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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Adesão à greve foi de 61%

ostrich


Imagem que mostra o funcionário do Ministério da Educação que calculou os números de adesão à greve...

Respeito...

Com a devida vénia, uma música de Otis Redding, falecido no ano em que eu nasci e aqui na versão de Aretha Franklin também do mesmo ano...

Aretha Franklin - Respect (ao vivo em 1967)


PS - Dedicamos esta música ao Secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, que teve uma prestação fantástica na conferência de imprensa de hoje à tarde...

Perguntar não ofende (ainda)

Alguém me sabe dizer o nome do país onde a Ministra da Educação proibiu, em clara violação da Lei, alguns elementos dos Conselhos Executivos de fazerem greve?

GREVE - texto a distribuir na minha Escola aos Pais

Tirando ideias daqui e dali (com especial enfoque no texto de uma escola de Coimbra - Martim de Freitas) um grupo de docentes de uma Escola de Leiria irá distribuir o seguinte texto:

Exm(os) Srs. Encarregados de Educação:

Ao fim de três anos de sucessivos atropelos às nossas condições de trabalho e de uma atitude sistemática de menorização e desrespeito pelos Docentes por parte desta equipa ministerial, chegou o momento de dizer BASTA!

Porque há momentos em que trabalhar, de qualquer forma e a qualquer preço, é mais indigno do que parar, hoje fazemos greve por nós, por vós e pelos Vossos filhos. Esta greve não é para obter aumentos (e que gostaríamos muito de ter, pois há 8 anos que o salário aumenta menos do que a inflação) ou para reivindicar mundos e fundos, é apenas para mostrar a nossa revolta e indignação!

Assim, exigimos:
- a revogação deste Estatuto da Carreira Docente, aprovado apenas pela maioria parlamentar que suporta este governo, numa lógica meramente economicista e que agrava seriamente as nossas condições de trabalho, divide a carreira docente, artificialmente, em professores titulares e professores não titulares num concurso ferido de ilegalidades e injustiças insanáveis, cria uma prova de ingresso na carreira sem sentido, e impede dois terços dos professores de atingir o topo da carreira, independentemente do seu mérito profissional.
- a suspensão imediata deste modelo de avaliação que é inexequível, injusto, pouco transparente e extremamente burocratizante, que nos está já a roubar tempo precioso para a preparação das nossas aulas. O regime simplificado que o governo agora nos propõe é, apenas, um regime de excepção para este ano lectivo, pois aplicar-se-á na íntegra no próximo ano, ou seja, a responsabilização dos professores pelo abandono escolar e a avaliação do professor baseado no desempenho escolar dos seus alunos mantém-se.
- horários condignos de trabalho que evitem jornadas de trabalho contínuo de doze horas na escola, acrescidas do trabalho que o professor inevitavelmente tem de realizar em casa e que é menorizado e esquecido por todos.
- acesso a formação gratuita e de qualidade na nossa área de docência, a que somos obrigados por lei, e que estamos, muitas vezes, a pagar do nosso bolso.
- um modelo de gestão democrático das escolas oposto ao modelo do Director omnipotente, proposto pelo ME, pois só com democracia se poderá ensinar pelo exemplo a Democracia aos nossos alunos.
- mais recursos humanos nas escolas (professores, auxiliares e técnicos especializados) para podermos prestar um auxílio real aos nossos alunos com mais dificuldades, sobretudo todos os que necessitem de Educação Especial, para cumprir efectivamente o desígnio da Escola Inclusiva.
- turmas mais pequenas, para garantir um ensino de qualidade e mais individualizado.

Em defesa da Escola Pública!

Greve - 3 de Dezembro de 2008

cartaz-greve-150dpi

(c) Guin Fon

(Via Blog A Educação do meu Umbigo)

Notícia no Público - GREVE

Luta contra política do Ministério da Educação
Plataforma sindical dos professores apela à participação na greve de amanhã
02.12.2008 - 17h49 Lusa

A Fenprof garante que a classe está unida nos seus objectivos

A plataforma sindical dos professores, que foi hoje recebida pelo Provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues, apelou à participação dos docentes na greve de amanhã e garantiu que está unida na luta contra a política do Ministério da Educação.

"Queria deixar claro que a plataforma dos professores está unida, que a plataforma sindical dos professores não tem dúvidas de que é preciso de que os professores façam uma das suas maiores greves de sempre", disse o porta-voz da Plataforma e dirigente da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, à saída da reunião.

O dirigente sindical negou "divergências internas dentro da plataforma", como noticiaram alguns meios de comunicação nos últimos dias, destacando que esta estrutura representa um conjunto de sindicatos em que "todos têm direito a ter a sua opinião". "Agora, no que não há divisão, não há dúvidas, não há opiniões contrárias umas das outras é que as 11 organizações sindicais de professores que estão na plataforma estão unidas na greve de professores de amanhã”, disse.

Mário Nogueira admitiu que "greve vai afectar a vida de milhares de famílias, mas salientou "que são 150 mil os professores cuja vida tem vindo a ser afectada por este governo". "A nossa expectativa é de que vai ser uma greve em que praticamente todos os professores vão participar", disse, acrescentando estar convencido de que, "depois da greve de quarta-feira, o ME não pode continuar com a sua posição intransigente, inflexível e anti-negocial".

