Terça-feira, 24 de Março de 2009

Fujam todos que vem aí o coelhinho da Páscoa

"Magalhães" em falta chegam antes da Páscoa


Os computadores Magalhães "encomendados até à semana passada" pelas escolas serão distribuídos "antes da Páscoa".

O anúncio foi feito, na noite de segunda-feira, pela directora regional de Educação do Norte, Margarida Moreira. Falando num debate sobre Educação organizado pelo Núcleo Associações de Pais de Matosinhos, explicitou que foi essa a informação que lhe deu o "ministro Mário Lino", responsável por este dossiê.

Só na Região Norte faltam ainda "cerca de 140 mil Magalhães", indicou ainda a mesma responsável, em declarações feitas à Agência Lusa, referindo, porém, haver já várias escolas equipadas com este computador.

Margarida Moreira respondeu assim a uma observação feita pelo presidente da Federação das Associações de Pais da Trofa, que ali foi convidado pela organização do debate e aproveitou para notar que "os Magalhães ainda não chegaram às escolas".

A directora saiu em defesa do Magalhães, "um excelente computador", referindo, por exemplo, que ele está programado para não deixar os alunos jogar sem antes fazerem os seus trabalhos para casa.

Ainda neste âmbito, a responsável destacou que "a grande mudança" que aí vem é o Plano Tecnológico da Educação, que vai pôr "todas as escolas ligadas às autoestradas da informação".

O ensino especial foi outras das questões focadas e Margarida Moreira disse que até assumir funções, em 2005, "o Norte não nunca requisitou terapeutas".

"Nós tínhamos zero terapeutas da fala há quatro anos", exemplificou, ressalvando que eles existiam "no resto do país".

Desde então, garantiu, "a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) está a tentar recuperar" o tempo perdido, mas tem deparado com falta de especialistas em áreas como o autismo e a cegueira.

Segundo Margarida Moreira, a DREN até já pediu às escolas superiores de educação que apostem mais na formação dirigida ao ensino especial, com vista a suprir a actual escassez de quadros.

A directora adiantou que, em muitos casos, os problemas continuam a ser resolvidos através dos professores que durante anos desenvolveram a sua actividade nesta área específica e por isso acumularam uma vasta experiência.

Outro elogio foi para a Escola de Segunda Oportunidade que este ano lectivo começou a funcionar em S. Mamede de Infesta, Matosinhos, e que visa acolher jovens que abandonaram os estudos.

"Só há duas no mundo e uma delas é em Matosinhos", destacou Margarida Moreira, salientando que a autarquia local tem um "conceito de escola inclusiva".

O presidente da Câmara local, Guilherme Pinto, aproveitou o debate para vincar que a educação é a sua "primeira prioridade" e apontou os investimentos realizados e a realizar pela autarquia.

O autarca referiu que vão ser investidos "32,5 milhões de euros em 12 centros escolares", contando para o efeito com "um forte apoio governamental" e da própria DREN.

Ministério da Propaganda e da Mentira

Alunos do CEF sentem-se enganados por Ministério

Quando se inscreveram, há dois anos, nos cursos de Educação e Formação (CEF), os cerca de 50 mil alunos afirmam que receberam a garantia de que teriam as mesmas condições que os estudantes dos cursos regulares para fazerem o exame nacional de acesso à universidade. O problema é que os alunos do CEF descobriram que as matérias que dão, nada têm nada a ver com o exame nacional.


O número de alunos dos CEF que vão seguir para a universidade é ainda indefinido porque vão ser submetidos a exames nacionais com matérias que nunca deram e contrariando o que lhes foi dito inicialmente.

As queixas seguem para os Conselhos Executivos, que garantem que nunca deram essa informação.

«Vamos para os exames com matérias que nunca demos e vamos ter que estudar sozinhos», refere uma aluna do CEF.

Também os professores consideram que a escolha dos (SIC) contéudos programáticos não foram os mais acertados.

«Há uma falta de adequação dos (SIC) contéudos programáticos para alunos que queiram candidatar-se à universidade. Especificamente em relação à disciplina de Matemática não há compatibilidade entre o ensino do CEF e o que lhes vai ser exigido no exame»

A professora sublinha ainda que dificilmente os alunos que se submeterem ao exame de acesso à universidade vão conseguir ter êxito.

No entanto, o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, desvaloriza esta preocupação referindo que «o professor não está lá para ser explicador dos alunos para os exames».

Valter Lemos recusa ainda responsabilidades e garante que as escolas sabiam que estes cursos tinham regras diferentes e deviam ter avisado os alunos.

«Um aluno que vai fazer por exemplo um CEF em hotelaria, que existe para formar um técnico de hotelaria, o que deve ser ensinado nesse curso é o que é preciso ser aprendido para ser um técnico de hotelaria», exemplificou.

«No final desse curso, o aluno quer candidatar-se ao ensino superior. Vê quais os requisitos que a universidade pede, tal e qual como outro aluno», concluiu.

Deste modo, as alternativas para estes alunos são arriscar fazer um exame com matérias que nunca leccionaram ou regressar ao 11º ano.


NOTA: a notícia tem uns erritos ortográficos porque foi escrita num Magalhães.

Ainda outro caso isolado - sim, que o Ministério proteje-nos do contacto com aspectos menores da vida de uma Escola...

Porto: Incidente ocorreu à porta da escola e foi presenciado por alunos
Professora agredida à dentada por avó

Uma professora de Geografia da Escola Secundária Fontes Pereira de Melo, no Porto, foi anteontem agredida "à bofetada e dentada" pela avó de um aluno de 15 anos, que frequenta o 10º ano do curso profissional de Turismo. A docente vai apresentar queixa à polícia amanhã.


A agressão à docente, de 53 anos, foi presenciada por vários alunos e aconteceu mesmo à porta da escola, quando a professora foi surpreendida pela encarregada de educação. A vítima preparava-se para sair num um passeio de estudo ao Palácio de Cristal.

"A senhora começou a berrar e de um momento para o outro agrediu a minha colega. Deu-lhe duas bofetadas e uma dentada", disse ao CM Paulo Teixeira Sousa, professor de Matemática naquela escola.

Segundo aquele docente, o aluno do curso profissional mantém com a professora de Geografia uma relação tensa. Num dos episódios mais graves, terá mesmo "insultado e batido a porta à professora".

Posteriormente, o aluno foi levado à sala de indisciplina e foi-lhe imposta uma sanção: a suspensão por três dias. A encarregada de educação foi chamada à escola para discutir a situação disciplinar do jovem . "Não aceitou o que a directora de turma lhe disse e afirmou que lhe estavam a fazer a cabeça contra o neto", disse Paulo Teixeira Sousa.

Segundo o CM apurou, este foi o primeiro episódio de violência contra professores naquela escola, onde só há registo de pequenas escaramuças entre alunos e que acontecem esporadicamente.

PORMENORES

AMEAÇAS

Segundo o professor Paulo Sousa, os familiares do aluno de 15 anos voltaram à escola depois da agressão e ameaçaram dar tiros ao porteiro e à professora.

SINDICATO

Abel Macedo, do sindicato de Professores do Norte, afirmou ao CM que se vive uma fase complicada nas escolas, devido "à desautorização dos professores".

VILA DO CONDE

O mesmo sindicalista considera "preocupante" o caso dos dois carros de professores que foram incendiados numa escola de Mindelo.



NOTA: certamente que a Directora Regional de Educação do Norte, a Ministra da Educação e os seus moços de recados já lamentaram publicamente mais esta miserável agressão, mas ainda não nos chegou aos ouvidos tal facto. Enquanto não chega, a nossa solidariedade a mais esta colega agredida - ainda bem que este ano há eleições e poderemos dizer de nossa justiça, com uma simples cruz num papelinho, o que nos vai na alma...

Domingo, 22 de Março de 2009

Haja quem diga a verdade!

Reunião na Golegã
Paulo Portas: violência escolar é resultado de ambiente condescendente
21.03.2009 - 15h04 Lusa

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, disse hoje, na Golegã, que o aumento da violência nas escolas é resultado do “ambiente condescendente” e de “facilitismo” promovido pelo Governo.

“De cada vez que o Governo promove um ambiente condescendente, de facilitismo, obviamente retira exigência à escola, retira disciplina à escola e aumenta as condições para que existam agressões”, afirmou Paulo Portas, à margem da primeira reunião dos coordenadores do programa do Governo Escola Segura.

Sublinhando que “a escola é um lugar de conhecimento, não é seguramente um lugar de violência”, o dirigente do CDS-PP relacionou ainda o aumento das agressões a professores e alunos nas escolas à autoridade dos docentes.

“Eu quero deixar claro que de cada vez que o Governo põe em causa a autoridade dos professores, e tem posto a autoridade dos professores repetidamente em causa, está a criar um clima propício para que não haja respeito, incluindo físico, pelos professores”, declarou.

O número de agressões a professores e alunos aumentou 11,3 e 20,6 por cento, respectivamente, em 2007/08, face ao ano lectivo anterior, segundo dados do programa Escola Segura apresentados ontem.

Já o número total de ocorrências registadas pela Escola Segura no último ano lectivo, de acordo com o coordenador do Observatório para a Segurança Escolar, João Sebastião, foi de 6039, enquanto em 2006/07 situou-se nas 7028, o que representa uma diminuição de cerca de 14 por cento.

Em 2006/07 verificaram-se 1092 agressões a alunos, tendo no ano lectivo seguinte aumentado 225, enquanto relativamente aos docentes passaram de 185 para 206 em igual período.

Sexta-feira, 20 de Março de 2009

A ética republicana e o Partido Socialista - XV

Conselho reuniu-se de emergência
Administração da RTP manda retirar anúncio da Antena 1 que critica manifestações
20.03.2009 - 16h52 Maria Lopes

A administração da RTP acaba de anunciar que decidiu retirar da emissão o anúncio publicitário de promoção da manhã informativa da Antena 1 cujo teor demonstrava uma crítica clara às manifestações.

Depois de um parecer muito crítico enviado pelos dois provedores (do ouvinte e do telespectador), o conselho de administração da televisão e rádio públicas reuniu de emergência e decidiu que o spot não passará mais na antena da RTP.

Segundo o documento conjunto a que o PÚBLICO teve acesso, os provedores afirmam que o conteúdo do anúncio “veicula uma mensagem de tom antidemocrático, violadora de um direito constitucional”. Afirmam olhar “com a maior reserva” para a interpretação do anúncio por um jornalista profissional e dizem que é sua opinião que “o spot publicitário em causa deve ser imediatamente retirado”.

O anúncio de meio minuto mostra carros parados e, num deles, com o rádio ligado na Antena 1, a jornalista Eduarda Maio - uma das principais vozes da rádio pública e autora do livro Sócrates: O Menino de Ouro do PS, a biografia autorizada do primeiro-ministro lançada em 2008 - diz ao condutor que há ali uma manifestação. Quando este lhe pergunta contra quem é o protesto, Maio responde-lhe que é contra ele e "contra quem quer chegar a horas".

O caso está a suscitar polémica entre os partidos políticos e os sindicatos, sobretudo porque põe em cheque o direito à manifestação. A CGTP diz que é um ataque expresso ao sindicalismo e um sinal de uma “atitude de subserviência” da rádio pública ao Governo. O PCP pediu a retirada do anúncio e o PSD pediu mesmo a demissão da direcção da Antena 1. Já o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, afirmou que não se pronuncia sobre “questões editoriais do serviço público”.

O vandalismo como consequência de certas políticas do Ministério da Educação...

Escola EB 2,3 D. Pedro IV
Mindelo: carros de dois professores incendiados no parque da escola
20.03.2009 - 17h26 Mariana Oliveira

Dois automóveis pertencentes a dois professores foram incendiados esta manhã no parque de estacionamento da Escola EB 2,3 D. Pedro IV, em Mindelo, Vila do Conde. A GNR confirma o incidente, que lhes foi reportado às 11h30. “Como havia suspeitas de nível criminal e eram necessárias perícias de carácter laboratorial o caso foi encaminhado para a Polícia Judiciária (PJ)”, adiantou o porta-voz da GNR, o tenente-coronel Costa Lima.

Os carros, um Mercedes CLK e um classe A da mesma marca, foram, segundo um dos docentes afectados que preferiu manter o anonimato, “regados com um combustível e depois ateados com fogo”. Mas, ninguém terá assistido a este momento. “Só nos apercebemos do que estava a acontecer quando começou o fumo e as chamas”, relata o professor há cerca de 18 anos.

O docente não tem ideia de quem lhe possa ter incendiado o carro, mas assume ter alunos problemáticos e já ter sido vítima de ameaças físicas. “Nada que pensasse que viesse a resultar nisto”, confessa. O carro da outra docente não estava ao pé do seu, garantindo o professor que havia outras viaturas de gama mais alta que não sofreram quaisquer danos.

O professor admite que este possa ter sido um acto de vingança, relacionado com a sua única actividade profissional, a docência. O PÚBLICO não consegui falar com a outra professora que, contudo, não partilhava nenhuma turma com o colega. A Escola EB 2,3 D. Pedro IV, em Mindelo, não quis comentar o caso. Contactada pelo PÚBLICO, a Direcção-Regional de Educação do Norte também não esteve disponível para falar.

Uma Brigada da PJ está neste momento no estabelecimento de ensino a fazer inquirições, não excluindo qualquer hipótese neste momento. No entanto, um responsável da instituição não deixa de apontar que não é comum em alunos destes (que frequentam no máximo o 9º ano) actos desta gravidade.

Chegou a Primavera!

