domingo, 7 de dezembro de 2008

Opinião Gráfica - Gui Fon

bp

A propósito de uma base de dados (aplicação informática...) com os objectivos individuais dos docentes

she's watching you

PS chumba suspensão da avaliação e DREN ameaça professores
05-Dez-2008

As propostas da oposição para que o governo suspenda a aplicação do modelo de avaliação dos professores foram todas chumbadas pela bancada do PS, com seis deputados a furarem a disciplina de voto. Entretanto, a DREN fez circular um questionário pelas escolas em que ameaça os professores de excluí-los da avaliação caso não o entreguem até 17 Dezembro.



O documento com o carimbo da DREN está a ser distribuído aos professores e o esquerda.net teve acesso ao questionário entregue no Agrupamento Vertical de S. Lourenço, em Ermesinde. Neste questionário, o ministério pergunta se o professor quer ser avaliado e se pretende entregar os seus objectivos individuais, bem como se pretende que as suas aulas sejam observadas e se pretende igualmente ser avaliado pelos encarregados de educação.

No documento pode ler-se que o questionário "é de preenchimento obrigatório e deve ser devolvido ao Conselho Executivo até ao dia 17 de Dezembro de 2008, impreterivelmente". E logo a seguir surge um aviso que "caso não seja entregue até a referida data e devidamente preenchido, considerar-se-á que o docente não pretende ser avaliado".

No parlamento, a suspensão do modelo de avaliação foi votada esta manhã, e só a ausência de deputados da maior bancada da oposição impediu o governo de sofrer uma derrota histórica, já que cinco deputados socialistas - Manuel Alegre, Teresa Portugal, Matilde Sousa Franco, Eugénia Alho e Júlia Caré, a que se acrescentaram João Bernardo e a abstenção de Odete João na proposta do CDS - romperam a disciplina de voto do seu partido. Foi requerida a recontagem dos votos, que totalizou 80 a favor da suspensão, uma abstenção e 101 contra. Bastariam então 22 dos trinta deputados ausentes da bancada laranja para impor uma derrota política inédita ao governo.

Se no PSD faltaram 30 deputados, o que se reflectiria decisivamente na contagem final dos votos, havia igualmente ausências em todas as bancadas, à excepção do Bloco de Esquerda que teve os seus oito parlamentares ao lado das propostas de suspensão da avaliação.

in Esquerda.Net

Será possível negociar com gente malformada como a que está no ME?

Mário Nogueira afirma que as greves apenas estão suspensas, não foram canceladas
Educação: Plataforma de sindicatos apela ao Governo para que cumpra compromisso negocial
06.12.2008 - 20h47 Lusa

A Plataforma de Sindicatos de Professores apelou hoje ao Governo para que respeite o compromisso de acolher na reunião do dia 15 a proposta alternativa de avaliação dos professores em "pé de igualdade com a sua". A Plataforma reagiu assim, esta tarde, a declarações do secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira que afirmou, em conferência de imprensa que “não haverá suspensão em circunstância alguma”, da avaliação de desempenho dos professores.

“O que o secretário de Estado Adjunto e da Educação disse não corresponde de forma nenhuma à verdade", sublinhou Mário Nogueira em conferência de imprensa em Coimbra, frisando que se assim fosse não teriam sido suspensas as greves regionais da próxima semana, nem teria sentido a referida reunião negocial de dia 15.

Segundo o dirigente, os sindicatos estão a dar espaço para se encontrar uma solução negociada para o conflito, "esperando que o Governo seja capaz de dar também esse espaço".

"Todos temos de estar com seriedade. Só pode haver consenso quando as partes se respeitam", frisou, acrescentando que os sindicatos, embora procurem o diálogo, não deixarão de retomar as lutas se for necessário, porque as greves apenas estão suspensas.

in Público - ver notícia

sábado, 6 de dezembro de 2008

Duas canções para uma ministra anarquista

Sex Pistols - Anarchy in the UK


Sex Pistols - God Save the Queen

Per saltum

Do Sol:

Uma mulher de Tábua que deixou de estudar na adolescência saltou seis anos de escolaridade em pouco mais de um ano, frequentando agora uma licenciatura em Coimbra. É um exemplo polémico do Novas Oportunidades.


Uma outra originalidade deste governo: a invenção das licenciaturas "per saltum". Ou, em português corrente, "em saldo". Há quem diga também, "a saque".

Como soi dizer-se, "os exemplos vêm de cima".

in Blog portaldajoja - post de José.

Números da greve

90% de 150 000 professores=135 000 professores.

Desconto de 60€ por professor.

60€x135 000=8100000€ (oito milhões e cem mil euros).

Alguém que me corrija os números.
O Ministério da Educação e/ou o Ministério das Finanças que me esclareça se este dinheiro irá ser investido nas escolas.


Ou pelo menos os meus 60€. Gostava que sim.

Imagem - daqui

(Post original publicado no Blog Ciência ao Natural)

Comunicado da Plataforma Sindical dos Professores

Professores exigem seriedade e boa-fé negocial. Optam pela via do diálogo, mas não temem nem deixam cair a luta!

O Ministério da Educação, através do Secretário de Estado Adjunto e da Educação, afirmou que a agenda da reunião negocial prevista para 15 de Dezembro, afinal, poderá não ser tão aberta quanto foi compromisso do próprio ME. É o que parece transparecer da afirmação de que não estará em cima da mesa a possibilidade de suspender o que, nas escolas, já está suspenso: o actual modelo de avaliação. A Plataforma Sindical dos Professores reafirma que, neste processo, se envolveu com seriedade e boa-fé, optando, claramente, pela via negocial para que se encontre uma saída para o conflito instalado. Por essa razão suspendeu as greves regionais previstas para a próxima semana, abrindo, assim, um espaço importante para o diálogo e a negociação. Se a opção do Ministério da Educação for outra, a de eternizar o confronto, então terá de assumir as responsabilidades inerentes a quem impede que as escolas, este ano, funcionem com tranquilidade e serenidade, conforme tem sido apelo de toda a sociedade. A opção dos professores é clara, pretendem a via negocial, mas a sua determinação é também conhecida e, como já provaram, este ano, por diversas vezes, não temem a luta, antes a assumem de forma coesa e em grande unidade!

Para tentar fazer valer as suas posições o Ministério da Educação está, até, a utilizar a plataforma informática que criou para efeitos de concurso por candidatura electrónica e, durante a noite de ontem, enviou, por mail, um comunicado a todos os professores. Não é a primeira vez que o faz e, nos últimos tempos, essa plataforma informática tem sido utilizada para pressionar, enganar e fazer passar a sua propaganda junto dos professores, o que é lamentável e abusivo. Por essa razão, em reunião recente, a Plataforma denunciou este comportamento abusivo junto do Senhor Provedor de Justiça, por considerar que esta é uma situação que constitui, até, uma violação de dados confidenciais dos docentes. Isto a propósito da utilização do ficheiro geral de professores que está em posse da DGRHE, para efeito de concursos, para os pressionar, fazendo-lhes chegar uma grelha de objectivos individuais de avaliação que deveriam preencher

No dia 15 de Dezembro, a Plataforma Sindical dos Professores compromete-se a apresentar uma proposta alternativa de solução transitória de avaliação, para este ano, que, nesse dia, tornará pública, provando que há soluções de maior qualidade para o ano em curso, que não passam pelo modelo que, segundo a própria Ministra da Educação afirmou na Assembleia da República, tem os dias contados. E proporá a aprovação de um calendário negocial de revisão do Estatuto da Carreira Docente de que resulte, para além da substituição do modelo de avaliação, a eliminação das quotas de avaliação, o fim da divisão dos docentes em professores e titulares e a aprovação de regras que criem melhores condições de exercício das funções docentes e estabilizem a profissão.