"O ME tem um discurso de negociação e depois, na mesa da negociação, veta a possibilidade de discutir sequer a possibilidade de suspender o modelo. Ou seja, há disponibilidade do ME para negociar desde que seja o que o ME quiser fazer lei", considerou. Segundo Nogueira, a reunião de hoje com o Provedor da Justiça "vem no seguimento de outras com partidos políticos" para passar "preocupações relativamente à situação de grande instabilidade e conflito instalada nas escolas" e ainda questões que têm a ver "com aspectos jurídicos do modelo de avaliação e até com a sua constitucionalidade".

in Público - ler notícia

GREVE - há sempre uma primeira vez...

Vou fazer Greve!

Em 18 anos de actividade docente, nunca fiz greve!

Mas no próximo dia 3 de Dezembro vou fazer greve!

Vou fazer greve contra uma Ministra que ofende e humilha os Professores!

Vou fazer greve contra um Ministério que substituiu a pedagogia pela demagogia e pela mentira!

Vou fazer greve contra uma Ministra que, tendo vergonha de ter sido professora do antigo ensino primário, oculta esse facto da sua biografia oficial.

Vou fazer greve contra um Ministério que continua cegamente a implementar políticas educativas ruinosas que só produzem alunos ignorantes e destituídos de valores.

Vou fazer greve contra um Ministério que engana todo o País com a burla dos exames nacionais sem exigência!

Vou fazer greve contra um Ministério que promove o facilitismo e o sucesso puramente estatístico!

Vou fazer greve contra um Ministério que estimula a indisciplina e o absentismo dos alunos!

Vou fazer greve contra uma Ministra que viola sistematicamente o Estado de Direito com actos administrativos e textos normativos feridos de ilegalidade e de inconstitucionalidade!

Vou fazer greve contra um Ministério que desautoriza e menoriza os professores!

Vou fazer greve contra um Governo que continua a mentir aos Portugueses dizendo que os Professores nunca foram avaliados!

Vou fazer greve contra um Governo que transformou a educação em instrumento de propaganda e luta partidária!

Vou fazer greve contra um Governo que não tem pejo de manipular os órgãos da comunicação social contra as justas reivindicações dos docentes!

Vou fazer greve contra um Governo que está a destruir a Escola Pública para promover o ensino privado!

Vou fazer greve contra um Ministério que dividiu artificialmente os Professores em duas categorias com base em critérios ilegítimos, como estratégia de imposição das suas nefastas políticas educativas!

Vou fazer greve contra um Governo que destruiu a Democracia nas escolas!

Vou fazer greve contra um Ministério que quer transformar os Professores em técnicos de ocupação dos tempos livres!

Vou fazer greve contra um Ministério que sacrifica a verdade da avaliação à mentira dos resultados forjados!

Vou fazer greve contra um Governo que quer instalar a confusão e a discórdia entre os membros da Comunidade Educativa para impor as suas políticas autoritárias!

Vou fazer greve contra um Ministério que inferniza a vida pessoal e familiar dos professores com tarefas burocráticas inúteis, com grave prejuízo dos Alunos!

Vou fazer greve contra um Governo que engendrou um suposto modelo de avaliação que tem como únicos propósitos controlar o défice orçamental e promover o sucesso artificial dos Alunos!

Vou fazer greve contra um Ministério que escraviza os Professores com inúmeras actividades e funções não remuneradas!

Vou fazer greve contra um Ministério que oculta ou desvaloriza a crescente indisciplina e violência nas escolas!

Vou fazer greve contra um Governo que, em desespero, usa todos os artifícios e maquinações para impedir ou minimizar os efeitos desta greve!

Vou fazer greve em defesa da Escola Pública, para bem dos Alunos e de Portugal!

Mário Rui Simões Rodrigues (recebido via e-mail)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

GREVE - apelo

Amanhã é um dia único e irrepetível - um pouco parecido com um que de Sophia de Mello Breyner Andresen celebrou em poema:

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Amanhã é o dia de os docentes portugueses mostrarem o que lhes vai na alma. Não vamos pedir aumentos (há oito anos que não sabemos o que é isso...). Não vamos pedir mundos e fundos - apenas queremos que nos respeitem...

Há alguns que pensam apenas no depois de amanhã e que irão trabalhar. A esses quero dizer que 30 moedas é muito pouco para pôr em causa tanta coisa - há que pensar para lá do fim do mês, no empréstimo do banco ou do Inglês ou Ballet da filha.

Por quanto nos iremos vender agora? E quem nos respeitará se não nos respeitarmos a nós próprios?

Tudo tem um limite - amanhã, muitos de nós iremos mostrar, à porta das nossas Escolas, que já não há mais caminho trilhar, porque o abismo está mesmo à nossa frente. Iremos enfrentar as vozes iradas de alguns pais (que só querem saber da Escola tal como o patrão do pastor, que quer saber se o redil tem redes altas e bem aramadas).

Iremos ser poucos à entrada de cada uma das nossas Escolas, mas, mesmo poucos, saberemos honrá-las e mostrar que ainda se pode defender as Escolas Públicas portuguesas...