(imagem do Google de hoje)
Equinócio: início da Primavera

Este ano o Equinócio ocorre no dia 20 de Março às 11.44 horas. Este instante marca o início da Primavera no Hemisfério Norte. Esta estação prolonga-se por 92,79 dias até ao próximo Solstício que ocorre no dia 21 de Junho às 06.46 horas.

"Vai-te ao longo da costa discorrendo,
e outra terra acharás de mais verdade,
lá quase junto donde o Sol ardendo
iguala o dia e noite em quantidade."
Lusíadas,II,63.

Equinócio: instante em que o Sol, no seu movimento anual aparente, corta o equador celeste. A palavra de origem latina significa "noite igual ao dia", pois nestas datas dia e noite têm igual duração.

Quinta-feira, 19 de Março de 2009

Outro caso meramente pontual numa Escola

Porteiro agredido a soco e pontapé por ex-aluno


O porteiro da escola EB 2,3 de Arouca foi agredido por um ex-aluno, que o socou e pontapeou de forma repetida. O agressor, de 16 anos, não gostou que a namorada fosse impedida de sair da escola antes do horário autorizado.

O porteiro, que não foi autorizado, ontem, por responsáveis da escola a prestar declarações, encontrava-se, sexta-feira passada, na cabine do controlo de entradas e saídas da EB2,3 de Arouca, quando foi surpreendido com a entrada tempestiva de um ex-aluno da escola que, depois de proferir alguns impropérios, lhe desferiu um soco no rosto.

A violência da agressão, que terá a ver com o facto da namorada ser impedida de sair da escola antes do horário autorizado, fez com que o homem caísse prostrado no chão. Facto que não impediu o agressor de continuar a pontapear o homem, de forma repetida, partindo inclusive os óculos que este trazia. A agressão só terminou quando o ex-aluno se pôs em fuga devido à chegada dos empregados e professores que vieram em socorro da vítima.

O porteiro sofreu escoriações, mas não precisou, no momento,de cuidados hospitalares, Ontem à tarde, foi alvo de uma perícia médico legal na delegação do Instituto de Medicina Legal, situado no Hospital S. Sebastião, Feira.

Ontem, a vítima, que retomou o trabalho, queixava-se de problemas de audição devido ao murro que o jovem lhe desferiu na zona do ouvido.

O ex-aluno estava referenciado pelos responsáveis da escola, onde foi alvo de vários processos disciplinares no passado ano lectivo. Terá sido suspenso 10 dias por alegada tentativa de agressão a dois professores. É conhecido pelo seu comportamento agressivo e constante desobediência.

in JN - ler notícia


PS - será certamente hoje que a Ministra da Educação, os seus Secretários de Estado e muitos outros que irão mostrar a sua solidariedade para com mais este funcionário de Escola agredido no seu posto de trabalho. Cá ficamos à espera.

Ministério de la Educacione



Habla usted portunhol?

Já é constrangimento o sentimento dominante de quem tem que falar do actual Ministério da Educação. Lurdes Rodrigues e a sua inimaginável dupla de secretários de Estado, mais a famosa DREN, tornaram-se, com efeito, uma verdadeira mina para os jornais e para o anedotário educativo. E cronistas pouco imaginosos como eu têm a estrita obrigação de, no final do seu mandato, lhes deixar uma eternamente grata coroa de flores no assento etéreo onde subam (ou desçam, pois não se vê que possam subir mais, mesmo num Governo PS).

Agora é o secretário Valter Lemos substituindo-se às universidades e "profissionalizando" como professor de Espanhol qualquer diplomado em outro curso de línguas (e até em Antropologia ou Sociologia…) que se disponha a receber umas luzes de Espanhol simplex tipo Novas Oportunidades, talvez até por correspondência ou, quem sabe?, por fax. De uma penada, e por portaria, o secretário de Estado revoga o decreto-lei 43/2007 e a propalada "exigência" na formação dos professores e contribui para o enriquecimento curricular do Básico e Secundário com mais uma disciplina, o Portunhol.

A ética republicana e o Partido Socialista - XIV

Mandato já terminou há oito meses mas ainda não há consenso quanto ao seu sucessor
Nascimento Rodrigues acusa PS de “apetite” pelo cargo de Provedor de Justiça
19.03.2009 - 10h13 PÚBLICO


O Provedor de Justiça denunciou hoje aquilo que diz ser o “apetite” do PS pelo cargo, na revista “Visão”. O mandato de Nascimento Rodrigues terminou há oito meses mas entre o PS e o PSD ainda não há consenso quanto ao seu sucessor.

Nascimento Rodrigues, no cargo desde Junho de 2000, invocou Os Vampiros, de Zeca Afonso: “O PS já ocupa todos os altos cargos públicos, faz lembrar o Zeca Afonso: ‘eles comem tudo’”. Segundo o responsável, “deveria caber ao segundo partido [o PSD] a escolha” para se conseguir um “quadro mais vasto de equilíbrio democrático de poderes”.

A “Visão” lembra que nos últimos meses têm sido propostos pelo PS nomes como Freitas do Amaral, António Arnault e Rui Alarcão. Mas estes foram rejeitados pelo PSD, que apresentou Laborinho Lúcio. Por sua vez, este nome foi descartado pelos socialistas.

Este “braço de ferro” assemelha-se, segundo Nascimento Rodrigues, a uma “comédia à portuguesa” e “desprestigia os decisores políticos, intranquiliza o funcionamento normal da Provedoria e deixa os cidadãos cada vez mais descrentes da qualidade da nossa democracia”.

Mas apesar de comédia, é pouca a vontade para rir. “O país acha admissível que o provedor continue refém destas circunstâncias até ao fim do ano ou, quem sabe, até depois?”, questiona.

O ainda Provedor de Justiça sente “desencanto com a visível degradação da qualidade da vida política” em Portugal e acomoda-se mal por se “ver obrigado a permanecer no exercício de um mandato cujo prazo legal está longamente excedido (...). Sou uma espécie de ‘Provedor Matusalém’”.

Nascimento Rodrigues lembrou ainda que, em breve, o país vai entrar em “longos períodos de pré-campanhas eleitorais, o que objectivamente torna mais difícil uma solução de consenso”.

O descontentamento do provedor já havia sido tornado público. No início de Março, o provedor escreveu à Assembleia da República considerando o atraso na eleição do seu sucessor uma situação "demasiado prolongada, insustentável e desprestigiante". "Não há condições institucionais para prolongar [esta situação]", acrescentou Nascimento Rodrigues.


ADENDA: Caro Senhor Provedor, não vá ainda embora. Há imensas reclamações dos professores para responder e há que mostrar ao Partido tomado por José Sócrates que ainda há dignidade e decência no nosso país...

Quarta-feira, 18 de Março de 2009

Mais um caso isolado de violência numa escola portuguesa

Homens e mulheres armados com paus entram em escola à procura de aluno


A Escola Básica 2/3 de Silgueiros, Viseu, foi esta quarta-feira invadida por alguns homens e mulheres armados de paus, na sequência de uma rixa entre dois alunos, disseram fontes da GNR e do estabelecimento de ensino.

O vice-presidente da escola básica de D. Luís Loureiro, Paulo França, contou à Agência Lusa que, "no intervalo das 11.50 às 12.00, dois alunos de etnia cigana de 15 anos, pertencentes a acampamentos rivais, envolveram-se numa pequena rixa".

"Um deles acabou por cair e fazer um pequeno golpe na cabeça, mas que estava a deitar muito sangue. O irmão dele telefonou aos pais do telemóvel a dizer que ele estava muito mal e, cinco ou dez minutos depois, chegaram várias carrinhas", contou.

Segundo Paulo França, "eram para aí umas doze pessoas, que entraram pela escola dentro armadas com cinco bastões, um deles de ferro, e começaram a tentar encontrar o aluno ferido e o outro que o tinha agredido, dizendo que o iam matar".

"Ameaçaram professores e funcionários e acabaram mesmo por agredir com uma bofetada uma funcionária que os tentou impedir de entrar no edifício", lamentou.

Quando chegaram ao pé do aluno ferido, "viram que ele estava bem e a ser tratado por um funcionário que tem formação em primeiros socorros e as coisas serenaram, mas o mal já estava feito", acrescentou.

Paulo França disse que, "perante as ameaças aos alunos e a rapidez com que entraram na escola e praticamente a ocuparam", o conselho executivo se sentiu "impotente para conter a invasão" e chamou a GNR, que identificou os elementos do grupo.

O responsável admitiu ser "muito fácil entrar na escola", quer pelo portão, "que é grande e que também é usado pelos fornecedores", quer pela vedação.

"Já pedimos verbas para a vedação e o portão, mas como se trata de uma extensão muito grande, o argumento é sempre a falta de verbas", lamentou, avançando que, atendendo ao episódio de hoje, o conselho executivo vai voltar a fazer o pedido à Direcção Regional de Educação do Centro.

A Escola Básica 2/3 de Silgueiros, que é sede de agrupamento, é frequentada por cerca de 270 alunos, uma dúzia dos quais de etnia cigana.

"No primeiro ciclo já se tinham verificado problemas e houve até pais de etnia cigana que não colocaram os filhos em determinadas escolas. Mas aqui nunca tínhamos sentido a rivalidade desta forma", garantiu.

Fonte da GNR disse à Lusa que, "face ao que aconteceu hoje, haverá uma atenção acrescida" em relação aos locais de acampamento.


in JN - ler notícia

PS - enquanto as pessoas que nos tutelam não mostram a sua solidariedade para com mais este funcionário vítima de violência numa escola portuguesa, aqui fica o nosso agradecimento e solidariedade a este funcionário e a muitos outros que, em condições tão adversas, continuam a cumprir o seu dever e pôr a funcionar os nossos estabelecimentos de ensino...

Sobre os preparos de um Professor Titular

Para preparar o futuro (a entrada dos Directores nas Escolas e a aceitação sem reservas por parte dos docentes da existência dos Professores Titulares) o Blog Ordem dos Titulares tem publicado os textos que provam que afinal a História pode repetir-se e que há docentes com capacidades divinatórias que deixariam envergonhadas certas moças da Grécia antiga...

Vejam esta pérola (e antes de começarem a mandar ameixas, percebam a ironia):

Cabelo e Barba


Para além da necessidade de apresentar sempre uma imagem e exemplo de limpeza e disciplina, deve o Professor Titular proceder a alguns cuidados muito úteis para o seu exigente quotidiano. Nada pior que o ar de desmazelo.

O corte do cabelo deve ser muito curto, para evitar ninho de parasitas e sujar a gola da jaqueta e capote. A barba deve ser devidamente escanhoada, não devendo correr a navalha ao arrepio dos pelos, o que levanta a epiderme e dispõe para a irritação e inflamação da pele. Para evitar a transmissão de moléstias, o Professor Titular deve ter para si próprio, e para uso exclusivo, tesoura, navalha de barba, assentador e pincel. Recomendamos a desinfecção destes instrumentos antes de servirem.

Caso não haja desinfectantes à mão, aconselhamos que passem pela chama do gás ou de uma vela acesa a tesoura e a navalha.

No caso de o Professor Titular usar barba ou bigode, estes devem apresentar-se rigorosamente desenhados e aparados, para evitar que os maus cortes desvirtuem a simetria da face. Outro aspecto importante a não esquecer é que o Professor Titular que não possua já consolidada quer a referida barba, quer o dito bigode, deve esperar pelas férias para os deixar crescer, evitando, assim, que esse crescimento possa ser confundido, pelos alunos e os outros com desmazelo.

O uso de barba e bigode deve estar reservado aos Professores Titulares, devendo os outros andar sempre irrepreensivelmente escanhoados.

Encontro de PCE em Lisboa - 21 de Março

Post roubado ao Blog A Educação do meu Umbigo:

cartazpce

Caros Colegas, Presidentes do Conselho Executivo,

É tempo de vos convidar a participar no nosso próximo encontro, a realizar em Lisboa, no sábado 21 de Março.

Gostariamos de estender este convite, naturalmente, a todos aqueles colegas que, por razões várias, não estiveram presentes nos anteriores encontros de Santarém, 10 de Janeiro, e Coimbra, 7 de Fevereiro. É com a convicção de que é muito mais o que nos une do que o que nos separa, que lhes pedimos que considerem juntar-se a nós..

O que nos une? À partida, a responsabilidade e lealdade com que desempenhamos o cargo que nos foi confiado; o gosto que temos pelas questões do ensino e da educação; o empenho com que defendemos as nossas escolas; a preocupação com que assistimos à aposentação precoce e em massa de professores que fazem tanta falta aos nossos alunos; une-nos, ainda, a convicção de que a avaliação do desempenho docente é um instrumento de gestão importante e necessário; une-nos, por fim, a certeza - mais ou menos calada, mais ou menos admitida - de que da aplicação do Dec. Reg nº1-A/2009, como do nº11 /2008, não resultará uma avaliação justa, séria nem credível. Em vez da melhoria desejada, estamos a perder tempo e a comprometer o futuro, e foi nesse espírito que sentimos ser nosso dever alertar o ME para tais efeitos que, embora não desejados, não deixarão de ser perversos.

O que nos separa? Não o saberemos, se pela ausência nos privarem de um saudável debate de ideias… Como poderão constatar através da leitura da nossa ordem de trabalhos, procuramos recolher ideias consensualmente aceites que se assumam como contributos a ter em conta no futuro próximo. É este o desafio que vos lançamos e ao qual, estamos certos, não deixarão de ser sensíveis.

