sábado, 23 de fevereiro de 2008
QUASE 700 CIDADÃOS NA REUNIÃO DE LEIRIA
Notícia RTP
Dezenas de professores manifestaram-se em Aveiro.
Os docentes fizeram uma marcha para contestar o novo modelo de gestão e de avaliação dos professores.
Para ver o vídeo clicar AQUI.
Notícia no Público
A avaliação do desempenho dos professores é a referência mais recente e persistente na demagogia do discurso de Sócrates
No Parlamento, a 13, e na SIC, a 18, Sócrates falou duma Educação virtual, dum país que não existe senão no imaginário dele. Em qualquer dos locais, o homem cavalgou uma onda autista. Falou do que quis, mas não do que é. Como se estivesse num comício do PS, despejando propaganda sobre os fiéis. Parafraseando Churchill, o êxito dele não é mais que ir de fracasso em fracasso, mantendo o entusiasmo.
A avaliação do desempenho dos professores é a referência mais recente e persistente na demagogia do discurso de Sócrates. Com a arrogância que lhe conhecemos, tem falado dela com a mesma ligeireza com que projectou vivendas sobre estábulos ou prestou provas de licenciatura por fax.
Não é verdade que durante 30 anos não tenha havido avaliação de desempenho dos professores, como não se cansa de repetir, ou que os professores não queiram ser avaliados, como insinua. A questão reside na substituição de um modelo de avaliação ineficiente, o que existia, por outro, escabroso, o que propõe, que, se se consumar, trará mais caos ao caótico sistema de ensino. Nenhuma organização séria, seja pública ou privada, propõe mudar seja o que for, neste quadro, sem permitir (e mais que isso, fomentar e promover) o envolvimento dos visados na construção do processo. A avaliação do desempenho só vale a pena, se for concebida como instrumento de gestão do desempenho. Quer isto dizer que o seu fim primeiro é identificar obstáculos ao desenvolvimento das organizações, removendo-os, e não castigar pessoas. Dito doutro modo, as instituições maduras preocupam-se hoje mais com a apropriação por parte dos colaboradores dos valores que, intrinsecamente, geram o sucesso e melhoram o desempenho do que com os instrumentos que, extrinsecamente, o promovem.
Porque o primeiro-ministro não tem tempo para ler esses estudos, quando na SIC deu o exemplo dos Estados Unidos da América, ignorava, por certo, que a introdução, aí, do indicador "resultados obtidos pelos estudantes", logo fez aparecer professores a treinarem alunos nas técnicas de copiar nos exames. Ou ainda, quando invocou a França, se esqueceu que a avaliação do desempenho dos professores franceses (que mostrou desconhecer) não impediu o descalabro do respectivo sistema educativo. Lá, como cá (ainda não tivemos Lisboa a arder como eles já tiveram Paris), é a desregulamentação da sociedade e a desagregação da escola pública que tornou os menores franceses o grupo mais representativo nos delinquentes cadastrados (quase 20 por cento).
Sem discutir a bondade dos fins, o que afasta qualquer democrata honesto do primeiro-ministro é a teimosia em que este persiste: porque julga que o fim é bom, despreza os meios e os processos, como fazem os ditadores. Uma questão deste melindre e com as implicações sociais que lhes estão associadas, obrigaria sempre a ponderações criteriosas das soluções e à sua testagem antes da aplicação. Não entender isto, compactar tudo em prazos irreais, persistir na defesa das trapalhadas normativas do ministério, mesmo depois de, por quatro vezes, quatro tribunais administrativos distintos aceitarem providências cautelares sobre a matéria, é reagir como um menino grande, que manipula o brinquedo do poder sem qualquer sentido de Estado.
Quando Sócrates fala de números em Educação, já sabemos o que vai dizer, porque repete sempre o mesmo. Na SIC, Nicolau Santos, jornalista familiarizado com estatísticas, deveria tê-lo confrontado com as mais fresquinhas do INE: durante o Governo de Sócrates o desemprego aumentou 6,5 por cento e, dentro deste, o aumento do desemprego dos licenciados ultrapassou os 63 (sessenta e três) por cento. Este sim é o país real. O resto são fantasias de Peter Pan.
Santana Castilho, Professor do ensino superior
in Público - 20.02.2008
Cordão Humano pela dignidade de ser Professor
PASSA A PALAVRA E COMPARECE!
Cordão Humano, em Coimbra
Em defesa da dignidade de SER PROFESSOR
Dia 26 de Fevereiro de 2008, terça-feira, vamos realizar um CORDÃO HUMANO. A concentração terá lugar na Praça da República (21 horas).
De seguida, seguiremos até à DREC (delegação do ME em Coimbra). Uma caminhada que simbolizará “O protesto da unidade dos professores para mudar a Educação”, porque ASSIM NÃO SE PODE SER PROFESSOR.
Pedimos aos colegas que se vistam de preto ou assinalem o luto com peças de roupa preta!
Chegou a hora de dizermos que já chega de tanta irresponsabilidade e destruição da Escola e da nossa Profissão.