A possibilidade de, por fim, estas matérias serem discutidas em mesa negocial que contará com a presença de todos o Sindicatos da Plataforma, é a grande novidade da reunião de dia 15 e esteve na origem da sua marcação.

Entretanto, a Plataforma Sindical apela a todos os professores e educadores para que mantenham ou decidam, se ainda não o fizeram, a suspensão da actual avaliação nas suas escolas. Nada se alterou que pudesse levar a uma mudança nas decisões das escolas e a suspensão de aplicação do modelo é fundamental neste processo de luta, sendo mesmo, de todas, a acção imediata de maior importância. Por essa razão, a Plataforma Sindical dos Professores apoia as escolas e os professores neste processo de suspensão que, na prática, está generalizado.

As acções dos professores e da sua Plataforma Sindical, em defesa da revisão do ECD e da qualidade da Escola Pública não terminaram e serão prosseguidas, prevendo-se as seguintes iniciativas:

- 11 de Dezembro: aprovação de tomadas de posição, pelas escolas, de exigência de revisão do ECD e de mudança das políticas educativas. Distribuição de texto aos pais e encarregados de educação sobre as razões da luta dos professores.

- Início do segundo período: Jornada Nacional de Reflexão para debate e construção, pelos professores, do seu modelo de avaliação, que será alternativo ao do ME, bem como da definição das linhas essenciais para a revisão do ECD.

- 19 de Janeiro de 2009: Greve Nacional dos Professores e Educadores no dia em que se completam dois anos sobre a publicação do ECD, acompanhada de entrega, no ME, de um abaixo-assinado exigindo a revisão do ECD.

Entretanto, serão iniciados os contactos necessários para que, ainda este ano lectivo, se realize uma Marcha Nacional pela Educação que envolva toda a comunidade educativa e, de forma mais geral, a sociedade portuguesa, em defesa de uma política que promova a qualidade do Ensino e da Educação e defenda a Escola Pública.

INFORMAÇÃO FINAL:

No âmbito das audiências solicitadas pela Plataforma Sindical dos Professores, realiza-se na próxima terça-feira, dia 9 de Dezembro, pelas 9.30 horas, uma reunião com o Senhor Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa. A audiência decorrerá na Casa de Nossa Senhora das Dores, em Fátima.

A Plataforma Sindical dos Professores
6/12/2008

Opinião - Manuel António Pina

Ganharam os bons
05.12.2008

362 escolas fecharam portas no dia de greve dos professores e, nas que não fecharam porque houve "aulas" (na maior parte dos casos porque houve "aula" ou nem sequer isso), mantiveram-se ao serviço 1, 2 ou 3 professores. Isto, para o felicíssimo secretário de Estado Pedreira, significa que "a maioria das escolas [esteve] aberta em dia de greve nacional dos professores"… Já para o contentíssimo secretário de Estado Lemos, ao fim da tarde de quarta-feira, "só" aderiram à greve "às 11 horas" 61% dos professores, o que constitui, obviamente, grande derrota dos professores, até porque, um pouco mais cedo, às 6 e às 7 horas, a adesão foi ainda menor.

Quanto à ministra, fez greve a jornais, TV e escolas e foi visitar… um hospital, pois, em dia de greve nacional de professores, estiveram abertos (nova derrota dos professores) 100% dos hospitais. A moral da história é que, como antes tinha sido anunciado por não sei quem, "os bons ganham sempre". Os bons somos nós (os bons, os justos, os altos, os inteligentes, os bonitos). Os maus, injustos, baixinhos, burros e feios (o Inferno) são os outros.

Por outras palavras (secção opinião JN) - Manuel António Pina

Música apropriada ao nosso estado de espírito

So what - Pink

Opinião de um aluno

Do Blog A Educação do meu Umbigo publicamos o seguinte post:

Boa tarde!
Peço que publique esta composição de um aluno de 17 anos (que sou eu!)
no seu blogue!
Obrigado!

————-

Antes de mais, sou aluno de uma escola de Barcelos. Ando no 12ºAno, não aderi a nenhuma greve convocada e tenho opinião sobre o que se passa, neste momento na Educação.


Há situações que me revoltam e a estupidez das pessoas é uma delas. A ignorância e, perdoem-me a expressão, a “burridade” que se passa pelos fóruns de notícias, é enorme!


Acho que não houve um dia, desde o início do ano lectivo em que não fui insultado por pessoas desconhecidas e chamarem-me “pacóvio”, “saloio” e outros, por defender aquilo que considero ser justo, para mim e para os meus colegas: uma educação justa.


Justa e sem diferenças entre alunos. Os mesmos que comentam e que dizem que os professores deveriam ser banidos da face da terra, são os mesmos que têm os alunos em cursos profissionais, que não pagam um cêntimo em matéria de livros, material escolar e visitas de estudo.


Eu, ando num curso geral e gastei 450€ só em livros escolares (um dos motivos da greve dos alunos, de ontem, foi o preço dos livros escolares).


Mas não: esses mesmos pais, que podem ganhar o rendimento social de inserção e mais uns quantos rendimentos, têm bom carro, TV por cabo, e ainda dizem que os alunos deveriam estudar, até porque, estão a pagar!


A segurança social não liga, até porque, conseguimos controlar o défice, e portanto à que gastar dinheiro em Magalhães, e-escolas e companhias limitadas.


Cursos Profissionais é algo justo? Para mim, não.


Sou aluno mediano e para eu ter livros, material escolar e transporte, sou eu que pago para mim e para eles. E para eu pagar, os meus pais “matam-se” a trabalhar.


Mas nenhum aluno fala disto. Até porque, em 2010, a Sr.ª Ministra, diz que “60% dos cursos leccionados em escolas públicas será cursos profissionais”.


Dão a mesma facilidade de acesso ao ensino superior. E os cursos gerais? Aqueles cursos em que os alunos tiram melhores notas que os profissionais? Em que os alunos estudam realmente?


São esquecidos. Até porque interessa ao Sócrates publicitar um país “magalhense” e dar computadores às crianças para os retirar depois.


Depois disto: Escola pública democrática? Não sei onde! Mas, se alguém souber, que me diga!

Bruno Micael

Vasco Pulido Valente no Público

pub6dez08

(clicar para aumentar)

Público, 6 de Dezembro de 2008 (link não disponível)

Até à derrota final

Do Blog WEHAVEKAOSINTHEGARDEN publicamos o seguinte post:

Vassoura Partida

A ministra da Educação admite substituir o modelo de avaliação dos professores, mas só no próximo ano lectivo.

Substituir por o quê? Por um igual depois das eleições?

Deu pena ver o ar derrotado da Sinistra Ministra no Parlamento a apanhar tareia de todos os lados. Depois de já ter pedido uma vez desculpas aos professores, hoje veio dizer, pronto dou tudo, mas fazem-me a minha avaliação de estimação este ano. Até poderia parecer uma saída airosa para todos, os professores acabavam com este modelo de avaliação, os sindicatos podiam clamar vitória e a Ministra dizer que aplicou o seu modelo contra tudo e contra todos. O pior é que a aceitação duma tal proposta era a aceitação dos professores do Estatuto da Carreira Docente, das quotas, dos titulares e do sistema de gestão escolar.