O local do encontro é o Teatro Aberto, e a reunião decorrerá na Sala Azul, a partir das 14 horas. Antes, porém, contamos com a vossa companhia ao almoço, que será servido pelas 12 horas no restaurante Pano de Boca, nas próprias instalações do Teatro Aberto.

A localização, perto da Praça de Espanha, tornará o acesso fácil, mesmo para quem vem de longe. São pontos de referência a Gulbenkian, a Mesquita, a Embaixada de Espanha e , ligeiramente mais afastado, o espaço comercial El Corte Inglês. De qualquer forma, se através do Google abrirem a página do Teatro Aberto, e seleccionarem “contactos - acesso”, encontrarão informação detalhada.

O custo - tendo por base uma estimativa de 250 presenças - será de 14€. O pagamento deverá ser feito no prazo máximo de duas semanas, ou seja, até ao dia 13 de Março, através de transferência bancária para o NIB 003500820000255390002. É fundamental que, aquando da transferência, façam a identificação clara do depositante, por forma a tornar possível o controlo das inscrições. Aliás, por via das dúvidas, seria bom que paralelamente enviassem informação do vosso depósito (data, refª, nome da escola e do PCE e / ou do seu VP) para o nosso correio presidentes.cexecutivo@gmail.com. Esta informação é fundamental, quer para fixar o número de refeições, quer para se proceder a um eventual acerto de contas, caso compareçam mais colegas, uma vez que a sala tem uma lotação de 350 lugares.

A agenda que vos propomos é a seguinte:

  1. Informações / ponto da situação;
  2. Criação de uma Associação Nacional de PCE / Directores de Escola (síntese a apresentar mediante análise das vossas propostas a enviar até 13 de Março para presidentes.ande@gmail.com);
  3. Avaliação de Desempenho Docente: que futuro? (síntese a apresentar mediante análise das vossas propostas a enviar até 13 de Março para presidentes.add@gmail.com).

Contamos com a vossa presença, que nos animará a prosseguir neste caminho que traçámos e que, afinal, é o de todos os que não aceitam ver desvalorizada a Escola Pública.

Pela Mesa de Coimbra:

Isabel Le Gué

PCE da Escola Sec. Rainha Dona Amélia, Lisboa

O mundo ao contrário

Aveiro: Agressão numa aula da Escola EB 2,3 de Aires Barbosa
Aluna admite estalo a docente
18 Março 2009 - 00h30

A mãe, Sandra Cardoso, vai levar o caso a tribuna

"Só me defendi. Dei-lhe um estalo depois de ela me bater. Não me quis explicar porque queria que eu fosse outra vez de castigo para a sala de estudo", explicou ao CM a aluna de 13 anos que agrediu uma professora anteontem na escola EB 2,3 Aires Barbosa, em Esgueira, Aveiro.

As declarações da estudante e dos pais, revoltados com o sucedido, contrariam a versão oficial da escola, que adiantou que tudo ocorreu numa aula quando a menina "mal comportada, repetente e com um trajecto escolar atribulado" não acatou uma ordem. "Os pais dizem que ela é muito nervosa mas isso não é desculpa", referiu a presidente do Conselho Executivo da escola, Elsa Jorge. A professora agredida teve de ir ao hospital. A conclusão do inquérito será hoje conhecida, tal como a sanção disciplinar.

"Se a minha filha for transferida, a professora também tem de ser", disse a mãe, Sandra Cardoso, que chamou a atenção para as pisadelas que a filha ostenta, prometendo levar o caso a tribunal. Na Quinta do Simão, Cacia, Aveiro, familiares e vizinhos estavam irritados.

"Não tinha o direito de bater na minha filha", continuou a mãe, desempregada, de 32 anos, que tem mais cinco filhos menores. Uma das filhas, com 14 anos, também estuda naquela escola. "Se a professora tivesse carinho pelos alunos isto não tinha acontecido, andava a implicar com ela há três meses", lamentou o pai.

in CM - ler notícia


PS - sobre este assunto sugere-se a leitura de um curioso post, sugestivamente intitulado "Laqueação de trompas e vasectomia", do interessante e provocador Blog Ordem dos Titulares...

A ética republicana e o Partido Socialista - XIII

Como foi possível fechar uma Universidade (a UnI - Universidade Independente) que licenciou gente tão ilustre e tão capaz como o engenheiro José Sócrates ou o doutor Armando Vara?

Não deviam ter pensado que, tendo gente tão bem preparada - repare-se que houve gente que, em poucos meses, conseguiu fazer o que outros demorariam anos a aprender nas Universidades públicas... - a licenciar-se nessa grande escola (há outras que funcionam tão bem, no nosso país, mas não dão títulos académicos - que o digam os carteiristas, arrombadores, vígaros, ladrões, proxenetas, raptores e afins, cujos mesteres aprenderam nas nossas prisões) pelo que o seu encerramento foi manifestamente injusto.

Para provar a minha tese, aqui fica mais um exemplo: Armando Vara, um simples caixa bancário pouco escolarizado, igual a muitos daqueles que agora frequentam as Novas Oportunidades, conseguiu em pouco anos passar de base da pirâmide (alimentar) bancária para o seu topo, por ter aprendido tudo quanto baste na Universidade Independente - e com tanto sucesso que vai sucessivamente mudando de Banco e aumentando o seu magro salário com muita facilidade:


Moral da estória: se Deus existe, vota PS e também fez uma licenciatura em Ilusionismo na Universidade Independente.

Terça-feira, 17 de Março de 2009

Evangelho apócrifo - o sermão docente da montanha

PARÁBOLA DO PROFESSOR


Naqueles tempos, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os dizendo:
Em verdade vos digo, bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles...


Pedro interrompeu: Temos que aprender isso de cor?
André disse: Temos que copiá-lo para o caderno?
Tiago perguntou: Vamos ter teste sobre isso?
Filipe lamentou-se: Não trouxe o papiro-diário.
Bartolomeu quis saber: Temos de tirar apontamentos?
João levantou a mão: Posso ir à casa de banho?
Judas exclamou: Para que é que serve isto tudo?
Tomé inquietou-se: Há fórmulas, vamos resolver problemas?
Tadeu reclamou: Mas porque é que não nos dás a sebenta e pronto!?
Mateus queixou-se: Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!


Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele, dizendo:
Onde está a tua planificação?
Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didáctica mediatizada?
E a avaliação diagnóstica?
E a avaliação institucional?
Quais são as tuas expectativas de sucesso?
Tendes para a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da transmissão?
Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dos conhecimentos prévios?
Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem?
Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo?
E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais?
Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e cooperativos das áreas concomitantes?
Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico constituídos pelos núcleos generativos disciplinares, transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?

Caifás, o pior de todos, disse a Jesus:
Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás notificado em devido tempo pela via mais adequada, através de e-mail anónimo e de documento oficial não assinado. E vê lá se reprovas alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de nomeação definitiva.

... E Jesus, arrependido, triste e confuso, pediu a reforma antecipada aos trinta e três anos...


NOTA: em verdade, em verdade vos digo, este texto foi encontrado no meio do relatório do Doutor Pedroso, entre as compilações de legislação educacional anteriores à I República, e me foi revelado por um não crente sob a forma de epístola. E vós que não credes, arrependei-vos e acreditai na Boa Nova, pois o fim está próximo e depois haverá muito choro e ranger de dentes...

O Menisterio da Inducasão e o magalhanês

0939a


Cartoon de Antero - Blog anterozóide

Segunda-feira, 16 de Março de 2009

Mais um caso meramente pontual

Na EB 2/3 de Esgueira
Professora agredida por aluna em Aveiro
16.03.2009 - 11h55 PÚBLICO

Uma professora de Educação Visual e Tecnológica da EB 2/3 de Esgueira, em Aveiro, foi transportada esta manhã para o Hospital de Aveiro depois de ter sido agredida por uma aluna do 5º ano, de 13 anos de idade.

"Está tudo na fase de investigação", adiantou ao PÚBLICO fonte do Conselho Executivo da Escola EB 2/3 Aires Barbosa de Esgueira confirmando a agressão que ocorreu esta manhã numa das salas de aula deste estabelecimento de ensino. A responsável do Conselho Executivo adiantou apenas que a PSP (Escola Segura) se encontra na escola para tratar do caso e que a docente ficou ferida com arranhões e lesões provocadas por pontapés da aluna. A jovem agressora é repetente e tem 13 anos.

Sem querer adiantar mais pormenores, a mesma fonte da direcção da escola disse ainda que se terá tratado de uma situação de "mau comportamento". O INEM foi chamado à Escola Aires Barbosa pouco depois das 10h00 e, pelas 12h00, a professora ainda se encontrava a receber assistência médica na unidade hospitalar de Aveiro.


PS - esperamos, sentados (para não nos doerem as pernas, tão longa será a espera), que uma Directora Regional, um Secretário de Estado ou uma Ministra qualquer se solidarizem com esta docente, que sentiu na pele os efeitos desta política educativa.

O concurso de (alguns) professores e o estado de direito que já não temos

Fenei contesta supressão de duas mil vagas para contratação local
Pedida providência cautelar contra concurso nacional de professores
16.03.2009 - 20h07 Lusa

A Federação Nacional do Ensino e Investigação (Fenei) interpôs hoje no Tribunal Administrativo de Lisboa uma providência cautelar para repor “a legalidade do concurso nacional dos professores”, contestando que as escolas situadas em zonas desfavorecidas possam contratar directamente os seus docentes.

“Ao verificar-se que 59 agrupamentos de escolas se declararam TEIP (Territórios Educativos de Intervenção Prioritária), quer dizer que os docentes serão prejudicados na sua candidatura, por não conhecerem os procedimentos, as condições ou as regras em que, estando já colocados, podem concorrer ou não a estas vagas”, segundo uma nota da Fenei.

Assim, a “causa primeira do pedido é a supressão de cerca de duas mil vagas, que foram retiradas de concurso, para serem submetidas a contratação local de escolas, sem saberem os critérios”, lê-se no texto.

Este “pequeno desiderato” – adianta o documento – acarreta “prejuízos enormes aos docentes que, por desconhecimento da existência destas vagas, ficam impedidos de a elas concorrerem”.

De acordo com uma proposta de portaria conjunta dos ministérios das Finanças e da Educação, que começou a ser negociada com os sindicatos na semana passada, as escolas integradas no programa TEIP passarão a poder contratar directamente os seus professores, definindo “os grupos de recrutamento a concurso, os requisitos de acesso, os critérios de selecção, de desempate, de exclusão e as listas finais de colocação”.

A medida justifica-se, segundo o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, com as “características e dificuldades especiais destes estabelecimentos de ensino”, sendo por isso necessário recrutar professores “com competências específicas” e com “muita vontade de trabalhar lá”.

Ministério acusado de ilegalidade

“À margem da lei” – que se tornou a regra deste Governo – “o Ministério da Educação (ME) dá como facto adquirido e concluído um processo de negociação obrigatória com os sindicatos do projecto de diploma sobre os TEIP”, lê-se no documento.

Segundo a Fenei, ao “infringir a lei, o ME ameaça a ancoragem social, em que assenta a Constituição da República e a lei de negociação que assegura a liberdade sindical dos trabalhadores da Administração Pública e que regula o seu exercício, obrigando as partes a negociarem as condições de trabalho”.

“Tal ainda não se verificou e os próprios sindicatos têm propostas diferentes, que não prejudicam a relação concursal dos docentes e até apontam para uma melhoria das suas competências no exercício das suas funções. Por isso, vamos requerer negociação suplementar”, diz a nota do presidente da Fenei, Carlos Alberto Chagas.

O segundo motivo para a entrega da providência cautelar, destaca a Federação, prende-se com a avaliação de desempenho dos docentes com classificações de “Muito bom” e “Excelente”, que estão sujeitas a regime de quotas, com bonificações diferenciadas.

Domingo, 15 de Março de 2009

O país dos palhaços amestrados

Professores dizem estar a virar técnicos informáticos
PEDRO SOUSA TAVARES

Os professores do 1.º ciclo começam a revelar impaciência com as solicitações diárias a que têm de responder devido aos registos, actualizações e rectificações do computador Magalhães. As queixas têm sido muitas, e cresceram após o anúncio de que serão enviadas às escolas pen drives para corrigir os erros de Português detectados num programa.

Uma professora do Agrupamento de Escolas Comandante Conceição e Silva, na Cova da Piedade, contou ao DN que, no seu estabelecimento, "há 1200 alunos, dos quais 900 terão o Magalhães", e "todos os dias aparecem pais a depositar os computadores" à guarda dos docentes.

A presidente deste agrupamento, Maria José Sabrino, confirmou as solicitações, informando que a situação está "sob controlo". Pelo menos para já: "Sobre os erros ainda não nos disseram nada, mas estamos a fazer actualizações de software", contou. "Recorremos a professores das TIC [Tecnologias de Informação], porque os do 1.º ciclo não podem deixar de dar aulas. Vai-se dando conta do recado. Desde que os pais não venham todos ao mesmo tempo..."

Muitas queixas nos sindicatos

Mas segundo Manuel Micaelo, do Sindicato de Professores da Grande Lisboa, já há quem não aguente a situação: "Temos recebido muitas queixas de professores que dizem que lhes está a ser pedido que façam actualizações aos computadores". Aliás, disse, "há queixas desde o início" do projecto 'emblema' do Governo.

"Antes de lhes pedirem que fossem técnicos de informática, algumas direcções regionais fizeram dos professores uma espécie de delegados de propaganda. Encarregaram-nos de recolher dados dos alunos e dos pais e até de usarem os seus próprios números de contribuinte para registarem as encomendas", acusou, lembrando que esta última situação motivou "uma queixa à Comissão Nacional de Protecção de Dados que ainda não teve resposta".