A Direcção do SPRC/FENPROF
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
“Revolta” dos professores faz nascer Movimento em Leiria (Região de Leiria)

A SOLIDARIEDADE E A UNIÃO ENTRE COLEGAS TEM DE SER MOSTRADA AO ME.
“Revolta” dos professores faz nascer Movimento em Leiria
A Luta Continua...
Todos os dias ouvimos os mesmos lamentos - na escola, em casa, na rua, do vizinho, do aluno, do encarregado de educação, da nossa própria insónia. Parecemos funâmbulos ou autómatos rumo ao abismo em velocidade de cruzeiro, levando connosco a nossa vida, a nossa família e a nossa escola.Há que parar para pensar, unir esforços e não calar o que nos vai na alma. Há que fazer jorrar a indignação, a revolta e frustração que nos estão a roer por dentro.
Há que participar em todas as iniciativas em defesa na Escola Pública e da dignidade da Docência. Seja eu docente, discente, funcionário da escola, pai, mãe ou encarregado de educação.
Assim, amanhã, na Reunião de 23.02.2008, pelas 15.00 horas no Auditório da Caixa de Crédito Agrícola de Leiria, temos de ser muitos e temos de mostrar o que sentimos e porque o sentimos - há quebrar estas cadeias de medo que nos querem impor...!
Roubemos as palavras de um poeta para perceber o que vamos fazer amanhã...
Com ternura crescente, insone, canto.
Com simples flores de angústias,
canto.
Em termos de revolta, crise, sonho,
ergo, à mesa do café vazio e enorme,
meu sonho de viagem sem regresso.
Para enganar a solidão, o medo,
digo palavras, música, esperança.
Canto porque estou vivo e amarrado
à condição de ser fiel e agreste.
Porque em vão nos destroem a memória
com máquinas, rodízios, honorários.
Porque o sol torna fulvo o teu cabelo
e apetecem meus lábios os teus seios.
Canto para espantar o espectro indefinido
da besta apocalíptica, medonha.
Canto e louvo o teu sonho, amigo anónimo,
suando e trabalhando, algures oculto.
Canto a tua coragem, general,
confinado na prática e fora dela.
Canto como quem morde, ofende, esmaga
e, exausto, resiste e sobrevive.
Canto para saber que vale a pena
ter voz, músculos, nervos, coração.
À mesa do café, nas ruas, canto.
Nos jardins, nos estádios, sofro e canto.
No quarto abandonado, sonho e canto.
Nos pequenos cinemas, rio e canto.
Entre teus braços doces, choro e canto.
Descerro a aurora com palavras graves,
cantando. Reinvento a melodia,
o sol aberto, o amor pelas esquinas,
a marca sensual nos ombros nus,
a memória da infância, a tua face
— e canto.
Inutilmente embora,
canto.
in A Invenção do Amor e outros poemas, Daniel Filipe
A MOBILIZAÇÃO TEM DE CONTINUAR...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
O Massacre da Educação
Por exemplo, a avaliação dos professores deve ser feita, mas os parâmetros impossíveis impostos pelo ministério, as aberrações nas exigências da assiduidade dos docentes, a quase impossibilidade de obter a nota máxima, as dificuldades extremas em subir na carreira, os estatuto dos avaliadores incompetentes na matéria avaliada, etc - estão a empurrar os professores para o abandono da profissão e para a reforma antecipada. A Educação sofre um massacre que provoca a fuga dos professores: não é isto um dos objectivos da «contenção», a redução do número dos docentes e dos custos da educação? A racionalidade necessária da avaliação esconde a outra racionalidade imposta pelo défice.
Nisto tudo, uma questão me intriga: porquê tanto ódio, tanto desprezo, tanto ressentimento contra a figura do professor?"
José Gil, Visão, 21 de Fevereiro de 2008, pp. 28
Cartaz da Reunião de 23.02.2008
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
CDS exige a suspensão da avaliação de professores
19.02.2008 - 18h55 Lusa
O CDS-PP exigiu hoje a suspensão do processo de avaliação dos professores, defendendo o seu início apenas no ano lectivo de 2008/2009 e a introdução de alterações ao modelo actual.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1320174
Abaixo assinado de professores da Calazans Duarte
Ex.mo Sr. Presidente
do Conselho Pedagógico
da Escola Secundária Eng. A. Calazans Duarte
Nós, abaixo assinados, professores em exercício de funções nesta escola, vimos na sequência da publicação do Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro que estabelece o processo de avaliação de desempenho dos professores e da proposta de alteração de datas divulgado pelo Ministério da Educação, no dia 13 de Fevereiro de 2008, através da Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação na sua página da internet: http://www.dgrhe.min-edu.pt/DOCENTES/PDF/Docente/AvaliacaoDesempenho/Nota_alteracao_prazos.pdf onde se pode ler a seguinte informação (...) [seguia o documento]
De acordo com os esclarecimentos do Ministério da Educação, compete ao Conselho Pedagógico das escolas, no âmbito da sua autonomia, poder fazer aprovar um calendário com a indicação dos prazos que internamente venham a ser propostos desde que os mesmos tenham em consideração a observância da matéria de facto relativa à avaliação do desempenho dos professores, cabendo a cada escola a definição do seu próprio calendário.
