores.

Contudo, a governante garantiu que não se vai demitir ou suspender a avaliação de docentes – reivindicações feitas esta tarde pelos manifestantes. "Vou continuar a trabalhar para encontrar as melhores soluções, tal como tenho feito e é o que vou continuar a fazer”, declarou.

Pouco antes, numa entrevista gravada à RTP, Maria de Lurdes Rodrigues sublinhou que o seu afastamento do cargo ou o abandono das actuais políticas de educação seriam “soluções fáceis” para o Governo que a ninguém serviriam. “As soluções difíceis são as que nos obrigam a encontrar respostas para os problemas”.

A governante garantiu ainda total disponibilidade para negociar com os parceiros. “Não é legítimo dizer que não há negociações por a ministra não estar presente. Estarei nas reuniões se isso for essa a exigência” dos sindicatos, concluiu.


in Público - ler notícia

Cem mil razões para acreditar!

Hoje estou feliz - o dia de ontem é daqueles que um homem recordará para toda a vida. Dá gosto ver tanta gente (e ainda por cima mandatada pelo restantes que não puderam ir...) mostrar que há Homem e Mulheres livres nesta terra. Quebrando as correntes e grilhetas de medo que nos quiseram (ainda querem?!?) impor, nós podemos - Yes, we can!

A nossa luta, pela nossa dignidade, pela Escola, pelos alunos, por uma sociedade democrática e fraterna ainda não acabou. Não podemos dar-nos por felizes porque fizemos a maior manifestação de sempre de professores (e mesmo de qualquer profissão). Há que recordar a vergonha da actuação dos chefes que deram ordens à PSP para ir às Escolas saber quem ia participar e quem mandou parar às portas de Lisboa muitos autocarros. Há que responder a Ministros autistas que não querem ver o que todos viram, sejam eles especialistas em Educação (a de hoje e o de há uns anos atrás) ou especialistas em disparates e aeroportos. Há que meter no sítio certos os comentadores e spin doctors de pacotilha que passaram os últimos tempos a envenenar tudo e todos contra a nossa luta. Há que explicar que éramos muitos porque estamos unidos e não houve mãozinha de partidos no nosso esforço: que pagámos os transportes, que não passámos por Fátima com velhinhos para encher a casa, que já não há bicho papão, por mais feio que seja, que nos assuste. Há que saber dizer que iremos resistir aos ditadorzecos de trazer por casa das Escolas, moços de recado e cópias pechisbeque de uma sinistra senhora sombria que nos assombra o sono, mais às suas fichas, ameaças e rede de interesses.

Do colega professor, precocemente falecido, Sebastião da Gama, celebremos o nosso Dia com uma bela poesia!

O SONHO

Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

-Partimos. Vamos. Somos.


Sebastião da Gama, Pelo Sonho é que Vamos

sábado, 8 de março de 2008

Lutar pela Escola Púbica e pela dignidade da Docência

Hoje é o Dia. Da mulher e da professora (sim, que a maioria de nós é mulher, o que dá uma valência à profissão única...). Pelo que hoje iremos a Lisboa pedir que nos respeitem. Não queremos aumentos, medalhas ou louvores. Fazemos o que fazemos quase como se fosse um magistério sagrado. A nossa profissão é uma vocação, que, como qualquer chamamento, tem os seus custos, que estamos dispostos a pagar.

Este país que nos mata lentamente há-de perceber que o que queremos é dignidade e que nos deixem trabalhar. Roubemos a palavra à poetisa para exprimir o que nos vai na alma:


Camões e a tença


Irás ao paço. Irás pedir que a tença
Seja paga na data combinada.
Este país te mata lentamente
País que tu chamaste e não responde
País que tu nomeias e não nasce.

Em tua perdição se conjuraram
Calúnias desamor inveja ardente
E sempre os inimigos sobejaram
A quem ousou ser mais que a outra gente.

E aqueles que invocaste não te viram
Porque estavam curvados e dobrados
Pela paciência cuja mão de cinza
Tinha apagado os olhos no seu rosto.

Irás ao paço irás pacientemente
Pois não te pedem canto mas paciência.

Este país te mata lentamente.


Sophia de Mello Breyner Andresen, Grades (1970)

A Manifestação de Leiria em fotos

Para mais tarde recordar, aqui ficam as fotos da manifestação de Leiria, em 03.03.2008:






Amanhã haverá mais e melhores fotos (da maior manifestação de sempre de professores, em 08.03.2008, em Lisboa).

A PSP, a manifestação, as "ordens" e a liberdade

Polícia esteve pelo menos em quatro escolas
Escola das Caldas da Rainha também recebeu visita da PSP
07.03.2008 - 11h17 PÚBLICO

A PSP esteve ontem também a Escola Dom João II, nas Caldas da Rainha, o que eleva para quatro o número de estabelecimentos que se sabe terem sido visitadas por esta corporação em vésperas da manifestação de professores marcada para amanhã em Lisboa.

Foi a PSP das Caldas da Rainha, que reporta ao comando distrital de Leiria, que se dirigiu àquele estabelecimento de ensino.

Já tinha sido também noticiado que ontem a PSP esteve na Escola Clara de Resende, no Porto, e também na EB 2,3 Clara de Resende, em Ourém, e na secundária da mesma localidade, a indagar sobre quantos professores iam à manifestação.

Não se sabe se a polícia terá visitado mais escolas com este objectivo, pois não há conhecimento de um levantamento exaustivo a este tipo de situações.

Esta iniciativa de ontem na PSP causou indignação junto dos professores, que viram nesta iniciativa uma “manobra de intimidação”, e deu origem a uma reacção crítica do PCP.

O líder comunista, Jerónimo de Sousa, afirmou: “O comando não age de conta própria, acho eu. Creio que essa vigilância tem um conteúdo securitário que não se justifica, citado pela Lusa.

Mas o PS, através do seu porta-voz do PS, Vitalino Canas, considerou que a PSP está “simplesmente a cumprir as suas funções” no sentido de garantir a segurança, ao pedir informações sobre número de professores que vão participar no protesto de sábado.

in Público - ler notícia

sexta-feira, 7 de março de 2008

Ponto de Encontro de colegas do Movimento Cívico

Como muitos vão de autocarro e alguns de carro próprio, seria bom que quem quisesse ir em conjunto ou que queira conversar connosco tivesse um ponto de encontro, já em Lisboa. Assim decidimos encontrar-nos na Avenida da Liberdade, junto ao n.º 266 (edifício do DN - Diário de Notícias).

Para os menos conhecedores de Lisboa, eis um mapa (interactivo - podem mexer e colocar até o vosso ponto de partida para verem o percurso):


Ver mapa maior

Sugere-se ainda que venham munidos de algumas Petições e tentem obter algumas assinaturas nos tempos mortos do nosso protesto...

Contra a Propaganda e o Ruído...

Concordo Com A Teresa


Contra a Propaganda e o Ruído, o Silêncio é uma arma poderosa e impressionante, quando partilhada por muitos milhares.

Porque mais assustador do que a estridência. Porque mais inesperado. Porque já sabem(os) todos ao que vamos.

silencio.jpg

Post publicado originalmente no Blog A Educação do meu Umbigo