Em Dezembro, houve uma reunião na Direcção Regional de Educação de Lisboa onde os sindicatos receberam garantias de que os professores não eram obrigados a estas tarefas. Mas, na prática, disse Manuel Micaelo, "em 90% dos casos" acabaram por assumi-las.

Oficialmente, o motivo para os Magalhães serem registados nas escolas e não em casa é a prevenção de fraudes. Mas esta mesma lógica não foi seguida com os portáteis do programa "e-escolas", destinados a estudantes do 3.º ciclo ao secundário.

O facto de o famoso portátil azul abranger populações menos familiarizadas com as novas tecnologias - custa entre zero e 50 euros, dependendo do escalão da acção social -, explicará melhor a situação.

Contactado pelo DN, Albino Almeida, da Confederação Nacional das Associações de Pais, defendeu que "se o Magalhães trouxe mais trabalho aos professores, também ajudou a eliminar algumas tarefas, como tirar fotocópias" de documentos que podem agora ser transferidos para os portáteis. Porém, reconheceu que "falta preparação" para lidar com este equipamento. Não só aos professores como a muitas famílias: "Em Abril e Maio vão decorrer formações sobre o Magalhães. E nós temos defendido que elas deveriam também abranger os pais".

Fonte do ministério disse não ter conhecimento de queixas.

A dura vida de professor

Violência escolar
Vinte por cento dos contactos para a Linha SOS Professor relatam agressões físicas
15.03.2009 - 09h46 Lusa

Dois em cada dez contactos feitos desde o início do ano para a Linha SOS Professor relataram agressões físicas e mais de metade agressão verbal, apesar de uma redução significativa do número de chamadas, informou a Associação Nacional de Professores.

Entre 11 de Setembro de 2008 e 28 de Fevereiro deste ano, a Linha SOS Professor recebeu 33 chamadas, em relação às 124 registadas entre 11 de Setembro de 2007 e 28 de Fevereiro de 2008.

“A nossa convicção é que a grande maioria das situações já começa a ser resolvida ao nível das escolas”, interpretou João Grancho, presidente da Associação Nacional de Professores. Os “conselhos executivos estão mais atentos e têm hoje uma resposta muito mais pronta e adequada”, acrescentou.

Das chamadas recebidas, sete professores (21 por cento) relataram agressões físicas e 19 agressões verbais (57,7 por cento). No ano passado, estes valores foram de 30,6 e 52,4 respectivamente.

Episódios de maus relacionamentos (27 por cento) e situações de indisciplina (18 por cento) completam as quatro ocorrências mais denunciadas pelos docentes.

Apenas três professores (nove por cento) apresentaram queixa na PSP ou GNR; contactar o conselho executivo ou o director de turma foi a primeira diligência de 16 professores (48 por cento). “A grande maioria dos professores ainda tem receio de apresentar queixa junto das autoridades”, disse João Grancho.

Lisboa e Porto continuam a ser os distritos onde se registaram mais casos, com 36 e 18 por cento, respectivamente, seguidos de Leiria, com nove por cento.

Os 33 professores que contactaram a Linha SOS Professor desde o arranque do ano lectivo são maioritariamente do sexo feminino (72 por cento) e têm entre 40 e 49 anos (33 por cento).

No total, por nível de ensino, registaram-se mais relatos no ensino secundário e terceiro ciclo, nove por cento em cada.

Esta Linha (808.96.2006) é promovida pela Associação Nacional de Professores em parceria com a Universidade Lusófona e a Liberty Seguros, prestando apoio psicológico, jurídico e de mediação de conflitos, entre outros.

A ética republicana e o Partido Socialista - XII

Ministério da Educação fez a encomenda e tem o resultado esquecido numa sala fechada
Trabalho de João Pedroso é quase só fotocópias de diplomas legais
15.03.2009 - 09h28 José António Cerejo

Meia centena de pastas cheias de fotocópias do Diário da República e de índices dos diplomas fotocopiados é praticamente tudo a que se resume o trabalho pelo qual o Ministério da Educação (ME) pagou cerca de 290 mil euros ao advogado João Pedroso (mais cerca de 20 mil a dois colegas).

Os caixotes de papelão que guardam as pastas encontram-se no chão de uma sala poeirenta, vazia e fechada à chave, do 5.º andar do ministério, encostados a uma parede, sem qualquer uso ou préstimo.

O objectivo dos dois contratos feitos com Pedroso — o ME considerou que o segundo foi cumprido em apenas 50 por cento, razão pela qual lhe pediu, em Novembro, a devolução de 133.100 euros — consistia na “construção de um corpo unificado de regras jurídicas e de normativos harmonizados e sistematizados de Direito da Educação” até ao final de 2007.

De acordo com um comunicado divulgado pelo ME em Novembro desse ano, quando a contratação de Pedroso foi tornada pública, o valor em causa foi calculado em função da “exigência técnica dos trabalhos, complexidade das tarefas, qualidade estipulada e recursos humanos e materiais a alocar às diferentes actividades”.

A escolha daquele jurista, irmão de Paulo Pedroso e dirigente do PS, foi decidida pela ministra da Educação e justificada pelas “condições específicas e únicas” que reunia, e por ser um “especialista na área da Educação”. O Ministério Público está a investigar os contornos desta contratação, assim como a forma como os contratos foram ou não cumpridos.

1500 horas de trabalho

Quem esperasse encontrar o resultado de um complexo e exigente labor jurídico, desenvolvido pela equipa de “mais de 15 juristas” a que alude Pedroso numa carta enviada ao secretário-geral do ME, em Setembro passado, ficaria decerto desiludido ao abrir os caixotes armazenados uns pisos abaixo do gabinete da ministra Maria de Lurdes Rodrigues, na Av. 5 de Outubro. Pasta atrás de pasta, num total de 44, o que se vê são fotocópias de decretos, portarias e outros diplomas sobre assuntos de Educação, desde Outubro de 1986 até Julho de 2007.

A abrir a primeira das várias pastas relativas a cada um destes 22 anos de produção legislativa surge uma listagem impressa com várias dezenas de páginas, onde consta o número, data, autoria e sumário de cada um dos diplomas fotocopiados e ali arquivados.

Nalguns casos aparece também uma breve indicação sobre se o normativo inventariado altera ou revoga algum diploma anterior. Arquivado em mais cinco pastas, para lá das 44 das fotocópias, há depois um índice geral que mais não é do que a reprodução das 22 listagens anuais, acompanhadas de outros tantos CD com as folhas de cálculo Excel onde foram elaboradas.

Até aqui, tudo o que se vê é fruto de um trabalho burocrático que inclusive já constava, em grande parte, das bases de dados, arquivos e bibliotecas do próprio ME. Segundo consta de váriosdocumentos do ministério, contudo, trata-se de um exaustivo e inédito “levantamento da legislação” publicada desde 1986, ano da entrada em vigor da Lei de Bases do Sistema Educativo, com perto de quatro mil registos.

A totalidade destes trabalhos, tanto quanto se pode deduzir dos documentos facultados ao PÚBLICO pelo ME, foi entregue por Pedroso em Fevereiro de 2008, já depois de ter sido integralmente pago e de a sua contratação ter sido divulgada na imprensa. Isto quando o primeiro contrato o obrigava a concluir uma parte do serviço em Junho de 2006 e o segundo terminou em Dezembro de 2007.

Num relatório de progresso com data de 8/6/2007, mas entregue ao ME em 21/2/08 e que foi o único facultado ao PÚBLICO, Pedroso diz que o trabalho foi feito “inicialmente em dedicação exclusiva por sete juristas e posteriormente com o alargamento dessa equipa a 20 pessoas”, com a “colaboração e supervisão de dois especialistas na área da Educação”, que, globalmente, registaram até essa data “mais de 1500 horas de trabalho”.

Além do material armazenado nos caixotes, o ME recebeu também um documento sem data que corresponde a um esboço (draft) de 75 páginas de um Manual de Direito da Educação e que contém um conjunto de generalidades, nomeadamente sobre as fontes do direito, a Lei de Bases e a organização do Sistema Educativo. Quanto ao resto, há mais dois CD com umas chamadas “colectâneas de legislação da Educação”, que não vão além de 242 entradas, uma bibliografia sobre legislação da Educação com 69 entradas, um inventário de teses de mestrado e doutoramento sobre Educação e um índice geral de diplomas publicados.

Particularmente volumoso, este índice, em Excel, ultrapassa as 450 páginas, sendo que mais de dois terços se referem ao período já coberto pelo índice 1986-2007. No período 1820-1900 são listados 29 diplomas, enquanto entre 1900 e 1974 são enumerados perto de 500 e de 1974 a 1986 aparecem cerca de 900.

Contactados pelo PÚBLICO, tanto o gabinete da ministra como João Pedroso recusaram prestar quaisquer esclarecimentos. Apresentados pelo ME como sendo a totalidade dos trabalhos e relatórios entregues por Pedroso, os documentos cuja consulta foi autorizada ao PÚBLICO não incluem o relatório que alegadamente foi entregue à ministra por Pedroso no final da primeira fase dos trabalhos e que fundamentou a decisão de o contratar para a segunda (266.200 euros).

Sábado, 14 de Março de 2009

Demagogia, mentiras e populismo

exp14mar09

Notícia completa aqui.

Lá está: a ideia não é má, a execução eleitoralista e demagógica é que tem estragado tudo. Mais valia terem feito as coisas com tempo, ponderação e a devida preparação dos conteúdos e da formação dos docentes.

Demorava 2 anos - pelo menos - mas era algo bem feito.
Sem ser apenas a pensar nas eleições.

O que está em causa é a promoção da Educação do país ou a renovação do Governo de um partido?

in Blog A Educação do meu Umbigo - post de Paulo Guinote

A insegurança de uma Ministra ao tratar da "Escola Segura"

'Superpolícia' exclui dados da Escola Segura
VALENTINA MARCELINO

Segurança. Depois de ontem o DN ter divulgado os dados oficiais dos crimes em 2008, o secretário-geral de Segurança Interna decidiu acelerar a entrega do relatório ao Parlamento e não vai esperar pelos dados da Educação sobre violência nas escolas

O secretário-geral do Sistema de Segurança Interna vai excluir do Relatório Anual que contém os dados da crimi- nalidade de 2008, as estatísticas da violência escolar, da responsabilidade do Ministério da Educação (ME). O DN soube que o juiz-conselheiro Mário Mendes se terá cansado de esperar pelos dados que o gabinete de Maria de Lurdes Rodrigues já devia ter entregue no final do ano passado (como aconteceu em 2007).

Nesse ano, o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) teve um capítulo dedicado à "Escola Segura", onde se juntaram os números registados pela Educação, de casos ocorridos no interior das escolas, com os das Forças de Segurança, que tinham os crimes no espaço exterior.

Este ano, contudo, sem que a Educação tivesse apresentado qualquer motivo, estas estatísticas não foram ainda divulgadas.

Recorde-se que, em 2007, o ME criou uma Unidade de Missão e um Observatório para a violência escolar. No final desse ano, Maria de Lurdes Rodrigues esteve ao lado do ministro da Administração Interna, Rui Pereira, a apresentar resultados. Positivos, por sinal: uma diminuição de 35% em relação a 2006 de casos de violência nas escolas.

O DN já pediu em diversas ocasiões, ao porta-voz do ME esclarecimentos sobre a situação, mas não obteve resposta. Esteve marcada para segunda-feira passada, uma reunião entre representantes dos dois ministérios, para juntar as estatísticas relativas ao ano lectivo de 2007/2008 mas foi adiada uma semana.

A próxima segunda-feira deverá, assim, ser tarde demais e Mário Mendes vai incluir do documento final apenas os dados da PSP e da GNR. Isto porque o "superpolícia" pretende apresentar logo na terça-feira, o RASI ao Gabinete Coordenador Segurança. De seguida, serão os membros do Conselho Superior de Segurança Interna a conhecer em detalhe a evolução da criminalidade de 2008. O mais tardar, no início da próxima semana, será a vez dos deputados receberem o documento e ouvirem as explicações do Governo.

Sermão de Maria de Lurdes (em magalhanês) aos Deputados

dn14mar09

Diário de Notícias, 14 de Março de 2009

Humor magalhanês

“Como houveram protestos"

Hoje várias pessoas me perguntaram se tinha ouvido a crónica de "Dona Rosete", que passou na rádio, na TSF. Não a ouvi, mas a curiosidade levou-me a lê-a, e não resisto partilhá-la directamente, “sem links”, com os nossos leitores (peço desculpa pela liberdade que tomei ao mudar o título). Obrigada Maria Rueff e equipa pelo bom humor.

"As pessoas, também, quando é para maçar, não deslargam um indivíduo. Estava o engenheiro Sócrates a pensar que mais nada lhe podia acontecer, e lá se puseram a implicar outra vez com o Governo, agora porque o Magalhães, o computador, dá erros de português. E eu pergunto: ó senhores, mas errar não é humano? Então se é humano, isso só prova como o Magalhães é um computador ultra-avançado! A sério – olhando para estes erros que agora foram divulgados, parece-me que o Magalhães está mesmo a um passinho de fazer coisas nunca vistas num computador como... escarrar no chão, por exemplo!“Erros, erros”... Ó senhores, não percebem que o facto do Magalhães falar mal é para o aproximar da petizada, que cada vez fala e escreve pior? Aquilo faz tudo parte de um plano. Se as coisas estivessem bem escritas, como é que a rapaziada percebia o que é que a maquineta queria? O Magalhães é o primeiro computador que fala a língua da juventude, estão a compreender? Por isso é que em vez de “jogaste”, tudo junto, ele diz “jogas”, tracinho, “te”. E em vez de “gostaste”, ele diz “gostas”, tracinho, “te”.