Em face do exposto consideramos que a matéria da avaliação do desempenho dos professores exige da parte de todos a maior atenção e que a criação dos instrumentos deve equivaler a um processo transparente, participado e apropriado por todos, na medida em que deve corresponder aos propósitos da própria lei, ou seja, constituir um “instrumento fundamental na procura da melhoria da qualidade das aprendizagens dos alunos e na valorização e aperfeiçoamento da prática docente”, adequado à realidade de cada estabelecimento de ensino.
Entendemos, por tudo isto, não estarem reunidas as condições para que o Conselho Pedagógico possa votar, no próximo dia 20 de Fevereiro a aprovação das grelhas divulgadas no dia 15 de Fevereiro, considerando a necessidade de se estabelecer um tempo de análise, reflexão e discussão sobre a matéria em apreço. Só desta forma será dada a oportunidade a que todos os professores se possam manifestar sobre as propostas de grelhas apresentadas dando ainda a possibilidade a que a equipa que iniciou esta difícil tarefa possa dar continuidade ao seu trabalho melhorando e incorporando os contributos dos professores que considere possam transformar o instrumento numa efectiva ferramenta de avaliação o mais clara, objectiva, transparente e operacionalizável possível.
Assim propomos que:
a) Se abra um período de análise e discussão em sede de grupos disciplinares e departamentos até ao dia 7 de Março para recolha de propostas e sugestões;
b) O Conselho Pedagógico proceda à análise e aprovação até ao dia 14 de Março da versão final;
c) A definição dos objectivos individuais possa decorrer até ao dia 4 de Abril;
d) Os Coordenadores possam delegar as competências de avaliação noutros professores titulares do respectivo departamento até ao dia 4 de Abril;
e) A partir do dia 14 de Abril possam ser agendadas, de comum acordo entre os avaliadores e os avaliados, as datas para a observação de aulas que deve acautelar a necessidade de se realizarem duas observações para os professores contratados até ao final do ano lectivo;
f) Relativamente aos professores do quadro se realizem as 5 observações de aulas no próximo ano lectivo, 2008/09, devendo recair duas no 1º período, duas no 2º período e uma no 3º período, cumprindo-se desta forma o estabelecido na lei e no esclarecimento prestado pelo Ministério da Educação, ou ainda por vontade expressa dos professores, uma observação durante o 3º período do presente ano lectivo.
Remete-se ainda à atenção do Conselho Pedagógico a necessidade de definição de orientações relativas à delegação de competências dos coordenadores de departamento noutros professores que venham a realizar a observação e avaliação de aulas, bem como os critérios relativos às horas a atribuir aos professores avaliadores para o desempenho desta função. Recorda-se que nem todos os coordenadores pedagógicos têm o mesmo número de horas, nem os grupos e departamentos o mesmo número de professores. A ausência de regulamentação da nova função constitui de per si um factor que poderá levar à efectiva dificuldade de aplicação do processo de avaliação de desempenho dos professores já que o desenvolvimento de todas as outras tarefas/funções terão de continuar a ser desempenhadas.
Marinha Grande, 18 de Fevereiro de 2008
Os Professores
Ministra cede no ensino especial
Ministério da Educação induz escolas a procedimentos ilegais
Ministério da Educação induz escolas a procedimentos ilegais
1. Perante as providências cautelares e a suspensão de prazos e procedimentos inerentes à avaliação do desempenho dos professores, responsáveis do ME anunciaram a suspensão dos prazos, mas não dos procedimentos a desenvolver pelas escolas;
A excelência é rara
Na passada semana, ao ligar a televisão, ouvi a responsável máxima pela Pasta da Educação Pré-Escolar e Ensinos Básico e Secundário dizer uma coisa extraordinária em relação à qualidade do desempenho profissional, em geral, e do desempenho docente, em particular. Tão extraordinária se me afigurou, que pensei ter compreendido mal e resolvi ver a repetição do programa. Confirmei o que antes tinha escutado.O que a senhora Ministra Maria de Lurdes Rodrigues disse foi mais ou menos o seguinte: a avaliação do desempenho docente enquadra-se na política de avaliação da função pública, e no ensino, tal como nas restantes profissões da função pública, a excelência, como todos sabemos, é rara. Não temos 70 % de pessoas excelentes e 30 % de pessoas normais. O que temos, infelizmente, é o contrário.
Interpretei tal afirmação do seguinte modo: antes de se realizar a avaliação do ensino e de se apurarem os resultados da mesma, a senhora Ministra da Educação já sabe, e lamenta, que tenhamos uma minoria de professores excelentes. Em números redondos: trinta por cento.
Se desse azo ao meu raciocínio perguntaria a mim própria, porque foi legislado um novo Regime de Avaliação do Desempenho do Pessoal Docente (Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro)? Porque se reconheceu a necessidade de constituição de um Conselho Científico para a Avaliação dos Professores (Decreto Regulamentar n.º 4/2008, de 5 de Fevereiro)? Porque foram emanados vários instrumentos de avaliação por esse mesmo Conselho (Cf. LINK)? Porque se pede às escolas para se organizarem no sentido de aplicarem o dito Regime e construírem os seus próprios instrumentos? Etc.
