domingo, 8 de fevereiro de 2009

Forma original de protesto

PROFESSOR ENVIOU SAPATOS A SÓCRATES E À MINISTRA

Forma de protesto inspirada no jornalista iraquiano que atirou os seus a George W. Bush


António Morais está cansado de protestar. Habituado a percorrer o país, tanto a pé como de bicicleta, este professor da região de Aveiro não desiste de lutar e usar a imaginação como forma de atingir algum fim.


Desta vez, decidiu replicar o gesto do jornalista iraquiano que atirou os sapatos a George W. Bush, enviando os seus pelo correio (registado) ao primeiro-minstro e à ministra da Educação. «É um gesto simbólico, provavelmente a encomenda não vai ser recebida pelos destinatários, mas a indignação pelo que se está a passar neste país fica registada», explicou ao PortugalDiário.

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A acompanhar os sapatos seguia uma missiva explicativa, datada de 28 de Janeiro. Os sapatos são caracterizados como algo importante, «porque palmilharam parte deste país, conhecem muitos dos meus dias, tecidos de ilusões e cansaços e, sobretudo, desespero e frustração pela degradação democrática deste país».


«Os sapatos transformaram-se, devido à acção daquele jornalista iraquiano, em símbolo de protesto contra autoritarismos desmedidos, gestão danosa dos países, manipulação e mentira como estratégia governativa das nações», explicou o prof. Morais a José Sócrates, acrescentando: «Representam o meu mais veemente protesto pela forma como tem governado este país que formalmente é democrático. No entanto, e graças a si, a palavra democracia está a afastar-se exponencialmente do seu significado original, cuja acepção etimológica era o "poder do povo" e que Abraham Lincoln definia como: "O governo do povo pelo povo e para o povo". Que longe nos encontramos deste conceito, no presente!!!».

Enviar os sapatos por correio é um acto que considera ser mais «pacífico» do que fazê-lo numa conferência de imprensa, tal como aconteceu no Iraque: «Pode estar descansado, apenas lhos envio como um gesto simbólico que remete para uma sintonia com a raiva sentida pelo autor original da acção. Com a certeza que lutarei contra este estado de coisas até ao limite das minhas forças».


A Maria de Lurdes Rodrigues, António Morais endereça uma mensagem mais consentânea, recordando que vestiu uma t-shirt negra durante 204 dias com a inscrição «Estou de luto pela educação».


Apenas de uma coisa se arrepende: não ter criticado o alegado estudo da OCDE, que afinal não foi realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento. «Aquilo que aconteceu foi uma mentira, mas este país nada faz. É algo diabólico o que está a acontecer, por isso temos de reagir, porque o medo está a perturbar o trabalho nas nossas escolas», frisou, não se cansando de assegurar que irá continuar a lutar, porque «o país está doente».

in PSITACÍDEO - ler post aqui

1 comentário:

Patrícia Jesus disse...

Quem tem medo da avaliação são os maus professores"



O que pensam os futuros docentes das actuais batalhas no sector
Quando começaram o curso de Educação de Infância, Tânia Furtado e Sofia Godinho foram brindadas com um elogio em tom de aviso: "Parabéns por terem escolhido esta carreira, porque como as coisas estão é um acto de coragem."

Cinco anos depois, e meses antes de entrarem no mercado de trabalho, as duas olham com apreensão para o cenário que as espera na educação. Um sector em convulsão, marcado por um arrastado braço-de-ferro entre os sindicatos de professores e a ministra Maria de Lurdes Rodrigues por causa do novo Estatuto da Carreira Docente, sobretudo pelo modelo de avaliação e pela divisão da classe em professores e titulares.

Mas para as duas estudantes da Escola Superior de Educação de Lisboa (ESEL) não há dúvidas: a avaliação é bem-vinda. O mesmo pensa Alexandre Fonseca, de 19 anos, aluno do segundo ano de Línguas Modernas, na Faculdade de Letras de Lisboa. "Quem tem medo da avaliação são os maus professores", brinca. O estudante reconhece que a frase é uma generalização grosseira e que há questões no processo que não fazem sentido, mas acha que "não é caso para tantos protestos".

Já Viviane Ascensão consegue apontar os problemas do processo de rajada, tão bem como qualquer sindicalista e com a mesma paixão. "Uma boa medida mal posta em prática", resume. Mas a aluna de mestrado da Faculdade de Letras também não hesita em afirmar que os docentes têm de ser avaliados: "Avaliem os professores, por favor! Porque há de facto problemas nas salas de aulas decorrentes da falta de preparação, conhecimento científico e interesse de alguns professores."

A licenciada em Português e Francês, docente sem colocação, não esconde a revolta por ser "uma das muitas cheias de vontade de trabalhar que estão fora do ensino". Por outro lado, acredita que "a grande maioria dos que lá estão queria estar a fazer outra coisa". É um jogo perverso mas tenta não antagonizar os colegas e até compreende o desânimo: "Estão cansados, enfrentam todos os anos turmas gigantes que não têm tempo de conhecer." Mesmo assim, a contestação na rua não a motiva. "É a união do desespero. Mas a luta é na escola, não é uma luta só por mim, é pelos alunos. E nas escolas falta solidariedade, é o salve-se quem puder."

O colega António Góis, de 38, futuro professor do ensino básico, também não tem "nada contra a ava- liação" mas teme que o processo contribua para tirar autoridade aos professores - "se ficarem dependentes dos alunos e dos pais". A questão da autoridade é a sua luta: "Antigamente tinham o poder todo e agora não têm nenhum