Não há que ter pena do bicho, a sinistra parece morta mas ainda destila veneno. Mas, já está sem forças e falta pouco para cair de vez. A exigência deve ser a da demissão da Ministra e uma mudança radical de políticas que garantam a existência de uma escola pública de qualidade, voltada para o saber e para a cidadania e não uma fábrica de mão-de-obra barata. E, essa não é uma luta que seja só dos professores, é uma luta de todos nós.

Opinião - Manuel António Pina

Uma ministra de rosto humano
2008-12-01

É uma boa notícia, há finalmente alguém a fazer trabalho competente e a obter "resultados" no Ministério da Educação. Trata-se da agência de comunicação encarregada do "marketing" da ministra.

Desde a recente manifestação de professores (120 mil na rua contra as políticas educativas), a ministra vem-se desdobrando em entrevistas e conferências de Imprensa, bem como em "perfis" nos jornais e TV do costume mas igualmente noutros.

Nesses "perfis", Lurdes Rodrigues tenta mostrar o seu "rosto humano" (o outro toda a gente o conhece), entreabrindo - levemente contrariada - aos portugueses em geral e professores em particular, a porta da sua intimidade.

Afinal, alguém que gosta de cozinhar e "[se sente] anarquista" não pode ser má pessoa. Nem alguém capaz de comover-se com um bom e comovente momento que, confessa, viveu um dia no Ministério: "Uma carta que recebi de um menino que recebeu um computador para ter em casa […], e escreveu-me a dizer: 'Quando for grande, vou inscrever-me no PS'. É tocante..." Portugal pode ter uma péssima ministra, mas o PS tem uma excelente directora de recrutamento.

Por outras palavras (secção opinião JN) - Manuel António Pina

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Greves regionais suspensas

Depois de a tutela admitir negociar todas as questões polémicas
Plataforma Sindical dos Professores suspende greves regionais

A Plataforma Sindical dos Professores suspendeu hoje as greves regionais agendadas para a próxima semana, considerando que, pela primeira vez, o Ministério da Educação (ME) aceitou negociar todos os temas que têm levado ao braço-de-ferro com os professores.

No final de um breve encontro com o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, o porta-voz da plataforma, Mário Nogueira, anunciou que será realizada no próximo dia 15 uma reunião "onde tudo estará em cima da mesa", nomeadamente a revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD).

"Perante a disponibilidade do ME, que, pela primeira vez, aceitou uma negociação onde não estão apenas as questões da avaliação mas outros aspectos do ECD, em nome da plataforma suspendemos as greves regionais da próxima semana", afirmou o sindicalista.

Contudo, Jorge Pedreira, no final do encontro, reiterou que a tutela continua com a mesma posição de sempre. “Não há suspensão do processo de avaliação. Tornámos muito claro isto no encontro com a plataforma”, precisou o responsável. E acrescentou: “Durante a próxima semana serão aprovados os instrumentos que permitem a simplificação do modelo de avaliação, de acordo com aquilo que o Governo tinha definido”.

O secretário de Estado sublinhou que, neste momento, nem a hipótese de aplicar a avaliação este ano mas com outras regras é admitida. “Em princípio, aquilo que fazemos é a simplificação”, assegurou, ressalvando que não pode dizer o que vai acontecer no dia 15, pois a tutela está aberta a “discutir alternativas para o futuro”.

Regresso à mesa de negociações garantido

“Para já, houve uma questão que foi ultrapassada: regressar à mesa das negociações e sem condições. Mas não podemos esperar que as partes abdiquem das suas posições de um momento para o outro”, prosseguiu. Apesar disso, o responsável mostrou-se satisfeito por as duas partes interessadas se encontrarem. “Não seria por uma questão formal [não aceitação de um encontro em sede de negociação suplementar da simplificação de avaliação] que não se realizaria” a reunião, garantiu.

Ontem, A ministra da Educação admitiu estar disponível para alterar e até substituir o actual modelo de avaliação dos professores, mas apenas no próximo ano lectivo e desde que seja aplicado já este ano. "Uma vez iniciada este ano uma avaliação séria dos professores, estarei totalmente aberta à discussão de alterações a este modelo e até à sua substituição, mas em anos seguintes, não neste", disse Maria de Lurdes Rodrigues, no Parlamento.

Durante um debate de urgência sobre a avaliação de desempenho dos docentes pedido pelo Bloco de Esquerda, a responsável recusou as acusações de "intransigência" repetidas por todos os sindicatos do sector e por todas as bancadas da oposição. A ministra reiterou, ainda, a sua disponibilidade para avaliar e corrigir o modelo de avaliação proposto pelo Governo, "mas apenas depois de ser aplicado".

in Público -ler notícia

E os faltistas são os docentes...?!?

Suspensão da avaliação não foi aprovada por faltas dos deputados
13h33m

Um projecto do CDS-PP que recomendava a suspensão e simplificação da avaliação dos professores poderia ter sido aprovado no Parlamento, não fossem as ausências de deputados nas bancadas da oposição.

Seis deputados do PS votaram ao lado do PSD, CDS-PP, PCP, BE e Verdes a favor do projecto do CDS-PP e uma deputada socialista absteve-se. Outros treze deputados do PS faltaram à votação, reduzindo o peso da maioria parlamentar de 121 para 101 votos.

Os 101 votos contra do PS foram, no entanto, suficientes para chumbar o projecto que recomendava ao Governo a suspensão da avaliação, isto porque do lado da oposição faltavam 35 deputados: em vez de 109 apenas 74 estavam presentes.

Com os seis votos de deputados do PS, houve um total de 80 votos a favor do projecto do CDS-PP. Ou seja, bastaria haver mais 22 deputados da oposição presentes na votação para o projecto ter sido aprovado, com 102 votos a favor.

No PSD, que tem 75 deputados, registaram-se 30 ausências. No CDS-PP faltaram dois deputados e um terceiro não entrou na sala a tempo de participar na votação. No PCP registou-se a ausência de um dos 11 deputados, que o partido informou estar doente. Nos Verdes, um dos dois deputados faltou, enquanto o BE teve os seus oito deputados todos presentes. A deputada não inscrita Luísa Mesquita esteve também presente.

Mesmo que todos os 121 deputados do PS tivessem estado hoje presentes, como seis deles votaram a favor e uma se absteve, haveria possibilidade de aprovar o projecto do CDS-PP, se os 109 deputados da oposição estivessem igualmente no hemiciclo.

O resultado seria, nesse caso, 115 votos a favor da suspensão da avaliação, uma abstenção e 114 votos contra.

in JN on-line - ler notícia

Uma oportunidade perdida - mas o sinal está dado...

Ensino: PS «chumba» resoluções pela suspensão da avaliação

Os projectos de resolução da oposição pela suspensão do processo de avaliação dos professores foram hoje «chumbados» pelo PS, numa votação em que seis deputados da maioria, entre eles Manuel Alegre, «furaram» a disciplina de voto.

Os projectos de resolução do BE, PCP, PSD, PEV e da deputada não inscrita Luísa Mesquita tiveram o voto favorável de cinco deputados do PS - Manuel Alegre, Teresa Portugal, Matilde Sousa Franco, Eugénia Alho e Júlia Caré.

No caso do texto do CDS, juntou-se mais um deputado socialista ao voto favorável - João Bernardo - e uma deputada absteve-se - Odete João.