Como, possivelmente, não encontraria resposta para estas perguntas, tentei o caminho da compreensão. Assim, se contextualizada, a afirmação em causa nada tem de extraordinário. Explico:
- O processo de avaliação do ensino está a ser implementado antes de se ter actualizado o documento que lhe deve servir de referencial – “Perfis gerais de competência para a docência”, permitindo orientá-lo e operacionalizá-lo. Dispomos do Decreto-Lei n.º 240/2001 de 30 de Agosto, que sendo anterior à publicação do actual Estatuto da Carreira Docente (Decreto-Lei n.º 15/2007 de 19 de Janeiro), mantém com ele incongruências não desprezíveis;
- Ainda que sem dispor de um referencial seguro de desempenho docente, que permitisse estabelecer parâmetros inequívocos, rigorosos e objectivos de avaliação, ao arrepio das regras mais elementares da metodologia científica de construção de instrumentos de observação/avaliação pedagógica, o Ministério da Educação divulgou pelo menos duas versões de fichas/grelhas de auto e hetero observação/avaliação, previstos no artigo 44.º do Estatuto da Carreira Docente. Paralelamente solicitou às escolas que se baseiem nelas, que as completem, que as adaptem?;
- Tudo isto foi feito, mesmo antes de se constituir o tão referido e distintamente designado Conselho Científico para a Avaliação dos Professores, que parece continuar reduzido à sua presidente;
- E, já agora, tudo isto foi feito sem se recorrer a conhecimentos científicos de carácter pedagógico-didáctico sobre o ensino e a avaliação do desempenho docente. Mas, aqui passamos para outra história! Uma velha história, aliás, essa da tutela tomar medidas de relevo negligenciando o que se sabe objectivamente sobre a educação. Não, não é por se usar uma linguagem com chavões próprios desta área que o discurso se torna mais credível.
Ironia à parte, e rematando num registo sério, sublinho que a avaliação do desempenho de professores ou de outros profissionais, ainda que necessária, é uma tarefa difícil, muito sujeita à interferência de factores aleatórios.
Nessa medida, requer, antes de mais, e resumidamente, decisões muito claras e precisas quanto ao que avaliar, baseadas no conhecimento do que é desempenho correcto e na especificidade das funções que, em concreto, os profissionais desempenham.
Requer, de seguida, uma metodologia cuidada, que implica, entre outros aspectos, o estabelecimento de fases bem delimitadas onde se inclui: a construção e validação de instrumentos adequados e a recolha e tratamento de dados.
É esta, e não outra a lógica, que se deve guiar um processo de avaliação do desempenho profissional.
Texto da pedagoga Helena Damião, publicado no Blog De Rerum Natura
Marcha-Atrás Em Grande Força
“Trapalhada” na avaliação admitida pelo ministérioO Ministério da Educação reconhece que cometeu um erro em relação à publicação do documento que indicava às escolas que deviam aceitar as recomendações do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores (CCAP) quanto ao desempenho dos docentes, quando aquele órgão ainda não tinha sequer sido criado. Instado a responder às criticas da oposição durante a audição de ontem da ministra da Educação na comissão parlamentar de Educação e Ciência, o secretário de Estado Jorge Pedreira afirmou que as muitas “trapalhadas” que a oposição invoca em relação ao processo de avaliação dos docentes se resumem “apenas àquela questão”.
Apesar de reconhecer a precipitação do ministério, Jorge Pedreira defende que “as recomendações a serem dadas pelo Conselho Científico não eram obrigatórias e quando se percebeu que o órgão não seria criado a tempo, passaram para a competência da sua presidente”, no caso a antiga inspectora-geral da Educação, Conceição Castro Ramos, que no futuro irá presidir ao CCAP. Recorde-se que o decreto-lei que regula a avaliação dos professores (2/2008) indica às escolas que sigam as recomendações do CCAP na adopção de uma série de “indicadores de registo” necessários ao processo de classificação. A ausência dessas recomendações, por o conselho não existir, foi invocada pelos sindicatos para pedirem o adiamento do processo, razões aceites pelo Tribunal Administrativo de Lisboa.
O debate em torno das “trapalhadas do ministério da educação” foi um dos pontos mais quentes da audição potestativa requerida pelo Bloco de Esquerda, que pela voz de Ana Drago acusou a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, de ter criado “uma situação caótica no sector” e de chefiar uma equipa “completamente incompetente”. Também Emídio Guerreiro, do PSD, alinhou pela ideia de que quem dirige a educação em Portugal dá sinais de incompetência por, durante o último ano, não ter avançado com a avaliação dos professores (ver caixa). Já para João Oliveira, do Partido Comunista, a incompetência da tutela fica comprovada pelo episódio em que o decreto regulamentar que definia os prazos de avaliação dos docentes “foi adiado por um comunicado publicado na página oficial do Ministério da Educação que não tinha qualquer assinatura”.
Sem nunca responder a esta última questão, Maria de Lurdes Rodrigues contra-argumentou aos ataques dos representantes da oposição com números. “Os resultados estão à vista: mais 32 mil alunos no ensino básico, com grande importância dos cursos profissionais.”