Diz que o Magalhães diz lá, a certa altura, “neste processador, podes escrever a texto que quiseres”. Isto de falar de uma coisa masculina como se fosse feminina – “a texto” – é uma coisa que eu, até agora, só tinha ouvido na boca de uma pessoa: a mulher-a-dias ucraniana dos senhores do terceiro direito, lá do meu prédio. O que mostra como o Magalhães não só fala a língua da juventude, mas também a dos imigrantes que escolheram o nosso país como a terra das oportunidades. E é! Olha, uma coisa em que eles podem trabalhar agora cá, é a fazer correctores ortográficos para o Magalhães! Tenho a sensação que se abriu aí um nicho de emprego, com esta linguagem, vamos chamar-lhe, universal que o nosso Magalhães fala agora.

O computador ainda diz, por exemplo, e a respeito ainda dos textos, que se o petiz que o estiver a usar, estiver a escrever um texto, pode “gravar-lo e continuar-lo mais tarde”. Eu acho que isto não é erro; isto soa-me é a português antigo. O que faz sentido – o computador tem o nome de um navegador dos Descobrimentos e fala como ele!

O Ministério da Educação, perante tanto dedo espetado na direcção dele, lá emitiu um pedido de desculpas. Aliás, eu trouxe-o aqui, posso lê-lo. Diz assim: “Como houveram protestos, o Munistério pede desculpas ao pessoal a quem isto trusse sarilhos. Deve de ter sido munto prujudicial. Obrigadinhas.”

Publicado em:
http://tsf.sapo.pt/blogs/donarosete/archive/2009/03/12/erros-do-magalh-227-es.aspx

Segunda-feira, 9 de Março de 2009

O Mistério da Estrelinha Curiosa - currículo da autora

Do Blog AstroLeiria publicamos uma adaptação do seguinte post:


Aqui fica a capa do livro "O Mistério da Estrelinha Curiosa", que a nossa colega de movimento e Educadora de Infância Leonor Lourenço vai mostrar na Livraria Arquivo (em Leiria) no próximo domingo, dia 15 de Março de 2009, pelas 15.00 horas (com a apresentação do Doutor Luís Filipe Barbeiro - ESEC/IPL), conforme por nós aqui anteriormente referido.

E, já agora, um breve resumo do CV da autora:
Leonor Lourenço vive em Leiria. É Educadora de Infância há 25 anos e Mestre em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto.

Iniciou a sua actividade literária na Revista Rua Sésamo.

Participou em dobragens de desenhos animados para a RTP (Estúdios SomNorte) onde emprestou a voz a diversas personagens.

Frequentou um curso de Ilustração/Banda Desenhada no Centro no Centro de Arte e Comunicação Visual em Lisboa (Ar.Co) e diversos workshops sobre ilustração.

Recebeu o primeiro prémio do concurso literário “Sussurrar uma história” promovido pela Livraria Arquivo em Leiria, com o trabalho “Em Alto Mar”.

A ética republicana e o Partido Socialista - XI

Estado do Sítio
Estado de Sócrates
09 Março 2009

O ainda chamado Partido Socialista completou ontem o espectáculo iniciado há uma semana em Espinho com a eleição da Comissão Política e do Secretariado Nacional. Como se esperava, o órgão máximo é completamente dominado por fiéis do grande líder. O partido do Largo do Rato, que o secretário-geral diz ser de esquerda, moderado, democrático e popular, sem que ninguém lhe pergunte o que é que tudo isto quer dizer, instalou-se no Estado e nos negócios de uma forma invulgar nesta democracia com 34 anos.

Tudo gira à volta do grande líder, que não se engana e manifestamente não tem quaisquer dúvidas sobre o que anda a fazer neste sítio cada vez mais pobre, muito manhoso, hipócrita quanto baste, deprimido e cada vez mais mal frequentado. As vozes críticas são excepções não só no partido do senhor engenheiro como na sociedade civil.

Os militantes procuram não desagradar ao chefe, que lhes dá lugares em tudo o que é administração pública e nas listas para as eleições que aí vêm, e os empresários gravitam à volta do senhor presidente do Conselho porque sabem que os negócios são todos decididos em São Bento, com ou sem concursos públicos, e quem desagradar ao chefe corre o risco de ficar fora da lista dos privilegiados. O grande líder não ouve ninguém, só ele tem ideias para resistir à crise, é o pai e a mãe dos indígenas, das famílias e das empresas.

No meio deste deserto de princípios e de coragem aparecem, uma vez por outra, alguns corajosos que ousam pôr o dedo na ferida e dizer que o rei vai nu. Belmiro de Azevedo é um deles. O outro é Alexandre Soares dos Santos, dono da Jerónimo Martins, que já afirmou que a demagogia irresponsável do grande líder estava a agravar a tremenda crise do sítio e que esta semana voltou ao ataque quando disse que o senhor presidente do Conselho está cansado, mal assessorado e obcecado por Francisco Louçã e o seu Bloco de Esquerda. Alexandre Soares dos Santos disse mais.

Numa altura em que o desemprego dispara e lança milhares de pessoas no desespero, o empresário não percebe por que é que o Governo não ouve nem discute medidas concretas de defesa do emprego com as empresas e seus gestores. Alexandre Soares dos Santos não percebe. Ou melhor, percebe bem de mais. Como vão percebendo muitos portugueses. O Partido Socialista assaltou o Estado de uma forma nunca vista e usa os dinheiros públicos para comprar apoios e castigar quem ousa pôr em causa o grande líder.

António Ribeiro Ferreira, Jornalista (in CM)

Domingo, 8 de Março de 2009

Música adequada ao dia

Hoje é o Dia da Mulher - recordemos esta data, que é importante para a esmagadora maioria dos docentes portugueses, com uma canção:

Deolinda - Clandestino



A noite vinha fria,
negras sombras a rondavam...
Era meia-noite
e o meu amor tardava...
A nossa casa, a nossa vida,
foi de novo revirada:
À meia-noite
o meu amor não estava.

Ai, eu não sei onde ele está,
se à nossa casa voltará,
foi esse o nosso compromisso!
E, acaso nos tocar o azar,
o combinado é não esperar
que o nosso amor é clandestino.

Com o bebé, escondida,
quis lá eu saber, esperei.
Era meia-noite
e o meu amor tardava...
E, arranhada pelas silvas,
sei lá eu o que desejei...
Não voltar nunca,
amantes, outra casa!

E quando ele, por fim, chegou,
trazia as flores que apanhou
e um brinquedo pró menino.
E quando a guarda apontou
fui eu quem o abraçou!
Que o nosso amor é clandestino.

Episódios da desacreditação técnica e política desta equipa ministerial e deste Governo: esta avaliação do desempenho não é séria

"Falemos da minha escola (...).
Dois docentes de EF (um do 2º ciclo outro do 3º) entregaram os OIs e pediram avaliação na componente científico-pedagógica. Ora, não havendo na escola nenhum docente titular nem sequer docente do quadro de escola do grupo de recrutamento destes dois, foram NOMEADOS avaliadores dos colegas dois docentes dos respectivos grupos de recrutamento, do 5º e 6º escalões (da antiga estrutura)!
Em resumo: dois professores do quadro de zona pedagógica do 5º e 6º escalões vão ser equiparados a titular durante o período de avaliação, vão auferir vencimentos como se de titulares se tratasse, ficam libertos da avaliação e ainda se podem candidatar às menções Muito Bom e Excelente!
Ora diz lá se não vale a pena haver nas escolas professores a entregarem OIs e a exigirem aulas assistidas???
Viva o oportunismo!"

PROmova dixit:
Este relato (professor e escola devidamente identificados) é, absolutamente, escandaloso e deve ser objecto da mais ampla divulgação pública, pois exprime uma situação que tem, tanto de caricato, como de absurdo e de indigno.
O que está a acontecer nesta escola é bem a prova da acusação que temos vindo a fazer, de acordo com a qual este modelo de avaliação, além de inconsistente e injusto nos seus fundamentos, não goza de credibilidade e de seriedade.
É uma completa leviandade e irresponsabilidade desta equipa ministerial e deste Governo entregar a avaliação do desempenho dos professores (com repercussões nas suas colocações e nas suas carreiras) à casuística e à arbitrariedade de pessoas, cuja preparação e adequação para avaliar não foram objecto de rigoroso escrutínio, nem de formação, além de que nem a experiência da docência se verifica.
Nesta situação, nem sequer a farsa do concurso de acesso a professor titular pode ser invocada, pois trata-se de algo ainda mais grave, isto é, avaliadores pertencentes aos 5º e 6º escalões antigos (pasme-se!!!).
Os professores e as escolas não estão dispostos a brincar às avaliações, nem se deixarão envolver em processos de "faz de conta" que está implementada uma avaliação do desempenho.
À semelhança do que ocorreu com a lotaria dos titulares, cujos desempenhos de cargos não foram avaliados, da avaliação que as estruturas do ME (não) fizeram do software educativo que distribuíram às crianças, também nesta situação prevalece a falta de exigência e seriedade.
São estes os exemplos de avaliação que constituem o desígnio deste Governo?
Em matéria de rigor e credibilidade estamos entendidos!

in Blog do PROmova

That's one small step for man; one giant leap for mankind

Após protesto de hoje de 10 mil professores
Grupo parlamentar do PS admite que algumas medidas de política educativa do Governo "não correram muito bem"
07.03.2009 - 21h30 Lusa

O Grupo Parlamentar do PS admitiu hoje que algumas medidas da actual política educativa "não correram muito bem", apelando aos sindicatos para que respondam ao "esforço de revisão de decisões" do Governo com uma maior "maleabilidade".

"Verificou-se que em alguns aspectos não houve entendimento e o Governo fez algumas alterações, mas não é preciso fazer nenhum acto de inteligência superior para perceber que há, de facto, coisas que não correram bem", disse aos jornalistas o deputado Luiz Fagundes Duarte, da Comissão de Educação do partido, depois de uma reunião com representantes da plataforma sindical, na sequência do cordão humano concretizado hoje por docentes no centro de Lisboa.

Sem "deixar de parte os princípios programáticos" do PS, Luíz Duarte apontou o modelo de avaliação de professores como um exemplo, devido ao "mal-estar" e às manifestações que têm ocorrido em torno da questão, justificando as suas afirmações com os contactos estabelecidos com a comunidade escolar.

Apesar de admitir a alguma "crispação" e a necessidade de os responsáveis políticos serem "humildes" para reconhecer as lacunas, o representante defendeu que tem de haver "bom-senso" de ambas as partes, em defesa do interesse da escola pública e, em particular, dos alunos.

Aos sindicatos, Luiz Duarte pediu que sejam "um pouco mais versáteis", como resposta aos sinais, dados "desde sempre" pelo executivo central, de adaptação e revisão da política educativa.

"Se o Governo tem feito um esforço de revisão das suas decisões para ir ao encontro das exigências dos professores, esse gesto deve ser entendido como devendo ter contrapartida", defendeu.

O deputado socialista negou ainda qualquer relação entre os avanços e recuos do processo de negociação com os professores e a proximidade de eleições legislativas, alegando que se o PS tivesse objectivos eleitoralistas eles teriam sido tomados há três anos, já que o debate em questão envolve decisões com consequências a médio e longo prazo.

Também os grupos parlamentares dos restantes partidos estiveram hoje reunidos com delegações sindicais na Assembleia da República e todos fizeram um balanço positivo do encontro, apesar de já conhecerem os problemas em causa.

No final, o PSD mostrou-se preocupado com os efeitos da falta de respostas às "lutas" dos professores, que, segundo o partido, tem afectado sobretudo os alunos e o próprio funcionamento das aulas.

"Aquilo que nos preocupa em todo este contencioso é a qualidade. O que mais está abalado é a qualidade", disse o deputado Ribeiro Cristóvão, acrescentando que o processo de discussão "já vai longe demais".

De acordo com Ribeiro Cristóvão, a comissão educativa do grupo parlamentar social-democrata não obteve qualquer resposta ao pedido de esclarecimentos enviado há meses à ministra da Educação, sabendo apenas que Maria de Lurdes Rodrigues enviou a direcções-regionais de educação uma carta dizendo que "a lei era para cumprir".

Da parte do PCP, Bernardino Soares criticou o "desrespito pelas opiniões" dos professores e a "falta de abertura" da tutela e lamentou o "muro de criado pela política educativa do executivo de Sócrates.

Já a deputada bloquista Ana Drago classificou o processo de negociações entre o ministério e a classe docente como uma "palhaçada", uma vez que, à capacidade de resistência dos profissionais se têm oposto a "teimosia" de Maria de Lurdes Rodrigues.

Pedro Mota Soares, que falou em nome do CDS-PP, explicou que o partido é a favor da existência de uma avaliação de professores, desde que não inclua as "burocracias" e os "itens ridículos", como a consideração das notas dos alunos, actualmente aplicados.

Por isso, o deputado garantiu que, se o Governo prosseguir no mesmo caminho, que desautoriza os docentes, não pode contar com o partido.

Da bancada de Os Verdes, Heloísa Apolónia disse que o estatuto da carreira docente é "profundamente injusto" e que o modelo de avaliação proposto tem como objectivo fazer com que não se progrida na carreira, de modo a "poupar dinheiro ao Estado".