A votação da resolução dos democratas-cristãos suscitou dúvidas à bancada proponente que pediu uma recontagem «em contraprova», nas palavras do presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.

Recontados os votos, Gama anunciou que o texto foi chumbado com o voto contra de 101 deputados, os votos a favor de 80 deputados e uma abstenção.

in Diário Digital - notícia de 05.12.2008

Publicidade natalícia descarada...!

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Só absurda...?!?

Maria de Lurdes Rodrigues alega que não existem contrapropostas
Oposição acusa de "absurda" nova proposta da ministra da Educação
04.12.2008 - 21h03 Lusa

A oposição opôs-se à decisão da ministra da Educação, alegando ser absurdo permitir mudar e até substituir o modelo de educação e ao mesmo tempo exigir a sua aplicação instantânea.

Numa audição de urgência pedida pelo Bloco de Esquerda (BE), Maria de Lurdes Rodrigues acedeu a rever, corrigir e até “substituir” o modelo proposto, mas apenas no próximo ano e se o modelo for aplicado já. A ministra alegou que só ao concretizar o processo se podem identificar mais dificuldades e melhorá-lo.

A bancada de oposição reagiu em peso contra esta proposta da ministra. "Como pode defender este modelo com unhas e dentes e, ao mesmo tempo, afiançar que está disponível para o substituir? A ministra quer uma coisa e o seu contrário", acusou a deputada bloquista Cecília Honório.

Para o BE, manter um regime de avaliação que o próprio Ministério admite agora vir a substituir no próximo ano é apenas "um jogo de sedução por causa das eleições" de 2009, constituindo para Maria de Lurdes Rodrigues uma "perda de face política".

Apesar de considerar que Maria de Lurdes Rodrigues mostrou neste debate parlamentar uma "postura diferente e de maior humildade", que classificou como uma mudança apenas motivada por "marketing político", também o social-democrata Pedro Duarte disse ser contraditória a proposta feita hoje pela responsável da Educação.

"Das duas, uma: ou não abdica do seu modelo, aceita as consequências [da contestação] e está no seu direito, ou está aberta a ouvir propostas e alternativas, mas não pode impor condições prévias à negociação", afirmou o deputado do PSD, referindo-se ao facto de a ministra condicionar uma eventual revisão ou até substituição deste modelo à sua aplicação este ano lectivo.

"Verdadeiramente absurdo" foi igualmente a forma como o CDS-PP classificou o discurso de hoje da ministra no Parlamento, acusando o Governo de "pôr em causa a formação dos alunos", ao ignorar os protestos dos professores.

Na resposta, Maria de Lurdes Rodrigues devolveu as críticas à oposição, acusando os partidos de não apresentarem propostas alternativas para a avaliação de desempenho dos docentes, mas apenas "discursos abstractos" que não se traduzem em modelo nenhum.

"São muitas as acusações de intransigência, mas perante uma oportunidade real de diálogo e de debate de propostas, nada têm em cima da mesa", criticou, considerando que as bancadas da oposição acusam o Governo de inflexibilidade quando o executivo mostra disponibilidade para negociar e melhorar.

Já à saída do debate, Maria de Lurdes Rodrigues especificou o anúncio que tinha feito no hemiciclo, alegando que ele apenas significa que o Ministério vai cumprir o memorando de entendimento assinado em Abril com os sindicatos, documento que previa o início de negociações e uma eventual revisão do modelo de avaliação em Junho e Julho do próximo ano.

"Disse que estou totalmente disponível para analisar os resultados da aplicação do modelo, ver se há necessidade ou não de o rever, de o corrigir e hoje até fui mais longe, dizendo de o substituir como prova de que não tenho preconceitos em relação a modelos de avaliação", explicou. A ministra defendeu que era necessário "haver mecanismos de acompanhamento [deste processo] e disponibilidade para fazer ajustamentos".

in Público - ler notícia

Números e mecanismos

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Blog anterozóide - Dezembro 3, 2008

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O apelo dos Sindicatos

Reacção às declarações de Maria de Lurdes Rodrigues no Parlamento
Sindicatos apelam a reunião com ministra em que "tudo esteja em negociação"
04.12.2008 - 20h28 Lusa

Os sindicatos dos professores desafiaram hoje a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, a convocar o mais cedo possível uma reunião em que "tudo esteja em discussão”, desde o modelo de avaliação dos professores ao estatuto da carreira docente.

O porta-voz da Plataforma Sindical da Educação, Mário Nogueira, falava durante uma vigília de professores frente ao Ministério da Educação e já depois de a ministra ter admitido no Parlamento estar disponível para alterar e até a substituir o actual modelo de avaliação dos docentes no próximo ano lectivo, desde que seja aplicado já este ano.

"Uma vez iniciada este ano uma avaliação séria dos professores, estarei totalmente aberta à discussão de alterações a este modelo e até à sua substituição, mas em anos seguintes, não neste", disse a titular da pasta da Educação, durante um debate de urgência sobre a avaliação de desempenho dos docentes pedido pelo Bloco de Esquerda.

Apesar daquilo que considera ser uma abertura da ministra na sequência da greve "histórica" dos professores de ontem, Mário Nogueira advertiu que "a luta não vai acabar" e que a classe "quer negociar tudo", sublinhando que "substituir" o modelo de avaliação implica rever o estatuto da carreira docente.

Pedido de negociação da simplificação fora de questão

"O Governo pode dizer qual é a sua proposta, mas tem de ouvir também a proposta dos sindicatos", acentuou o porta-voz da Plataforma Sindical, que rejeitou a sugestão do ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, de haver um pedido de negociação suplementar das alterações ao modelo de avaliação dos professores, propostas pelo Governo há duas semanas com vista à simplificação do processo.

Segundo Mário Nogueira, na negociação suplementar "não há propostas alternativas" e os professores querem que haja uma "negociação aberta". O dirigente sindical referiu que, no entanto, os professores registaram os "sinais" dados hoje pelo Governo e que estão disponíveis para que haja uma substituição do modelo de avaliação. "Os professores também querem a negociação", enfatizou Mário Nogueira.

"Apelamos [a que a ministra da Educação] esteja disponível rapidamente, se possível para a próxima semana, por forma a clarificar esse conceito de substituição de que falou na Assembleia da República", afirmou. "Antes da greve com a dimensão da de ontem, a ministra não falava da substituição do modelo de avaliação. Quer dizer que algum resultado já está a ter", disse o também secretário-geral da Federação Nacional dos Professores.

Durante a vigília, que arrancou hoje de manhã e termina amanhã à noite, houve intervenções de deputados das diversas bancadas parlamentares, com excepção da do PS, tendo António Filipe (PCP), Heloísa Apolónia (Os Verdes), Alda Macedo (Bloco de Esquerda), Emídio Guerreiro (PSD) e José Paulo Carvalho (CDS-PP) manifestado solidariedade com a luta dos professores e criticado, sobretudo, a "teimosia" e a "arrogância" do Governo na questão da avaliação.

in Público - ler notícia

O país do faz de conta

Parlamento
Ministra admite substituir modelo de avaliação no próximo ano lectivo
04.12.2008 - 17h07 Lusa

A ministra da Educação admitiu hoje estar disponível para alterar e até substituir o actual modelo de avaliação dos professores, mas apenas no próximo ano lectivo e desde que seja aplicado já este ano. "Uma vez iniciada este ano uma avaliação séria dos professores, estarei totalmente aberta à discussão de alterações a este modelo e até à sua substituição, mas em anos seguintes, não neste", disse Maria de Lurdes Rodrigues, no Parlamento.