Quanto às declarações de Jorge Pedreira, acrescentam mais um episódio caricato ao seu caricato desempenho público. Aquela questão não é a única das «trapalhadas» que, a acontecerem com o Governo Santana, teriam provavelmente dado demissão compulsiva. Foi apenas aquela que os sindicatos acharam por bem usar nas suas providências cautelares.
Percebe-se, entretanto, que no Decreto-Regulamentar 2/2008 existiriam passagens com carácter vinculativo não muito forte, como aquela de se seguirem as determinações de um inexistente CCAP.
Já MLR, como é habitual, não responde ao que é incómodo e, pelos vistos, acha-se responsável pelo aumento da natalidade na viragem do século.
O que dirá quem ocupar a tutela quando em 2012 e 2013 se verificarem os efeitos da quebra de natalidade desde que este Governo entrou em funções?
Post do Blog A Educação do meu Umbigo (citação retirada de notícia do DN on-line)
GRANDE REUNIÃO DE PROFESSORES e OUTROS CIDADÃOS
Movimento Cívico
(aberta a todos os cidadãos)
Sábado, 23 de Fevereiro, 15 horas
CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA DE LEIRIA
- Auditório -
(perto do Mercado de Santana, em frente ao CTT - Leiria)
Sobre o novo modelo de avaliação
"Importas-te de me dizer o que é que eu faço com duas alunas que nem sequer vêm à aula? Não estamos a falar das barracas ou bairros problemáticos. É gente com carros e férias não sei onde. Mas as famílias não fazem nada delas. E eu também não". A pessoa que do outro lado da linha assim desabafava é uma brilhante professora de Química. Conhecemo-nos há vinte anos numa escola da periferia onde ela desesperava por explicar que a expressão "fauna piscícola" não queria dizer, como alguns alunos daquela escola acreditavam - vá lá saber-se porquê! -, que "os piscícolas" eram uma espécie de vilões poluidores que assassinavam a fauna. Em momentos mais imaginativos sonhávamos arredondar os nossos magros vencimentos imitando um professor francês que, por essa época, enriquecera passando a livro os disparates que compilava nos testes dos alunos. Na verdade não fizemos nada disso. Ao contrário de mim, ela apostou numa carreira no ensino. E agora, perante aquelas duas miúdas que nem sequer entram na sala, perante os outros todos que estão referenciados na comissão de menores, mais as famílias que não sabem o que fazer consigo mesmas quanto mais com as crianças e com os adolescentes, ela pergunta-se como será a resposta na sua ficha de avaliação a este parâmetro: "Promoção de um clima favorável à aprendizagem, ao bem-estar e ao desenvolvimento afectivo, emocional e social dos alunos"? Os parâmetros destas fichas revelam um dos maiores equívocos da nossa sociedade: uma escola que acha que deve ocupar o papel da família e dos amigos e que não assume o seu papel essencial - ensinar. Não admira portanto que as fichas de avaliação dos professores pareçam talhadas para o Departamento das Expressões onde foram enfiadas aquelas disciplinas simpáticas que passam a vida a mudar de nome mas que são temas e variações sobre as pretéritas Ginástica, Desenho e Trabalhos Manuais.
O ensino em Portugal tem o igualitarismo como um dos seus pilares. E se hoje já se discutem as consequências deste igualitarismo quando aplicado aos alunos, continua a ser tabu aludir ao assunto quando estão em causa os professores. Até agora, nas escolas portuguesas, tanto ganhava quem ensinasse ponto cruz como quem leccionasse Matemática. Mas com este modelo de avaliação, os professores de ponto cruz terão sem dúvida muito melhores resultados que os seus colegas de Inglês, Física, Português, Matemática...