O triste caso do vendedor de computadores marados

(Imagem daqui - tem erros porque foi escrita em Magalhanês - novilíngua inventada por Margarida Moreira, Valter Lemos e José Sócrates)
Os poucos erros detectáveis

Soubemos, através do Semanário Expresso de hoje, que uma “aplicação” instalada no “Magalhães” está repleta de erros de Português a que se somam instruções absurdas. Vale a pena ver a sua sistematização aqui.

O facto de se tratar duma “aplicação” para os primeiros anos de escolaridade, torna a circunstância especialmente gravosa, porquanto se sabe que as crianças não devem ser expostas a erros de ortografia e de gramática quando se iniciam na leitura e na escrita, dado que tais erros perturbam a aquisição e consolidação das regras que estão subjacentes a essas aprendizagens.

Ouvido o secretário de Estado Jorge Pedreira a propósito do assunto, afirmou: “Uma coisa é certa: não é pelo facto de um programa de jogo didáctico ter erros, que isso diminui, em alguma coisa, a utilidade e a importância do projecto do computador Magalhães”.

O senhor secretário de Estado está profundamente enganado: um equipamento e/ou suporte educativo (computador, manual, quadro preto, quadro interactivo…) não valem por si. A sua utilidade e importância advêm das aplicações, dos conteúdos que nele se incluírem, os quais devem ser intocáveis do ponto de vista científico e pedagógico-didáctico.

A esta nota acrescento outra ainda mais preocupante: os erros anunciados pelo Expresso e de que toda a gente fala, apesar da sua seriedade, são, infelizmente, os poucos que poderemos detectar no “Magalhães”, pois em tudo o resto que ele contiver não conseguiremos perceber correcções ou incorrecções. E isto porque:

1. Não se fundamentou o uso do computador em causa em qualquer teoria de aprendizagem. E, devia ter-se fundamentado;
2. Em sequência, não foi delineado qualquer modelo e estratégia de ensino para orientação dos professores. E, devia ter sido;
3. Assim sendo, os “conteúdos” já disponibilizados ou a disponibilizar decorrem do puro acaso. E, não deviam decorrer.

Post da pedagoga Helena Damião - Blog De Rerum Natura

Sábado, 7 de Março de 2009

Press release dos representantes dos 212 PCE rcebidos pela Comissão de Educação da AR

No dia 4 de Março, quarta-feira, a Comissão Parlamentar de Educação e Ciência recebeu uma delegação de Presidentes de Conselhos Executivos, representantes dos 212 que se reuniram em Coimbra no dia 7 de Fevereiro. Na sequência desta reunião, o Ministério da Educação fez uma nota à imprensa onde, uma vez mais, não se esclarecem as questões que foram colocadas à Comissão Parlamentar, particularmente as que se prendem com ambiguidades e omissões que decorrem da legislação que sustenta o actual processo de avaliação.

A verdade é que uma visão tão redutora e quase caricatural da nossa postura e da nossa iniciativa não pode deixar de provocar estranheza a quem participou na sessão ; não nos revemos na descrição simplista e redutora dos argumentos utilizados. As questões que levantámos – e levantamos ainda, porque permanecem sem resposta – não advêm de quem não leu a lei ou os esclarecimentos emitidos, ou de quem, tendo lido, não entendeu, como no texto se insinua. Não fomos ao Parlamento colocar “algumas dúvidas”, fomos, pelo contrário, questionar algumas das “1600 respostas” já dadas pela DGRHE, uma vez que essas respostas estão a induzir em erro muitos docentes e muitas escolas, apontando caminhos que violam claramente a lei, e que instalam a desigualdade da sua aplicação por todo o país, sobretudo no que diz respeito a toda a problemática da entrega dos Objectivos Individuais. Aliás, estas mesmas questões tinham sido, em devido tempo, comunicadas de viva voz à Srª Ministra, sem que produzissem qualquer tomada de posição da sua parte.

Qual foi então o teor das intervenções efectuadas durante a reunião de ontem, dia 4 de Março de 2009, no Palácio de São Bento?

Na presença de deputados de todos os grupos parlamentares, tivemos oportunidade de expor as nossas opiniões e posições sobre o actual modelo de Avaliação de Desempenho Docente, em geral, e sobre a questão dos Objectivos Individuais, em particular. Foram relatadas situações concretas e díspares que estão a acontecer em diversas escolas, resultantes das ambiguidades que a própria legislação sobre a matéria em apreço encerra e promove.

Confrontámos os senhores deputados com uma comunicação electrónica emitida pela DGRHE sobre “entrega de Objectivos Individuais”, produzida imediatamente após a nossa reunião de Coimbra, onde se pode ler aquilo que, na nossa opinião, é mais um exemplo de um conjunto de interpretações ambíguas e mesmo erróneas de alguns pontos do Decreto Regulamentar nº2/2008, de 10 de Janeiro. Para demonstrar isto que afirmamos, entregámos aos presentes um texto onde se desmonta essa interpretação.

Foi particularmente gratificante, para nós, o termos constatado que os Senhores Deputados, independentemente do partido político que representam, nos felicitaram por aquilo a que chamaram “atitude de empenho cívico” na defesa das nossas convicções e, no limite, na defesa inequívoca da Escola Pública. Fizeram-se várias referências ao clima de instabilidade, de conflitualidade e, até mesmo, de intimidação que se vive nas escolas, criado por este modelo de ADD e pela informação pouco clara e nada fundamentada que circula sobre a entrega dos objectivos individuais. A propósito da falta de informação clara e suficiente sobre esta matéria, deu-se ainda como exemplo a avaliação dos Presidentes e Vice-presidentes a ser feita pelo SIADAP, o que é mais um mau exemplo do trabalho que o Ministério está a fazer em termos de avaliação de docentes. A informação e as regras são frequentemente mudadas a meio do processo, tornando-o pouco transparente e, decerto, nada pedagógico…

Não terminou a sessão sem que reafirmássemos a nossa intenção de avaliar, à luz do quadro legal em vigor, todos os colegas que entreguem a sua auto-avaliação, quer tenham apresentado ou não os objectivos individuais. Quem os entregou fará referência, em sede de auto-avaliação, aos seus próprios objectivos, quem não o fez fará referência aos objectivos do Projecto Educativo e do Plano Anual de Actividades da respectiva escola.

O balanço da reunião parece-nos claramente positivo, uma vez que a generalidade dos deputados teve uma reacção muito positiva e amistosa em relação à nossa presença, tendo demonstrado apoio e reconhecimento à nossa iniciativa como movimento independente que discute educação e defende os interesses da escola pública portuguesa. Ficamos com a sensação que as nossas intervenções foram registadas com interesse para próximas interpelações à tutela. O Presidente da Comissão Parlamentar mostrou-se disponível e interessado em receber, no futuro, documentos ou delegações que este movimento queira apresentar à comissão a que preside.

Entretanto, com o objectivo de manifestarmos as nossas preocupações, foi pedida uma audiência ao Sr. Presidente do Conselho Nacional de Educação.

Em nome dos Presidentes dos Conselhos Executivos presentes:

Pedro Araújo

(PCE da Esc. Sec. de Felgueiras)

Eu sou do tempo em que no Ministério da Educação praticamente não se falava e escrevia em português...

Paulo Portas acusa Margarida Moreira
Educação: Directora regional não sabe escrever
07 Março 2009 - 18h34

Paulo Portas acusou este sábado a directora regional de Educação do Norte de não saber escrever, dando como exemplo um e-mail enviado por Margarida Moreira. Para o líder do CDS-PP, este trata-se de mais um caso a juntar-se aos erros de português do portátil Magalhães.

“Ainda bem que foram denunciados (os erros de português do Magalhães) e só podem ser rapidamente corrigidos mas já se vai tornando prática habitual, eu chamo a vossa atenção para um e-mail da senhora directora regional da Educação, de 17 Fevereiro, recomendo-vos a leitura e digam-me se tem alguma coisa a ver com a língua de Luís de Camões”, afirmou hoje Paulo Portas.

“Quando uma directora regional que tem a obrigação de se relacionar com milhares de escolas, que tem a tutela de dezenas de milhares de professores não sabe escrever português, como se pode pedir depois aos jovens que saibam escrever, ler e entender correctamente a língua de Camões”, questionou Paulo Portas.

O líder dos democratas-cristãos referia-se a um e-mail enviado por Margarida Moreira à presidente do conselho executivo agrupamento de escolas Território Educativo de Coura, no qual a directora regional escreve: “Sendo certo que muitos docentes não se aceitam o uso dos alunos nesta atitude inaceitável, acompanharemos de muito perto a defesa do bom nome da escola, dos professores, dos alunos e de toda uma população que muito tem orgulhado o nosso país pela valorização que à escola tem dado”.

Notícia do Correio da Manhã


Ministério manda retirar jogos
'Magalhães' com erros de Português
07 Março 2009 - 13h20


Os jogos instalados no computador ‘Magalhães’ estão repletos de erros ortográficos, palavras inventadas, frases mal construídas e gralhas que impossibilitam a compreensão do ‘bom português’. A denúncia foi feita pelo deputado independente José Paulo Carvalho, que após a constatação dos erros, entregou um requerimento na Assembleia da República, questionando a ministra da Educação sobre os erros.

Nas instruções dos jogos ‘educativos’ são abundantes as palavras sem acento (“historia”, “sitio”) ou palavras com acentos onde não deviam (“básicamente”) e os verbos mal conjugados, como é o caso da frase: “neste processador podes escrever o texto que quiseres, gravar-lo e continuar-lo mais tarde”.

Desde 23 de Setembro de 2008 o portátil já foi entregue a mais de 200 mil crianças (150 mil ainda esperam por um exemplar) e oferecido aos chefes de Estado dos 22 países presentes na última cimeira Ibero-americana.

Confrontado com a situação, o Ministério da Educação vai solicitar a todas as escolas que o software seja retirado dos computadores, assim como pediu à JP Sá Couto, a empresa fabricante, que as próximas edições dos portáteis não incluam estes jogos. Em relação aos computadores já distribuídos, a Direcção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular concebeu um manual de instruções que permitirá a desinstalação de imediato.

Segundo Teresa Evaristo, subdirectora da DGIDC, organismo do ME responsável pela análise do software, a preocupação recaiu na análise do “interesse educativo, se são adequados à idade, programa e currículo”. “Tivemos a preocupação de ver os menus iniciais deste programa, mas não vimos as instruções (onde estão os erros)”, referiu.

O secretário de Estado Adjunto da Educação, Jorge Pedreira, mostrou-se surpreendido com os erros no ‘Magalhães’. No entanto, garantiu que “não é pelo facto de um programa de jogo didáctico ter erros, que diminui, em alguma coisa, a utilidade e a importância do projecto do computador ‘Magalhães’”.


Apresentação do livro "O Mistério da Estrelinha Curiosa"

Post adaptado de um do Blog AstroLeiria:


A nossa colega do movimento e educadora Leonor Lourenço vai fazer o lançamento na Livraria Arquivo (em Leiria) no próximo domingo, dia 15 de Março de 2009, pelas 15.00 horas (com a apresentação a cargo do Doutor Luís Filipe Barbeiro, docente na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria) do seu livro "O Mistério da Estrelinha Curiosa", publicado pela Soregra Editores.

É bom saber, neste Ano Internacional da Astronomia, que há uma autora que consegue aliar tão habilmente a ciência e o conto infantil... Como li antecipadamente este livro infantil excelentemente ilustrado e ainda melhor escrito, recomendo vivamente a sua aquisição - eu lá estarei, para que o meu exemplar seja autografado pela autora...!

Comparece - a entrada é livre!

Estes tristes tempos

As pessoas sensíveis

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra

"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão".

Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito

Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.

in Livro Sexto
(1962) - Sophia de Mello Breyner Andresen

Quinta-feira, 5 de Março de 2009

A avaliação dos docentes e o triste caso de deputado que não era cego

Para esclarecer consequências da não entrega de objectivos individuais
Ministra da Educação chamada ao Parlamento
04 Março 2009 - 18h50

A Ministra da Educação vai ter de prestar explicações na Comissão de Educação e Ciência (CEC) da Assembleia da República sobre as consequências para os professores da não entrega dos objectivos individuais, no âmbito da avaliação de desempenho.

O PSD propôs hoje à comissão que Maria de Lurdes Rodrigues seja chamada e já fez saber que se o PS inviabilizar esse pedido a presença da ministra será imposta, através do agendamento potestativo. Terça-feira a CEC volta a reunir e nessa altura saber-se-á qual a posição do PS.

O anúncio, feito pelo deputado do PSD Pedro Duarte, surgiu durante a audição na CEC de representantes de movimentos independentes de professores e de 212 presidentes de conselhos executivos, que apelaram a uma clarificação por parte do Governo. 'Neste momento está instalada a arbitrariedade nas escolas', denunciou Octávio Gonçalves, do movimento Promova.

A 17 de Fevereiro, a CEC deliberou, por unanimidade, questionar por escrito a ministra sobre as consequências legais e disciplinares da não entrega dos objectivos, mas até ontem a resposta não tinha chegado. António José Seguro, presidente da CEC, explicou que 'o prazo regimental é de 30 dias' com Pedro Duarte a considerar a demora 'inaceitável num Estado de Direito Democrático'. 'Devia responder em duas horas. Ou a ministra não sabe a resposta ou sabe e não diz para manter a ameaça no ar', disse o deputado social-democrata, considerando que 'está instalado nas escolas um clima de pântano em que não se sabe a regras do jogo'. Duarte revelou que 'nestes quatro anos nunca o PSD teve uma reunião com o Ministério da Educação', considerando que 'seria positivo haver consensos em matérias que mexem com a vida de muita gente como o Estatuto da Carreira Docente': 'Se o PSD ganhar as eleições terá de alterar o estatuto e depois vem o PS e muda outra vez, uma matéria não pode andar ao sabor da alternância política'.