Durante um debate de urgência sobre a avaliação de desempenho dos docentes pedido pelo Bloco de Esquerda, a responsável recusou as acusações de "intransigência" repetidas por todos os sindicatos do sector e por todas as bancadas da oposição. A ministra reiterou, ainda, a sua disponibilidade para avaliar e corrigir o modelo de avaliação proposto pelo Governo, "mas apenas depois de ser aplicado".

Maria de Lurdes Rodrigues garantiu que a suspensão do actual modelo, como pedem os sindicatos, apenas significaria mais um ano com uma avaliação sem consequências, considerando que "só o conservadorismo, tanto à esquerda como à direita, ficaria contente" com essa situação.

Contudo, a ministra garantiu não ser "intransigente na defesa do modelo em vigor, mas apenas na defesa do princípio de uma avaliação séria e com consequências". E acrescentou: "Não me peçam para aceitar um modelo que assenta na auto-avaliação porque isso é apenas um modo disfarçado de nada propor", afirmou.

Durante o debate, Maria de Lurdes Rodrigues voltou a admitir que antes das alterações introduzidas pelo Governo, há duas semanas, o modelo "era mais burocrático do que devia, provocando uma sobrecarga de trabalho às escolas e aos professores", uma situação que considera ficar resolvida com as medidas de simplificação entretanto anunciadas.

Esta audição de urgência da ministra da Educação foi pedida pelo Bloco de Esquerda e todos os partidos da oposição vão apresentar projectos de resolução que pedem a suspensão do actual regime de avaliação dos professores, que serão votados amanhã.

in Público - ler notícia

PS - Apenso à notícia há um pequeno vídeo com a apreciação do Director do Público sobre esta fuga/retira estratégica admirável da Ministra...

Começou a vigília em frente ao ME

Protestos na educação continuam
Cerca de 60 professores começaram vigília frente ao Ministério
04.12.2008 - 11h44 Lusa

“Um, dois, três, já cá estamos outra vez”. Este era um dos slogans que se podiam ouvir da boca dos cerca de 60 professores que já se começaram a concentrar em frente ao Ministério da Educação, em Lisboa, em protestos contra o modelo de avaliação.

Ao som de gritos de ordem e música de Sérgio Godinho, os professores, que se começaram a concentrar às 10h, exibiam faixas onde podia ler-se "Avaliação: Suspensão já" e "Da indignação à exigência: Deixem-nos ser professores".

Com uma tenda de campismo montada em plena Avenida 5 de Outubro, a prometer uma vigília noite dentro, os professores exibiam bandeiras do Sindicato de Professores da Grande Lisboa e da Fenprof, entre outras.

Esta vigília ocorre apenas um dia depois de uma greve que os sindicatos garantem ter sido "histórica", com uma adesão de 94 por cento. Já o Ministério da Educação admitiu que a paralisação teve uma participação "significativa", mas fala numa adesão de 61 por cento.

in Público - ler notícia

Sobre a nossa decisão de não participar na reunião deste fim de semana em Leiria

1) A unidade constrói-se em torno de princípios democráticos e no respeito da igualdade e da paridade de todos os movimentos de professores.

2) O movimento em Defesa da Escola Pública e da Dignidade da Docência esteve sempre aberto à colaboração institucional com todos os movimentos, entidades, sindicatos, partidos políticos e professores empenhados em contribuir para o reforço da unidade da luta contra a política educativa do M.E, em prol da revisão do ECD e por uma gestão democrática da escola pública .

3) A APEDE e o MUP marcaram para Leiria, sem qualquer qualquer informação prévia ou pedido de colaboração, um Encontro Nacional de Escolas em Luta. Não informaram, também, sobre os objectivos da reunião, nem se referiram ao teor da agenda. E apenas endereçaram um convite a 26 de Novembro, muito tempo depois de terem pedido a sala.

4)Consideramos que os movimentos, quaisquer que sejam, não representam escolas, nem devem representar, tanto mais que estas são instituições com órgãos próprios, muitos dos quais têm estado ao lado dos professores na sua luta contra a actual política educativa, como aliás acontece em diversas escolas, nomeadamente, de Coimbra e de Leiria.

5) Não defendemos divisões, nem pretendemos protagonismos hegemónicos. Os movimentos apenas existem para servir os professores e apoiar a sua luta.

6)Estamos abertos a participar em reuniões ou plataformas, desde que as mesmas resultem de princípios e objectivos acordados entre todos os intervenientes.

7) É precisamente porque "todos somos poucos nesta causa comum", conforme reconhecem o MUP e a APEDE, que devemos respeitar princípios de democraticidade na organização de eventos e na definição de formas de luta.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Adesão à greve foi de 61%

ostrich


Imagem que mostra o funcionário do Ministério da Educação que calculou os números de adesão à greve...

Respeito...

Com a devida vénia, uma música de Otis Redding, falecido no ano em que eu nasci e aqui na versão de Aretha Franklin também do mesmo ano...

Aretha Franklin - Respect (ao vivo em 1967)


PS - Dedicamos esta música ao Secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, que teve uma prestação fantástica na conferência de imprensa de hoje à tarde...

Perguntar não ofende (ainda)

Alguém me sabe dizer o nome do país onde a Ministra da Educação proibiu, em clara violação da Lei, alguns elementos dos Conselhos Executivos de fazerem greve?

GREVE - texto a distribuir na minha Escola aos Pais

Tirando ideias daqui e dali (com especial enfoque no texto de uma escola de Coimbra - Martim de Freitas) um grupo de docentes de uma Escola de Leiria irá distribuir o seguinte texto:

Exm(os) Srs. Encarregados de Educação:

Ao fim de três anos de sucessivos atropelos às nossas condições de trabalho e de uma atitude sistemática de menorização e desrespeito pelos Docentes por parte desta equipa ministerial, chegou o momento de dizer BASTA!

Porque há momentos em que trabalhar, de qualquer forma e a qualquer preço, é mais indigno do que parar, hoje fazemos greve por nós, por vós e pelos Vossos filhos. Esta greve não é para obter aumentos (e que gostaríamos muito de ter, pois há 8 anos que o salário aumenta menos do que a inflação) ou para reivindicar mundos e fundos, é apenas para mostrar a nossa revolta e indignação!

Assim, exigimos:
- a revogação deste Estatuto da Carreira Docente, aprovado apenas pela maioria parlamentar que suporta este governo, numa lógica meramente economicista e que agrava seriamente as nossas condições de trabalho, divide a carreira docente, artificialmente, em professores titulares e professores não titulares num concurso ferido de ilegalidades e injustiças insanáveis, cria uma prova de ingresso na carreira sem sentido, e impede dois terços dos professores de atingir o topo da carreira, independentemente do seu mérito profissional.
- a suspensão imediata deste modelo de avaliação que é inexequível, injusto, pouco transparente e extremamente burocratizante, que nos está já a roubar tempo precioso para a preparação das nossas aulas. O regime simplificado que o governo agora nos propõe é, apenas, um regime de excepção para este ano lectivo, pois aplicar-se-á na íntegra no próximo ano, ou seja, a responsabilização dos professores pelo abandono escolar e a avaliação do professor baseado no desempenho escolar dos seus alunos mantém-se.
- horários condignos de trabalho que evitem jornadas de trabalho contínuo de doze horas na escola, acrescidas do trabalho que o professor inevitavelmente tem de realizar em casa e que é menorizado e esquecido por todos.
- acesso a formação gratuita e de qualidade na nossa área de docência, a que somos obrigados por lei, e que estamos, muitas vezes, a pagar do nosso bolso.
- um modelo de gestão democrático das escolas oposto ao modelo do Director omnipotente, proposto pelo ME, pois só com democracia se poderá ensinar pelo exemplo a Democracia aos nossos alunos.
- mais recursos humanos nas escolas (professores, auxiliares e técnicos especializados) para podermos prestar um auxílio real aos nossos alunos com mais dificuldades, sobretudo todos os que necessitem de Educação Especial, para cumprir efectivamente o desígnio da Escola Inclusiva.
- turmas mais pequenas, para garantir um ensino de qualidade e mais individualizado.