Como é que se chegou aqui? Em boa mas não exclusiva parte porque muitas das pessoas que estão na 5 de Outubro e nos diversos serviços do ministério por esse país fora não têm o mais leve conhecimento da realidade das escolas. Muitos foram professores pouquíssimo tempo e frequentemente detestaram a experiência ou pelo menos não a apreciaram o suficiente para se manterem como docentes. O caso do professor Charrua - aquele que terá contado uma anedota que a directora regional não apreciou - levantou um pouco o véu sobre o universo dessas delegações cheias de professores que aproveitaram as ligações partidárias e os conhecimentos nas influências locais para rapidamente dizerem adeus à escola, aos toques de entrada e saída e sobretudo aos alunos. Esta gente uma vez instalada nos seus gabinetes dedica-se a produzir orientações para serem aplicadas nas mesmas escolas onde eles regra geral não conseguiram fazer nada. A acompanhá-los nesta tarefa estão os colegas que estudaram e se formaram nas chamadas Ciências da Educação e que do ensino ou da educação propriamente dita o que de mais próximo viram são as escolas superiores e os institutos onde eles mesmos estudaram e conseguiram automaticamente tornar-se professores das mesmas ciências da educação. Imagina-se um serviço de cirurgia cujos profissionais mais reputados e influentes não fossem os melhores cirurgiões mas sim aqueles médicos que tivessem apostado em teorizar sobre a cirurgia de preferência num espaço bem afastado do rebuliço do hospital? É isto que acontece na educação. Das alturas pedagógico-administrativas para onde se conseguem elevar, estes seres lançam sobre a escola aberrações pedagógicas, como a destruição do ensino técnico ou a defunta avaliação igualitária que não só pôs turmas inteiras com médio/reduzido como incentivava a nivelar por baixo. E produzem conteúdos como a TLEBS que não resistem a cinco minutos de aula. Há vinte anos, alunos do 9.º ano achavam que "os piscícolas" queriam matar a fauna. Provavelmente esses alunos sonhavam ir para aquilo que então se chamava Humanísticas pois assim ficariam finalmente livres da Química, da Matemática e doutros trabalhosos saberes. Na verdade esses alunos também nunca tinham passado a Português desde a escola primária, mas eles tinham razões para serem optimistas: pertenciam à geração que chegava com seis negativas a conselho de avaliação e saía de lá aprovada. A solução encontrada para este desastre foi ensinar cada vez menos. Existem manuais escolares cujos textos são simples adaptações de revistas. Ontem mesmo li, num destes manuais, um texto sobre o sistema circulatório que se limitava a adaptar uma prosa da revista Superinteressante. Era fraquinho o texto, mas mesmo assim entendia-se. Propósito inatingível em matérias como a História, onde um qualquer impulso jacobino proíbe que se ensine o passado diacronicamente. Interdito que está saber o nome dos reis, as criancinhas portuguesas debitam, em escassos meses, uma espécie de cavalgada heróica sobre as classes sociais e as alterações dos meios de produção que vai do terramoto de 1755 ao 25 de Abril de 1974. Onde antes estava a aula da terceira língua ou mais um tempo de Geografia passou a estar Área de Projecto, Formação Cívica e muitas outras actividades que supostamente ensinarão emoções, afectos, sexualidade e a comer verduras. E é sobre este universo adulterado que os professores vão ser avaliados. Alguma vez os professores teriam de começar a ser avaliados. E como a escola há muito que deixou de ter como principal propósito ensinar, estranho seria que na avaliação dos professores se valorizasse essa sua competência. Perante estas fichas os professores foram colocados diante de uma evidência: de professores passaram a entretedores.
Helena Matos (Jornalista)
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Grande reunião de Professores e outros cidadãos em Leiria, 23 de Fevereiro...

Em defesa da Escola Pública
PELA DIGNIDADE DA DOCÊNCIA
GRANDE REUNIÃO DE PROFESSORES
(aberta a todos os cidadãos)
Sábado, 23 de Fevereiro, 15 horas
na
CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA DE LEIRIA
É tempo de dizer basta!
Ministra recua, mas é preciso manter a pressão...
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, alegou hoje que as escolas ainda estão desconfiadas em relação à entrada de elementos externos nos seus órgãos de direcção, justificando assim o recuo do Governo no diploma sobre gestão escolar.
Fenprof convoca manifestação nacional de professores para 8 de Março
A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) agendou para 8 de Março, em Lisboa, uma manifestação nacional contra a política educativa do Governo e os "reiterados ataques à escola pública e aos docentes".O secretário-geral da Fenprof anunciou que a "Marcha da Indignação" arrancará do Marquês de Pombal às 14h30, seguindo depois para a Assembleia da República, local onde se realizará um plenário de professores. (ler +)
GRANDE REUNIÃO DE PROFESSORES, SÁBADO, 23 FEVEREIRO, 15 hrs

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Organograma da Avaliação de Professores
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Mais um movimento de professores de Sintra
"Defende a Profissão - movimento de professores para romper com o marasmo" é mais um grupo de docentes, desta vez de Sintra, que vão dando, às iniciativas que surgem de norte a sul do País, o carácter de "bola de neve".Todos estes movimentos são a prova da vitalidade dos professores, da impaciência a que chegaram e da vontade em combater as desastrosas políticas educativas deste governo.
A unidade na acção torna-se cada vez mais imperiosa.
Mais uma posição de Escola
Árvore que nasça torta, se de pequenina se não endireitar, morrerá torta, tarde ou cedo, mas torta.
Pelo caminho rir-se-ão dela os homens e os pássaros. Não dará matéria para estátuas nem para livros de história. O seu destino será o fogo.
Fugaz, pois.
Assim os homens e os seus actos.
Assim a aplicação deste Decreto Regulamentar da Avaliação dos Docentes.
Antes de mais, Srª Ministra: não somos contra a Avaliação dos Professores. Na Escola Secundária de Monserrate, desde há muitos anos que defendemos a necessidade de uma avaliação digna e pedagógica porque promotora de atitudes, tabeladora de comportamentos e justificadora de práticas. Eis porque repudiamos o enxovalho, ainda que implícito, como aconteceu no dia 10º de Fevereiro, quando o Senhor Secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, nos telejornais, dizia estar consciente que os sindicatos não queriam a avaliação dos professores. Não nos move, neste momento, qualquer preocupação sindical. Apenas nos preocupamos com o nosso trabalho, os nossos alunos, a nossa carreira, a justiça que nos é devida, a imagem que, continuamente, o Ministério que Vª Exª tutela insiste em degradar. O que ficou na opinião pública é que os professores não querem ser avaliados. Vossa Excelência dirá que o Sr. Secretário acusou os sindicatos e não os professores. Mas o povo, que não é parvo, sabe que estes sindicatos são de professores.