Contactado pelo CM, Rui Nunes, assessor do Ministério da Educação, garantiu que a pergunta 'será respondida dentro do prazo'.

Recorde-se que dia 3 de Fevereiro Lurdes Rodrigues esteve na CEC mas escusou-se sempre a responder aos deputados e aos jornalistas sobre as consequências da não entrega dos objectivos, afirmando apenas que 'as consequências estão estabelecidas nos decretos-lei e decretos-regulamentares'.

Para Isabel Legué, presidente do conselho executivo da Escola Rainha Dona Amélia, em Lisboa, 'quando a lei é clara não temos dúvidas mas as ambiguidades e omissões desta dão azo a todo o tipo de aplicações diferentes'.

Os movimentos de professores (APEDE, MUP e Promova) apelaram ainda aos deputados para apresentarem ao Tribunal Constitucional um pedido de fiscalização abstracta e sucessiva da constitucionalidade dos decretos que regulam a avaliação de desempenho, mas nenhum dos partidos se comprometeu nesse sentido. Ricardo Silva (APEDE) pediu ainda para o Governo esclarecer o que sucede a quem não entrega a ficha de auto-avaliação, fase posterior do processo. 'Eu e outros colegas estamos dispostos a resistir até ao limite. Já me congelaram três anos e estou disposto a perder mais dois mas quero saber se posso ser despedido por não fazer a auto-avaliação', disse.

O deputado do PS Luís Fagundes Duarte admitiu que há problemas com o modelo de avaliação. 'Embora seja deputado do PS não sou cego. Não é preciso ser muito inteligente para perceber que alguma coisa não está a correr bem', disse.


in CM - ler notícia



PS (de Post-Scriptum...): ALGUMA COISA, SENHOR DEPUTADO? ALGUMA COISA? Deus nos ajude quando os nossos representantes, os derradeiros defensores da Democracia e do Estado de Direito, chegam a este ponto.

Quarta-feira, 4 de Março de 2009

Sobre a famosa Directora Regional da Educação do Norte e outras tonterias anti-democráticas

Já é tempo de a drenar

Com a devida vénia transcrevemos a crónica de Santana Castilho no "Público" de hoje:

Penso ter sido Tolstoi que disse ser a liberdade uma consequência, que não um fim, e que não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade.

No Carnaval que passou aconteceram coisas bizarras, que mostram quão longe estamos de ser uma sociedade livre e uma democracia adulta. Recordemos: uma directora famosa calcou com a bota cardada do poder uma decisão legítima do Conselho Pedagógico do Agrupamento de Escolas de Paredes de Coura; uma procuradora zelosa censurou, rápida, a sátira que desagradou a um cidadão beato; e um corajoso golpe de mão de polícias incultos apreendeu livros, como outrora. Tudo em nome dos bons costumes e a bem da nação. Ora a grotesca ousadia destes pequenos chefes só é possível porque o grande chefe encoraja laboriosamente o "quero, posso e mando". E é isso que tornou o caricato sério e deve mobilizar a nossa atenção.

O plano de actividades das escolas é um projecto sujeito a alterações. Tem carácter previsível, que não taxativo. Serve de orientação da acção pedagógica, a qual pode e deve ser corrigida em função da avaliação continuada do Conselho Pedagógico. Porque o órgão próprio decidiu suspender o desfile carnavalesco dos alunos nas ruas e alguns pais não gostaram, a excelsa dona da DREN (Direcção Regional de Educação do Norte) não hesitou. Puxou pela cabeça e proibiu a presidente do Conselho Executivo de prestar declarações à comunicação social. Puxou pela autoridade e enviou para a escola, primeiro uma, depois outra, duas falanges de intimidação (onze agentes, no total). Puxou finalmente pela pena e, no inenarrável estilo literário que lhe conhecemos, escreveu este belo naco de prosa de "novas oportunidades":

"A confirmarem-se as notícias vindas a público sobre a suspensão de actividades previstas no Projecto Educativo e no Plano de Actividades dessa Escola, e na salvaguarda primeira das obrigações da escola - cumprir a sua missão de processos de socialização e de aprendizagem para os alunos, razão central porque definiu as actividades de Carnaval nos documentos de acção educativa anteriormente referidos.
Tomando por base estes pressupostos, determino:
...
3. Sendo certo que muitos docentes não se aceitam o uso dos alunos nesta atitude inaceitável, ..."

A insigne directora sentiu-se certamente uma grande chefe e educadora quando viu os seus subordinados professores, amordaçados e algemados, acompanharem os alunos na mais importante actividade educativa do ano: o desfile carnavalesco pelas ruas da urbe.

Esta chefe é a chefe durona que tentou meter nos eixos o professor Charrua, quando ousou dizer "uma graça sobre o primeiro-ministro de Portugal". Esta chefe é a chefe generosa que viu uma simples "brincadeira de mau gosto" no aluno que, em plena aula, apontou uma pistola de plástico à cabeça da professora. Esta chefe é a chefe erudita que, a propósito do Magalhães, nos legou mais este lanço antológico:

"... 3. Em Janeiro, deverá ser marcado um dia em que as crianças devem trazer os Magalhães, para iniciar o trabalho casa-escola.
4. O pagamento dos Magalhães, nos casos em que a isso os pais sejam obrigados, estão a receber informação por sms devendo, em todas, constar a entidade 11023; ..."

Esta chefe é a chefe disciplinadora que se ufanou, ao Diário de Notícias, de já ter instaurado 778 processos disciplinares.

Esta chefe é a chefe documentalista que me vai fichar porque hoje a trouxe à crónica. Esta chefe está a um passo da comenda, eu sei. Mas já é tempo de a DRENar.

Santana Castilho, Professor do ensino superior

A ética republicana e o Partido Socialista - X


Crónica indecente


O"Diário Económico" noticiou ontem que a PJ e o Ministério Público fizeram buscas nas instalações do ME relacionadas com o negócio do Ministério de Maria de Lurdes Rodrigues com João Pedroso, ex-membro do Conselho Superior de Magistratura, de onde saiu para defender o irmão, Paulo Pedroso, acusado (mas não pronunciado) por vários crimes de abuso sexual de menores no âmbito da "cabala" da Casa Pia e anunciado candidato do PS à Câmara de Almada.

Um jornal, uma notícia (provavelmente uma violação do segredo de justiça; faça-se o inquérito e proceda-se em conformidade), e polícias e magistrados juntos e ao vivo: os tenebrosos "poderes ocultos" atacam novamente. E, no entanto, um contrato não cumprido mas pago; depois, novo contrato de novo não cumprido e de novo pago; e, finalmente, a devolução pelo incumpridor, em 12 suaves prestações mensais, de… metade dos 288 mil euros entretanto recebidos pelo trabalho que não fez, é tudo o que há de mais transparente. Houvesse decência na vida democrática portuguesa e os jornais não falariam de coisas destas nem um indecente como eu escreveria uma crónica.

in JN - texto de opinião de Manuel António Pina

O Ministério da Educação e a Justiça

A (in)decência

Segundo os jornais de hoje ( Público e Correio da Manhã) o DIAP de Lisboa foi aos serviços centrais do Ministério da Educação, no mês passado, buscar documentos relevantes por causa dos contratos de prestação de serviços celebrados em 2005 e 2007, com o jurista/professor/jurisconsulto/advogado João Pedroso. Para uma recolha e compilação de legislação…em que pelos vistos há suspeitas de “abuso de poder” e “participação económica em negócio” (Correio da Manhã). Portanto, crimes de catálogo, em que as suspeitas incidem sobre dirigentes de topo de um ministério deste Governo.

Manuel Pina escreve no JN de hoje uma crónica sobre o assunto que intitula “uma crónica indecente”, remetendo de modo implícito, para uma proclamação de virtude, lançada no congresso de fim-de-semana, em contraponto vitimizador , pelo líder do partido no poder, actual PM deste pobre país que isso tolera e aceita até às eleições previstas.

O retorno à decência na vida democrática e à moral na política, devia ser um dos trunfos de qualquer candidato a primeiro-.ministro. É só por isso que se deu esta proclamação de mais uma aldrabice. Nada mais.

Ver e ouvir este indivíduo que é primeiro–ministro, mas autor reconhecido de várias aldrabices evidentes e de tomo, a proclamar esse desiderato como princípio, significa apenas uma coisa: estamos no grau zero da decência política.

E que o exemplo acima apontado apenas confirma.

in portadaloja - post de José

Segunda-feira, 2 de Março de 2009

A ética republicana e o Partido Socialista - IX

Bilhete Postal
Alegre apagão

Sexta-feira, Sócrates foi igual ao pior de si próprio quando se voltou a vitimizar e a repisar, pela enésima vez, a historieta da ‘campanha negra’. Num momento sul-americano, fazendo ameaças veladas a directores de televisões e de jornais e com um tom que lembrava um Mesquita Machado sem barba ou uma Fátima Felgueiras sem o penteado, Sócrates revelou a sua peculiar noção de Estado de Direito: "Em Democracia é o povo quem mais ordena."

Ou seja, o voto popular inocentá-lo-á se o caso Freeport der para o torto. Esta táctica política desvaloriza a investigação em curso e amarra o destino do PS ao seu, aconteça o que acontecer.

O discurso de ontem, por seu turno, foi o tiro de partida da campanha eleitoral. Sobre a luta contra a corrupção, claro, nem uma palavra.


in CM - Carlos Abreu Amorim, Professor universitário

Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

Opinião de um encarregado de educação

Do Blog De Rerum Natura publicamos o seguinte texto, de autoria da pedagoga Helena Damião:


O semanário Expresso de 22 de Novembro do ano passado, escolheu na rúbrica: A carta da semana a Opinião de um encarregado de educação. Alberto Diamantino Costa, o encarregado de educação, de Seia, escrevia o seguinte (página 38):


"Já que muitos jornalistas e comentadores defendem e compreendem o modelo proposto para a avaliação dos docentes, estranho que, por analogia, não o apliquem a outras profissões (médicos, enfermeiros, juízes, etc.).
Se é suposto compreenderem o que está em causa e as virtudes deste modelo, vamos imaginar a sua aplicação a uma outra profissão, os médicos.
A carreira seria dividida em duas: médico titular (a que apenas um terço dos profissionais podia aspirar) e médico.
A avaliação seria feito pelos seus pares e pelo director de serviços. Assim, o médico titular teria de assistir a três sessões de consultas, por ano, dos seus subordinados, verificar o diagnóstico, tratamento e prescrição de todos os pacientes observados.
Avaliaria também um portefólio com o registo de todos os doentes a cargo do médico a avaliar, com todos os planos de acção, tratamentos e respectiva análise relativa aos pacientes.
O médico teria de estabelecer, anualmente os seus objectivos: doentes a tratar, a curar, etc.
A morte de qualquer paciente, ainda que por razões alheias à acção médica, seria penalizadora para o clínico, bem como todos os casos de insucesso na cura, ainda que grande parte dos doentes sofresse de doença incurável, ou terminal. Seriam avaliados da mesma forma todos os clínicos, quer a sua especialidade fosse oncologia, nefrologia ou cirurgia estética…
Poder-se-ia estabelecer a analogia completa, mas penso que os nossos ‘especialistas’ na área da educação não terão dificuldade em levar o exercício até ao fim.
A questão é saber se consideram aceitável o modelo? Caso a resposta seja afirmativa, então porque não aplicar o mesmo, tão virtuoso, a todas as profissões? Será? Já agora… Poderiam começar a ‘experiência’ pela Assembleia da República e pelos (des)governantes…"

Acertou o autor da Carta; antecipou-se à divulgação pública do Ministério da Saúde, mas acertou: foi realmente noticiada nos últimos dias, a (nova) proposta avaliação do desempenho dos médicos, a qual deve obedecer ao Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho da Administração Pública e, nessa medida, será muito parecida à avaliação do desempenho dos professores. Implicará o estabelecimento de objectivos individuais, a sua confrontação com os resultados obtidos, o uso de grelhas, etc.

Só me parece que Alberto Diamantino Costa se enganou numa coisa: não estou a ver este Sistema aplicado aos governantes. A outras profissões, sim, como refere ; mas não à de governante.


E, já agora, uma nota: este Sistema não deve ter sido propriamente "obra" dos "especialistas" na área da educação; outros "especialistas" devem ter participado...

O Governo induca e o Magalhães instrói

Aparelhos criam cérebros preguiçosos

Má reserva cognitiva pode acelerar a ocorrência de doenças neurodegenerativas. Crianças que só interagem com máquinas arriscam-se a sofrer de distorções verbais e até de epilepsia.


O uso desregrado das novas tecnologias pode ser meio caminho andado para uma má memória na velhice. O cérebro, não sendo um músculo, comporta-se como tal. Se não for usado, enferruja, alertam os especialistas.

"Se não se fizer alguma coisa já, teremos uma geração onde imperará a lei do menor esforço. Estamos a ficar escravos das máquinas. Sem estimulação, o cérebro ficará mais preguiçoso", alerta Manuel Domingos, coordenador da Unidade de Neuropsicologia do Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, e presidente da Comissão Científica da Sociedade Portuguesa de Neuropsicologia.