Em defesa da Escola Pública!

Greve - 3 de Dezembro de 2008

cartaz-greve-150dpi

(c) Guin Fon

(Via Blog A Educação do meu Umbigo)

Notícia no Público - GREVE

Luta contra política do Ministério da Educação
Plataforma sindical dos professores apela à participação na greve de amanhã
02.12.2008 - 17h49 Lusa

A Fenprof garante que a classe está unida nos seus objectivos

A plataforma sindical dos professores, que foi hoje recebida pelo Provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues, apelou à participação dos docentes na greve de amanhã e garantiu que está unida na luta contra a política do Ministério da Educação.

"Queria deixar claro que a plataforma dos professores está unida, que a plataforma sindical dos professores não tem dúvidas de que é preciso de que os professores façam uma das suas maiores greves de sempre", disse o porta-voz da Plataforma e dirigente da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, à saída da reunião.

O dirigente sindical negou "divergências internas dentro da plataforma", como noticiaram alguns meios de comunicação nos últimos dias, destacando que esta estrutura representa um conjunto de sindicatos em que "todos têm direito a ter a sua opinião". "Agora, no que não há divisão, não há dúvidas, não há opiniões contrárias umas das outras é que as 11 organizações sindicais de professores que estão na plataforma estão unidas na greve de professores de amanhã”, disse.

Mário Nogueira admitiu que "greve vai afectar a vida de milhares de famílias, mas salientou "que são 150 mil os professores cuja vida tem vindo a ser afectada por este governo". "A nossa expectativa é de que vai ser uma greve em que praticamente todos os professores vão participar", disse, acrescentando estar convencido de que, "depois da greve de quarta-feira, o ME não pode continuar com a sua posição intransigente, inflexível e anti-negocial".

"O ME tem um discurso de negociação e depois, na mesa da negociação, veta a possibilidade de discutir sequer a possibilidade de suspender o modelo. Ou seja, há disponibilidade do ME para negociar desde que seja o que o ME quiser fazer lei", considerou. Segundo Nogueira, a reunião de hoje com o Provedor da Justiça "vem no seguimento de outras com partidos políticos" para passar "preocupações relativamente à situação de grande instabilidade e conflito instalada nas escolas" e ainda questões que têm a ver "com aspectos jurídicos do modelo de avaliação e até com a sua constitucionalidade".

in Público - ler notícia

GREVE - há sempre uma primeira vez...

Vou fazer Greve!

Em 18 anos de actividade docente, nunca fiz greve!

Mas no próximo dia 3 de Dezembro vou fazer greve!

Vou fazer greve contra uma Ministra que ofende e humilha os Professores!

Vou fazer greve contra um Ministério que substituiu a pedagogia pela demagogia e pela mentira!

Vou fazer greve contra uma Ministra que, tendo vergonha de ter sido professora do antigo ensino primário, oculta esse facto da sua biografia oficial.

Vou fazer greve contra um Ministério que continua cegamente a implementar políticas educativas ruinosas que só produzem alunos ignorantes e destituídos de valores.

Vou fazer greve contra um Ministério que engana todo o País com a burla dos exames nacionais sem exigência!

Vou fazer greve contra um Ministério que promove o facilitismo e o sucesso puramente estatístico!

Vou fazer greve contra um Ministério que estimula a indisciplina e o absentismo dos alunos!

Vou fazer greve contra uma Ministra que viola sistematicamente o Estado de Direito com actos administrativos e textos normativos feridos de ilegalidade e de inconstitucionalidade!

Vou fazer greve contra um Ministério que desautoriza e menoriza os professores!

Vou fazer greve contra um Governo que continua a mentir aos Portugueses dizendo que os Professores nunca foram avaliados!

Vou fazer greve contra um Governo que transformou a educação em instrumento de propaganda e luta partidária!

Vou fazer greve contra um Governo que não tem pejo de manipular os órgãos da comunicação social contra as justas reivindicações dos docentes!

Vou fazer greve contra um Governo que está a destruir a Escola Pública para promover o ensino privado!

Vou fazer greve contra um Ministério que dividiu artificialmente os Professores em duas categorias com base em critérios ilegítimos, como estratégia de imposição das suas nefastas políticas educativas!

Vou fazer greve contra um Governo que destruiu a Democracia nas escolas!

Vou fazer greve contra um Ministério que quer transformar os Professores em técnicos de ocupação dos tempos livres!

Vou fazer greve contra um Ministério que sacrifica a verdade da avaliação à mentira dos resultados forjados!

Vou fazer greve contra um Governo que quer instalar a confusão e a discórdia entre os membros da Comunidade Educativa para impor as suas políticas autoritárias!

Vou fazer greve contra um Ministério que inferniza a vida pessoal e familiar dos professores com tarefas burocráticas inúteis, com grave prejuízo dos Alunos!

Vou fazer greve contra um Governo que engendrou um suposto modelo de avaliação que tem como únicos propósitos controlar o défice orçamental e promover o sucesso artificial dos Alunos!

Vou fazer greve contra um Ministério que escraviza os Professores com inúmeras actividades e funções não remuneradas!

Vou fazer greve contra um Ministério que oculta ou desvaloriza a crescente indisciplina e violência nas escolas!

Vou fazer greve contra um Governo que, em desespero, usa todos os artifícios e maquinações para impedir ou minimizar os efeitos desta greve!

Vou fazer greve em defesa da Escola Pública, para bem dos Alunos e de Portugal!

Mário Rui Simões Rodrigues (recebido via e-mail)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

GREVE - apelo

Amanhã é um dia único e irrepetível - um pouco parecido com um que de Sophia de Mello Breyner Andresen celebrou em poema:

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Amanhã é o dia de os docentes portugueses mostrarem o que lhes vai na alma. Não vamos pedir aumentos (há oito anos que não sabemos o que é isso...). Não vamos pedir mundos e fundos - apenas queremos que nos respeitem...

Há alguns que pensam apenas no depois de amanhã e que irão trabalhar. A esses quero dizer que 30 moedas é muito pouco para pôr em causa tanta coisa - há que pensar para lá do fim do mês, no empréstimo do banco ou do Inglês ou Ballet da filha.

Por quanto nos iremos vender agora? E quem nos respeitará se não nos respeitarmos a nós próprios?

Tudo tem um limite - amanhã, muitos de nós iremos mostrar, à porta das nossas Escolas, que já não há mais caminho trilhar, porque o abismo está mesmo à nossa frente. Iremos enfrentar as vozes iradas de alguns pais (que só querem saber da Escola tal como o patrão do pastor, que quer saber se o redil tem redes altas e bem aramadas).