Não contestamos a avaliação. Contestamos o processo da sua implementação.
Assim, é começar mal:
a) permitir que passe para a opinião pública a ideia de que não queremos ser avaliados;
b) querer implementar o DR 2/2008 sem estarem garantidos todas as estruturas ( por ex.: o Conselho Científico apenas tem a Sr.ª Presidente) e todos os documentos de apoio e necessários à elaboração dos instrumentos previstos no n.º 1 do art.º 34º;
c) não facultar às escolas as recomendações previstas nos pontos 2 dos artigos 6º e 28º e no ponto 3 do art.º 21º;
d) dizer que afinal tais recomendações não são necessárias ou que as escolas não terão razão e, logo em 23 Janeiro, por intermédio a DGRHE, comunicar que, até à sexta-feira seguinte, as recomendações e as novas grelhas de avaliação estariam publicadas;
e) publicar, em 25/01/08, novas fichas, mas incompletas (falta a da avaliação dos Coordenadores pela Inspecção e faltam os parâmetros e respectiva ponderação), bem como um texto da Srª Presidente do ainda não constituído CCAP, onde no § 2º da Introdução se diz serem “ recomendações gerais, sem prejuízo de estas virem a ser mais tarde aprofundadas e complementadas por outras, quando o Conselho Científico estiver formalmente constituído”, o que veio criar instabilidade nos docentes e aumentar-lhes as incertezas na elaboração dos documentos;
f) afirmar, e correctamente, que “a complexidade e delicadeza da avaliação de desempenho dos professores e a novidade de muitas soluções definidas no modelo instituído recomendam que a concepção e elaboração de instrumentos se faça de forma participada e com conhecimento fundamentado do sistema e do seu processo de implementação” (Nota Final das Recomendações da Presidente do CCAP) e exigir que tudo se faça impondo prazos limitados, no espaço (continuam, entretanto e necessariamente, as aulas, as actividades não-lectivas, toda a restante vida de uma escola que não pára) e no tempo, inviabilizando a tão necessária participação dos primeiros interessados;
g) não facultar opiniões credenciadas para questões como:
- Como medir a progressão do sucesso/insucesso?
- Como ponderar o diferencial entre a avaliação interna e a externa, tendo em consideração que esta não contempla o sócio-afectivo, a avaliação da oralidade, etc?
- Como definir abandono? Saída do sistema a todas as disciplinas? Anulação de matrícula a algumas disciplinas?
- a delegação de competências e a observação de aulas, nos termos dos nºs 2 e 3 do artº 12º do DR 2/2008;
- estabelecimento de quotas (artº 21º, nº 4 do DR 2/2008);
- a avaliação do desempenho dos parâmetros classificativos a realizar pela inspecção ( artº 29º,l nº 4 do DR 2/2008);
- a avaliação dos professores sem componente lectiva (nº 1, artº 31º do DR 2/2008);
j) lançar poeira na população quando o Sr Secretário de Estado, na referida entrevista de 10 de Fevereiro, anunciou a bondade do ministério ao permitir que as escolas demorem o tempo de quiserem …. mas terão de garantir a avaliação até final deste ano lectivo, para os cerca de 2.000 contratados;
k) impor, sem qualquer documento legal que conheçamos, a constituição de apenas quatro departamentos curriculares para efeitos de avaliação, tendo como referencial o DL 200/2007, quando este refere no ponto 4 do artº 4º que tal opção deve apenas ser tida em conta para o 1º concurso de acesso à categoria de professor titular;
l) não permitir a hipótese de as escolas, completo todo o processo, experimentarem a eficácia dos indicadores de medida, dos instrumentos de registo, da observação de aulas, do preenchimento das fichas; etc.
Senhora Ministra, repetimos: não contestamos a necessidade de avaliação. Apenas os processos implementados.
A tutela manda e nós teremos de cumprir. Não gostamos é de o fazer sobre os joelhos. E é isso que nos pedem. Que trabalhemos sem rede. O ministério impõe-nos rigor, cumprimento de prazos e eficiência. Impõe-nos, mas não se impõe.
À mulher de César não basta ser honesta, mas terá ainda de parecê-lo. Do mesmo jeito a uma qualquer tutela não basta mandar, para se impor. Importa que saiba mandar.
Para terminar, um desabafo: nos cafés, nas ruas, nos fóruns de vizinhança, os amigos riem-se de nós porque agora há um ministério que nos faz trabalhar. Como isto é injusto para tantos e tantos! Para uma enorme maioria, Sr.ª Ministra, que sempre vestiu as camisolas da educação e da sua escola!
O Presidente do Conselho Pedagógico
José Luís Carvalhido da Ponte
Contra os mais papistas... num agrupamento de Leiria...
- Verbaliza a sua insatisfação/satisfação face a mudanças ocorridas no Sistema Educativo/na Escola através de críticas destrutivas potenciadoras de instabilidade no seio dos seus pares.