O cérebro parece estar a cair em desuso para muitas tarefas. Graças ao telemóvel, não é necessário memorizar números. As caixas registadoras fazem os trocos, enquanto o GPS retira a necessidade de ter "mapas mentais" ou pontos de referência. Poupa-se no cálculo e no raciocínio e corre-se o risco de alterar o funcionamento do cérebro, gerando massas cinzentas apáticas, atrofiadas.

Para o neuropsicólogo, as crianças são o grupo de maior risco. Na escola, o cálculo mental anda muito substituído pela calculadora. Em casa, são as consolas, os computadores e a televisão que captam as atenções, porque é mais seguro brincar em casa ou por falta de tempo dos pais, mergulhados nas lides domésticas.

Os circuitos cerebrais envolvidos na interacção com os outros ficam relegados para segundo plano, critica, por seu turno, Ana Queiroz, psicóloga no Porto. A má socialização, o isolamento, as distorções verbais, a dificuldade em interpretar mensagens verbais e de expressão são algumas das consequências nocivas para as crianças decorrentes dos excessos. A estes malefícios acrescem os casos extremos de fotossensibilidade, que podem até descarrilar em crises de epilepsia, quando os monitores passam a ser a única companhia diária.

"A culpa é da sociedade e dos planos de ensino, pelo mau uso que se dá às novas tecnologias e por não se estimular mais o cálculo mental. A escolaridade básica está a ficar muito dependente, escrava da maquinaria", diz o neuropsicólogo Manuel Domingos.

"Em vez de se fazer uma multiaprendizagem, restringem-se as actividades, penalizando a aprendizagem futura", reforça Ana Queiroz, lembrando a facilidade com que uma criança é capaz de aprender duas línguas em simultâneo e como pode ser demorado e difícil alfabetizar um adulto.

Na óptica dos especialistas, exercitar os neurónios enriquece o cérebro. É uma espécie de "seguro" de vida. Uma boa ou má reserva cognitiva será uma defesa ou um risco para a vida futura.

"Fala-se da estimulação cognitiva para prevenir doenças degenerativas, utiliza-se a mesma nessas doenças como forma de atrasar o processo. No entanto, no dia-a-dia, com todos os facilitismos à disposição, não implementamos comportamentos que nos ajudariam a manter as nossa capacidades em constante desenvolvimento. Prevenir nunca fez mal a ninguém", sustenta Ana Queiroz.


Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

A cultura do medo e da censura

Primeiro começa-se por ameaçar.

Condena-se por delito de opinião, por simples gracejo privado ou manda-se para muito longe os que discordam de nós.

Depois, aumenta-se a parada e passa-se a exigir auto-censura e obediência cega.

A seguir usa-se alguns bodes expiatórios para que tudo vá ao sítio, recomenda-se a leitura de um textos escolhidos do Grande Líder ou que uns jornalistas se retractem.

Não há de novo nisto - a História do século XX está cheia de casos destes...

E a coisa está a ir - veja-se alguns exemplos:



Triste arremedo de democracia em que nos querem enfiar - fazem muito bem em trazer cá o futuro Presidente vitalício de uma nação sul americana e os carrascos de Tiananmen - há muitas coisas em que o partido de José Sócrates pode ainda melhorar...

A Directora Regional da Educação do Norte, as suas estranhas missivas e a opinião dos jornalistas - II


O Carnaval da sintaxe

Agora que o ME divulgou novos programas de Português preconizando que, no final do Ensino Básico, os alunos devem ser capazes de produzir "textos coesos e coerentes" e "correctos em português padrão", o caso da DREN continua a ser exemplar do "português padrão" em uso no ME e do nível de exigência do Ministério em relação à avaliação das "competências" dos seus altos (ou baixos, sei lá) funcionários.

Depois do histórico ofício sobre os "Magalhães", a directora de Educação do Norte (que é suposto ter concluído o Básico) escreve agora, em novo ofício, coisas "coesas e coerentes" como: "Sendo certo que muitos docentes não se aceitam o uso dos alunos nesta atitude inaceitável"; ou: "a sua [da escola] missão de processos de socialização"; ou: "razão central porque", e por aí fora.

Pelos vistos, as palavras e a gramática insistem em não respeitar a autoridade da senhora directora e, folionas (o ofício é, apropriadamente, sobre o Carnaval), fazem dela gato-sapato e escrevem-se como muito bem lhes apetece. Eu já lhes teria posto, como ao outro da piada sobre a licenciatura, um processo disciplinar.

in JN - texto de opinião de Manuel António Pina

A Directora Regional da Educação do Norte, as suas estranhas missivas e a opinião dos jornalistas - I

Opinião
Blog

A directora regional de Educação do Norte tornou-se conhecida por ter instaurado (a um professor) um processo disciplinar de contornos políticos. Não contente com isso, que já é demais em qualquer país decente, avisou que coleccionava jornais e blogues que a criticassem, certamente para perseguir os seus autores.

Pode bem fazê-lo: circulam pela net algumas das suas maiores pérolas ortográficas e sintácticas, de bradar aos céus. Por menos do que isso pode negar-se emprego a muita gente. O problema é que esses erros graves de Português em documentos oficiais são dados por uma responsável do Ministério da Educação. Que confiança podemos ter num Ministério que mantém no seu posto uma chefe de serviços que atropela a Língua Portuguesa em documentos que levam o seu selo? Nenhuma.

Francisco José Viegas, escritor (in CM)

Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Foto do Público sobre o protesto no Desfile de Carnaval de Paredes de Coura


Carnaval: professores protestam, alunos festejam

Dia de festa para as crianças, de protesto para os docentes. Os professores do Agrupamento de Escolas de Paredes de Coura desfilaram hoje ao lado dos alunos mas amordaçados, vestidos de preto, e com as mãos presas por correntes, em manifestação contra a DREN...

Fotografia: Adriano Miranda
in Público on line (link não disponível)

A DREN, a autonomia das Escolas e a estupidez de uma comissária política - II

Carnaval
Professores de Paredes de Coura desfilaram sob protesto
20.02.2009 - 18h30 Andrea Cruz

Os docentes queriam suspender algumas iniciativas devido à falta de tempo motivada pelo modelo de avaliação

Os professores do Agrupamento de Escolas de Paredes de Coura desfilaram hoje, ao lado dos alunos que festejavam o Carnaval. Mas vestidos de negro, amordaçados e com as mãos presas por correntes, como forma de protesto contra a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) que, contrariando uma decisão do Conselho Pedagógico, lhes ordenou que acompanhassem as cerca de 400 crianças do pré-escolar e do 1º ciclo do Ensino Básico, pelas ruas da sede do concelho.

“Só antes do 25 de Abril é que as pessoas eram obrigadas, é uma vergonha!”, indignou-se uma docente que disse não se identificar por medo de represálias e que ostentava correntes em volta dos punhos e um saco preto na cabeça. Outro professor, Armando Lopes, sublinhou que a decisão da DREN “é ilegal”, por contrariar uma decisão tomada pelo conselho pedagógico, “um órgão com autonomia”.

Com os professores esteve o coordenador do Sindicato dos Professores do Norte (SPN), Abel Macedo, que prestou declarações aos jornalistas para defender que a imposição da DREN, “um sinal de que hoje não há liberdade no desempenho profissional”, “deve fazer pensar os portugueses”. “Como é que alguém se arroga o direito de silenciar e amordaçar uma classe?”, questionou, acrescentando que a ordem para que se realizasse o cortejo se “tratou de um abuso claro e de excesso de autoridade por parte da directora regional”.

Ontem, a presidente do Conselho Executivo do agrupamento, Cecília Terleira, explicou que os professores decidiram suspender algumas das 164 iniciativas previstas no plano de actividades devido à falta de tempo motivada pelos processos de avaliação do desempenho e de eleição do Conselho Geral Transitório e do director. Mas assegurou que só haviam sido canceladas aquelas que não foram consideradas indispensáveis ao processo de aprendizagem das crianças.

Estava previsto que os alunos festejassem o Carnaval no espaço escolar, mas a decisão desagradou à Associação de Pais e à Câmara Municipal, que reclamaram a realização do habitual cortejo. Foi assim que, depois de um braço de ferro que se prolongou pelos últimos dias, a DREN reiterou a ordem dada a Cecília Terleira para que convocasse os professores para a realização do cortejo.

Os pais, que hoje acompanharam de perto a participação dos filhos no corso carnavalesco, já pediram uma reunião com o Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas, prevista para a próxima semana, para tentar garantir a realização de outras actividades canceladas, como as visitas de estudo de alunos até ao 8º ano e as idas à praia com as crianças da pré-primária.

A DREN, a autonomia das Escolas e a estupidez de uma comissária política

Escola terá de fazer o desfile pelas ruas
DREN contraria Conselho Pedagógico de Paredes de Coura na polémica sobre desfile de Carnaval
19.02.2009 - 18h52 Graça Barbosa Ribeiro

A Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) contrariou hoje uma decisão do Conselho Pedagógico do Agrupamento de Escolas de Paredes de Coura – que decidira fazer a festa de Carnaval dentro do estabelecimento – e ordenou ao Conselho Executivo que convoque os professores para fazerem o desfile pelas ruas, amanhã à tarde.

“Tenho ordens para não falar, mas é impossível não reagir a esta desautorização da tutela em relação a uma decisão tomada em Conselho Pedagógico”, protestou a presidente do Conselho Executivo, Cecília Terleira, quando contactada pelo PÚBLICO.

Ontem à noite, os professores decidiram que, se após as explicações, a DREN mantivesse a ordem anteriormente dada através de correio electrónico, aceitariam participar no desfile, sob protesto, para não correrem o risco de ver demitida a presidente do Conselho Executivo. “Vou fazer a convocatória, como foi acertado com os professores que, numa reunião marcada para hoje, poderão decidir manifestar, de alguma forma, o seu descontentamento”, disse Cecília Terleira.

A presidente do CE, que comentou que “os professores e os elementos dos órgãos de gestão da escola “estão em estado de choque com a falta de respeito da tutela por uma decisão tomada nos órgãos próprios”, sublinhou que o critério para o cancelamento do cortejo e de outras actividades foi suspender “apenas aquelas que não prejudicassem a aprendizagem dos alunos”.

Alegando falta de tempo – devido aos processos de eleição do Conselho Geral e do director e ao processo de avaliação – o Conselho Pedagógico decidiu terça-feira suspender algumas das 164 iniciativas que faziam parte dos planos de actividades. “Foram escolhidas apenas aquelas que não eram essenciais à aprendizagem e que, para além disso, eram promovidas fora do horário lectivo e não lectivo dos professores”, explicou Cecília Terleira. Entre elas estava o cortejo de carnaval dos cerca de 400 alunos do pré-escolar e 1º ciclo do Ensino Básico que, decidiram os professores, festejariam o Carnaval mascarando-se e brincando nos respectivos estabelecimentos de ensino.

A decisão mereceu a imediata crítica da Câmara Municipal, de maioria socialista, e também da Associação de Pais, cujo presidente, Eduardo Bastos, disse ontem à noite à Lusa já ter “a informação, embora oficiosa”, de que iria “mesmo haver desfile”.

O PÚBLICO tentou obter uma reacção do Ministério da Educação, mas sem êxito.

Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

O lápis (lazuli...)

Direcção Regional de Educação do Centro nega que e-mail enviado aos Conselhos Executivos tivesse qualquer objectivo de “pressão ou intromissão”
Pergunta sobre professores que não entregaram objectivos foi “um lapso”
18.02.2009 - 14h23 Graça Barbosa Ribeiro

Os presidentes dos Conselhos Executivos das Escolas que haviam sido chamados a revelar qual a sua “posição relativamente aos docentes que não entregaram os objectivos individuais” foram hoje contactados por um responsável da Equipa de Apoio às Escolas de Coimbra, que lhes disse que a pergunta foi feita “por lapso” e os dispensou de responder.

Os contactos – cujo teor foi confirmado pela presidente do Conselho Executivo da Infanta Dona Maria, Rosário Gama – foram seguidos da divulgação de um comunicado pela Direcção Regional de Educação do Centro (DREC), em que se afirma que “o e-mail enviado [para as escolas], de iniciativa local, não teve qualquer objectivo de pressão ou intromissão”. “Foi a forma encontrada por uma determinada equipa de Apoio às Escolas de fazer um ponto da situação, conducente a qualquer esclarecimento ou apoio que se revelasse oportuno”, acrescenta.

A questão em causa foi colocada no âmbito de um inquérito em que se perguntava, também, qual o número de professores que entregaram objectivos, o dos que os não entregaram, o dos que requereram avaliação científico-pedagógica e avaliador do próprio grupo disciplinar e ainda o daqueles que pediram dispensa de avaliação. E foi entendida por Isabel Le Guê, que este mês foi escolhida para porta-voz dos 212 presidentes dos conselhos executivos que contestam a avaliação dos professores, como “uma forma de pressão”.

“Que relevância tem a posição da Comissão Executiva em relação aos que não entregaram os objectivos individuais? Infelizmente, só posso interpretar a pergunta como uma manobra intimidatória, como forma de levar os presidentes dos conselhos executivos a agirem – não com o propósito que devia ter qualquer avaliação, a de melhorar o desempenho dos avaliados – mas sim por medo de serem prejudicados”, reagiu ontem Isabel Le Guê.

Maria do Rosário Gama, que faz parte do grupo dos 212 professores, frisou hoje que a pergunta “só podia ser entendida como uma forma de pressão” e disse-se “muito satisfeita por se tratar de um lapso”. “Nunca senti qualquer forma de pressão por parte desta direcção regional e estava extremamente surpreendida”, afirmou.