Iremos ser poucos à entrada de cada uma das nossas Escolas, mas, mesmo poucos, saberemos honrá-las e mostrar que ainda se pode defender as Escolas Públicas portuguesas...

Poema para ministra, apêndices e não grevistas

Cabeçudos e gigantones

Tua certeza eleva-se e recorta-se
no céu como um guindaste.
Hirta, metálica, adstrigente e fria,
como a encontraste?

Se eu devesse guardar-te respeito por teres um sorriso amável,
por serem castanhos os teus olhos ou por pisares o chão de certa maneira,
então respeitaria também a tua certeza inabalável
e dela te pediria um farrapo para arvorar em minha bandeira.

Faz-me pena a tua certeza como se tivesses sofrido um acidente,
como se te visse estendido num leito, impossibilitado de te mexeres.
Em tua certeza, cadeira de rodas, fazes-te conduzir piedosamente,
e os caminhos passam por ti sem tu passares por eles, e sem os veres.

Embrulhado na tua certeza, de rosto voltado para a parede,
adormeces sorrindo enquanto a vida, aos borbotões, exulta.
Foguete de lágrimas, meandros sem recta, catapulta,
veio de água que afoga e nunca mata a sede.


in Movimento Perpétuo, 1956 - António Gedeão

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O Último Arrebanhamento

Do Blog Educação S.A. publicamos, com a devida vénia, o seguinte post:

O Ingº Sócrates, desengravatado como se espera de um verdadeiro socialista, acompanhado pela Ministra e Secretários de Estado, pela mão (o Valter ia agarrado à mão do Pedreira), chamou os 130 professores militantes socialistas à Sede nacional no Rato. E foram todos,

"E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem." (Actos 2:4)

- Mas, camarada ingº, os professores estão desesperados, não acreditam no modelo de avaliação, nem na camarada Ministra. Nos camaradas Valter e Jorge, secretários de estado, nem falar...
Daqui a nada, já nem no Governo e no Camarada Secretário-Geral acreditam.

- Tem razão o camarada da Covilhã. Até temo que, qualquer dia, não sejam apenas ovos que se atiram à camarada Ministra da Educação, nem que seja apenas à camarada Ministra que se atiram objectos ligeiramente contundentes. Qualquer dia é ao camarada ingº Sócrates que atiram. E não serão ovos, mas sim rebos.

- É! muito cuidado que os ânimos estão exaltados. Estamos muito preocupados com a saúde do nosso governo socialista.

Vendo Sócrates que a composição começava a sair dos carris, lembrou-se do Provérbio:

"Procura conhecer o estado das tuas ovelhas; põe o teu coração sobre os teus rebanhos," (27:23)

e fez um ponto de ordem na reunião:

- "Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino." (Lucas 12:32)

E o reino será nosso por mais 4 anos. Só temos que aguentar os camaradas que ocupam o ME até ao Verão. Com mentiras, hipocrisia, falsidade, simulação, assim seja. Tudo é lícito aos olhos do Senhor para salvarmos o rebanho.

"Ai do pastor inútil, que abandona o rebanho! A espada cairá sobre o seu braço e sobre o seu olho direito; e o seu braço completamente se secará, e o seu olho direito completamente se escurecerá." (Zacarias 11:17)

Os professores socialistas ainda levantaram alguns problemas: que o modelo de avaliação era impossível de aplicar; que ninguém acreditava no ME; que todos percebiam que o que interessava ao Governo não era avaliar professores mais sim dizer que se avaliaram professores; que o Governo dizia que a avaliação era importante para a gestão dos recursos humanos da escola mas, afinal, os professores não iam ser avaliados na actividade lectiva; que a avaliação pretendida pelo Governo não era rigorosa, nem objectiva, nem permitia diferenciar desempenhos; enfim, já todos tinham percebido que se tratava de uma birra política do Ing. Sócrates...

Alto lá! Assobiou o Pastor lançando forte silvo:

"E quanto a vós, ó ovelhas minhas, assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu julgarei entre ovelhas e ovelhas, entre carneiros e bodes." (Ezequiel 34:17)

Por isso vos aviso: Nada de recuos, nada de suspensões, nada de paragens. Atentos Margarida, Engrácia, Leitão, Vardasca e Luís, não quero nenhuma ovelha tresmalhada nem qualquer anho perdido.

Prá frente é que é o caminho.

Sede agradáveis na transmissão da nossa doutrina, dai a outra face perante as mais dolorosas críticas, espalhai a boa nova de que estamos disponíveis para negociar um novo modelo de avaliação, mas nunca recueis.

E, assim mesmo, acabou a reunião 5 horas depois de ter começado, tendo todos os carneiros, ovelhas e cordeiros regressado às suas casas.

No final, Jorge Pedreira, secretário de Estado da Educação, garantiu que "a disponibilidade em negociar é total: É preciso é que seja sem condições prévias e que os sindicatos não continuem a exigir a imediata suspensão do modelo".

Reitor

Semana da Ciência e da Tecnologia - fim da nossa Tertúlia

Rómulo Vasco da Gama de Carvalho/António Gedeão
(Lisboa, 24.11.1906 - Lisboa, 17.02.1997)


Filho de um funcionário dos correios e telégrafos e de uma dona de casa, Rómulo Vasco da Gama de Carvalho nasceu a 24 de Novembro de 1906 na lisboeta freguesia da Sé. Aí cresceu, juntamente com as irmãs, numa casa modesta da rua do Arco do Limoeiro (hoje rua Augusto Rosa), no seio de um ambiente familiar tranquilo, profundamente marcado pela figura materna, cuja influência foi decisiva para a sua vida.

Na verdade, a sua mãe, apesar de contar somente com a instrução primária, tinha como grande paixão a literatura, sentimento que transmitiu ao filho Rómulo, assim baptizado em honra do protagonista de um drama lido num folhetim de jornal. Responsável por uma certa atmosfera literária que se vivia em sua casa, é ela que, através dos livros comprados em fascículos, vendidos semanalmente pelas casas, ou, mais tarde, requisitados nas livrarias Portugália ou Morais, inicia o filho na arte das palavras. Desta forma Rómulo toma contacto com os mestres - Camões, Eça, Camilo e Cesário Verde, o preferido - e conhece As Mil e Uma Noites, obra que viria a considerar uma da suas bíblias.

Criança precoce, aos 5 anos escreve os primeiros poemas e aos 10 decide completar "Os Lusíadas" de Camões. No entanto, a par desta inclinação flagrante para as letras, quando, ao entrar para o liceu Gil Vicente, toma pela primeira vez contacto com as ciências, desperta nele um novo interesse, que se vai intensificando com o passar dos anos e se torna predominante no seu último ano de liceu.

Este factor será decisivo para a escolha do caminho a tomar no ano seguinte, aquando da entrada na Universidade, pois, embora a literatura o tenha acompanhado durante toda a sua vida, não se mostrava a melhor escolha para quem, além de procurar estabilidade, era extremamente pragmático e se sentia atraído pelas ciências justamente pelo seu lado experimental. Desta forma, a escolha da área das ciências, apesar de não ter sido fácil, dá-se.

E assim, enquanto Rómulo de Carvalho estuda Ciências Físico-Químicas na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, as palavras ficam guardadas para quando, mais tarde, surgir alguém que dará pelo nome de António Gedeão.