Ou:
- Mantém uma relação pedagógica com os alunos produtora de:
• expulsão de aluno(S) DA sala de aula;
• atitudes de rejeição do aluno face à frequência DA respectiva aula;
• desinvestimento do aluno na disciplina.
Assembleia da Escola Secundária de Cantanhede toma posição sobre gestão escolar
- a. ao agravar os procedimentos burocráticos e o controlo administrativo, em detrimentoda agilização da gestão e do reforço da autonomia;
- b. ao impor a todas as escolas, ao arrepio da lógica autonómica que defende, um modelo de direcção que, não só não ganha em democraticidade e representatividade,como não garante, por si só, o pretendido reforço da liderança;
- c. e ao tratar os professores, elemento insubstituível em qualquer reforma educativa,de forma discriminatória absolutamente inqualificável, injustificável e inaceitável
dificilmente contribuirá para a ansiada renovação da escola pública portuguesa. Em nosso entender, melhor fora que o poder político optasse por introduzir algumas alterações pontuais no actual regime anexo ao Dec.-Lei n.º 115-A/98, cujas imensas virtudes estão longe deter sido completamente aproveitadas."
Professores de Vila Real organizam-se
Estamos fartos......de ser joguetes de estratégias políticas demagógicas destinadas adenegrir a imagem pública dos professores,...de tentativas de transformação das escolas em áreas de intervenção partidária,...da desresponsabilização do Ministério da Educação, descartando todo o processo avaliativo à iniciativa dos docentes e, desta forma,lançando o odioso da avaliação sobre nós mesmos, sobretudo quando todos exercemos o mesmo tipo de tarefas, partilhando materiais,estratégias e projectos em pé de igualdade,...de pseudo processos de consulta na definição dos modelos organizativos que nos regem,...de ver o Estado portar-se sem ética, quebrando contratos, mudando aleatoriamente as regras do jogo e dando ou tirando conforme os arrufos e as cegueiras do momento.
BASTA de reformas "contra" os professores. Exigimos reformas "com" os professores e que, como tal, possam constituir-se como processos mobilizadores e indutores de mudança qualitativa e real (não meramente estatística).Neste quadro, o modelo de avaliação do desempenho é, tão-só, ocorolário da ligeireza, da arbitrariedade, da injustiça e da incompetência que caracterizou o concurso para professores titularesque não avaliou nem os desempenhos efectivos, nem as competências dosprofessores (muito menos competências para avaliar a prática docente).
Como tal, vamos contestar, nos mais diversos fóruns, os fundamentos irreflectidos, contraditórios e demagógicos que têm norteado aprodução legislativa desta equipa ministerial, cujas consequências devastadoras são bem visíveis na escola, quer ao nível da desmotivação dos professores, quer no âmbito da pressão para o facilitismo (agora consagrado como uma espécie de "porreirismo, pá") na relação pedagógica com os alunos."
Se não muda nada para que quer ouvir os professores...?
Afinal só foram para escutar...
Protesto de uma educadora
Sou Educadora de Infância desde 1986, desde sempre apostei numa carreira docente na rede pública por estar convicta que o Ministério da Educação seria o mais honesto, credível e transparente "patrão".
Com este Governo esta minha forma de pensar foi completamente arrasada. Primeiro foram os congelamentos das carreiras...para alguns docentes! Sim porque no caso concreto do Pré-escolar as Educadoras de Infância dos cursos de Promoção ( 2 anos), que durante quase toda a sua vida profissional foram auxiliares ou vigilantes em instituições (muitas destas particulares) e que tinham apenas o 9º ano de escolaridade, com este Governo tiveram um prémio de maior valor do que o apregoado Prémio do Professor do Ano! Assim, enquanto os docentes que tiveram todo um percurso académico (12º ano) realizaram um curso de formação inicial na área de ensino em que pretendiam fazer carreira docente, com muitos anos de formação superior e tudo o que isso implica, ficaram congelados a partir de 29 de Agosto de 2005, as referidas colegas dos Cursos de promoção viram premiada a sua carreira Não Docente, e com este Governo, em Maio de 2006 passaram para o topo da carreira (10º escalão), tendo algumas delas passado de um 7º para o 10º escalão, com retroactivos desde Janeiro de 2006, porque lhes foi contado todo o tempo de serviço não docente, como se fosse serviço docente! Mais grave ainda é que com o ECD do continente ( porque os ECD das regiões autónomas são completamente diferentes, não dividem os professores em 2 categorias e todos podem chegar ao topo da carreira), as referidas Educadoras com muito menos habilitações académicas e profissionais ficaram na categoria de "Professor Titular", como tal irão avaliar as colegas que desenvolveram um percurso normal, Por tudo isto BASTA! As medidas deste Governo são uma farsa...o argumento de "Escola Pública de Qualidade" é pura demagogia política.
Todas medidas deste Governo estão a destruir a Escola Pública e a gerar relações de enorme conflito entre os docentes deste Portugal Continental, porque felizmente nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores a realidade é outra. Será que temos que "fugir" todos para a ilha?!
Mais um desabafo de uma Educadora de Infância que se vê enganada com tudo isto.