Em 1932, um ano depois de se ter licenciado, forma-se em ciências pedagógicas na faculdade de letras da cidade invicta, prenunciando assim qual será a sua actividade principal daí para a frente e durante 40 anos - professor e pedagogo.

Começando por estagiar no Liceu Pedro Nunes e ensinar durante 14 anos no Liceu Camões, Rómulo de Carvalho é, depois, convidado a ir leccionar para o liceu D. João III, em Coimbra, permanecendo aí até, passados oito anos, regressar a Lisboa, convidado para professor metodólogo do grupo de Físico-Químicas do Liceu Pedro Nunes.

Exigente, comunicador por excelência, para Rómulo de Carvalho ensinar era uma paixão. Tal como afirmava sem hesitar, ser Professor tem de ser uma paixão - pode ser uma paixão fria mas tem de ser uma paixão. Uma dedicação. E assim, além da colaboração como co-director da "Gazeta de Física" a partir de 1946, concentra, durante muitos anos, os seus esforços no ensino, dedicando-se, inclusive, à elaboração de compêndios escolares, inovadores pelo grafismo e forma de abordar matérias tão complexas como a física e a química. Dedicação estendida, a partir de 1952, à difusão científica a um nível mais amplo através da colecção Ciência Para Gente Nova e muitos outros títulos, entre os quais Física para o Povo, cujas edições acompanham os leigos interessados pela ciência até meados da década de 1970. A divulgação científica surge como puro prazer - agrada-lhe comunicar, por escrito e com um carácter mais amplo, aquilo que, enquanto professor, comunicava pela palavra.

A dedicação à ciência e à sua divulgação e história não fica por aqui, sendo uma constante durante toda a sua a vida. De facto, Rómulo de Carvalho não parou de trabalhar até ao fim dos seus dias, deixando, inclusive trabalhos concluídos, mas por publicar, que por certo vêm engrandecer, ainda mais, a sua extensa obra científica.

Apesar da intensa actividade científica, Rómulo de Carvalho não esquece a arte das palavras e continua, sempre, a escrever poesia. Porém, não a considerando de qualidade e pensando que nunca será útil a ninguém, nunca tenta publicá-la, preferindo destruí-la.

Só em 1956, após ter participado num concurso de poesia de que tomou conhecimento no jornal, publica, aos 50 anos, o primeiro livro de poemas Movimento Perpétuo. No entanto, o livro surge como tendo sido escrito por outro, António Gedeão, e o professor de física e química, Rómulo de Carvalho, permanece no anonimato a que se votou.

O livro é bem recebido pela crítica e António Gedeão continua a publicar poesia, aventurando-se, anos mais tarde, no teatro e,depois, no ensaio e na ficção.

A obra de Gedeão é um enigma para os críticos, pois além de surgir, estranhamente, só quando o seu autor tem 50 anos de idade, não se enquadra claramente em qualquer movimento literário. Contudo o seu enquadramento geracional leva-o a preocupar-se com os problemas comuns da sociedade portuguesa, da época.

Nos seus poemas dá-se uma simbiose perfeita entre a ciência e a poesia, a vida e o sonho, a lucidez e a esperança. Aí reside a sua originalidade, difícil de catalogar, originada por uma vida em que sempre coexistiram dois interesses totalmente distintos, mas que, para Rómulo de Carvalho e para o seu "amigo" Gedeão, provinham da mesma fonte e completavam-se mutuamente.

A poesia de Gedeão é, realmente, comunicativa e marca toda uma geração que, reprimida por um regime ditatorial e atormentada por uma guerra, cujo fim não se adivinhava, se sentia profundamente tocada pelos valores expressos pelo poeta e assim se atrevia a acreditar que, através do sonho, era possível encontrar o caminho para a liberdade. É deste modo que "Pedra Filosofal", musicada por Manuel Freire, se torna num hino à liberdade e ao sonho.E, mais tarde, em 1972, José Nisa compõe doze músicas com base em poemas de Gedeão e produz o álbum "Fala do Homem Nascido".

O professor Rómulo de Carvalho, entretanto, após 40 anos de ensino,em 1974, motivado em parte pela desorganização e falta de autoridade que depois do 25 de Abril tomou conta do ensino em Portugal, decide reformar-se. Exigente e rigoroso, não se conforma com a situação. Nessa altura é convidado para leccionar na Universidade mas declina o convite.

Incapaz de ficar parado, nos anos seguintes dedica-se por inteiro à investigação publicando numerosos livros, tanto de divulgação científica, como de história da ciência. Gedeão também continua a sonhar, mas o fim aproxima-se e o desejo da morrer determina, em 1984, a publicação de Poemas Póstumos.

Em 1990, já com 83 anos, Rómulo de Carvalho assume a direcção do Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa, sete anos depois de se ter tornado sócio correspondente da Academia de Ciências, função que desempenhará até ao fim dos seus dias.

Quando completa 90 anos de idade, a sua vida é alvo de uma homenagem a nível nacional. O professor, investigador, pedagogo e historiador da ciência, bem como o poeta, é reconhecido publicamente por personalidades da política, da ciência, das letras e da música.

Infelizmente, a 19 de Fevereiro de 1997 a morte leva-nos Rómulo de Carvalho. Gedeão, esse já tinha morrido alguns anos antes, aquando da publicação de Poemas Póstumos e Novos Poemas Póstumos.

Avesso a mostrar-se, recolhido, discreto, muito calmo, mas ao mesmo tempo algo distante, homem de saberes múltiplos e de humor subtil, Rómulo de Carvalho que nunca teve pressa, mas em vida tanto fez, deixa, em morte, uma saudade imensa da parte de todos quantos o conheceram e à sua obra.

in http://www.citi.pt/

Caricatura in Blog Desenhos do Rui

domingo, 30 de novembro de 2008

Semana da Ciência e da Tecnologia

Lição sobre a água

Este líquido é água.
Quando pura
é inodora, insípida e incolor.
Reduzida a vapor,
sob tensão e a alta temperatura,
move os êmbolos das máquinas que, por isso,
se denominam máquinas de vapor.

É um bom dissolvente.
Embora com excepções mas de um modo geral,
dissolve tudo bem, bases e sais.
Congela a zero graus centesimais
e ferve a 100, quando à pressão normal.

Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão.

in Linhas de Força - António Gedeão

Semana da Ciência e da Tecnologia - Rómulo e Gedeão

O último Alquimista

Era uma vez um Cientista com alma de Poeta.

Era um Senhor (muito sério) com uma vontade juvenil de escrever.
Era um Professor (um Mestre) que era trocista sem saber.
Era um Anarquista com regras e vontades...

Obrigado, Rómulo, por teres sido outro pai fundador,
agora do saber científico que não te merecia,
escritor de manuais escolares e livros científicos,
que o meu avó e o meu pai e eu (e um dia meu filho) leram.
Saciaste a nosso sede de saber e tudo fizeste para combater a ignorância.

Mas, acima de tudo, António, é a ti que estamos mais agradecidos.
A tua Poesia, clara e científica mas bela e que chegava ao coração,
fez mais por nós do que tu podias pensar.
A tua Poesia é bela como a Física (e a Química, e a Astronomia, e a Biologia...).
Escreveste como um Pintor renascentista pintaria este Mundo.
O teu sarcasmo tudo mostrava, singelo e único, sem artifícios.
E, sendo quem eras, soubeste partilhar connosco as tuas Letras.

Obrigado Rómulo.
Obrigado António...



NOTA: Poema inédito, de Pedro Luna, publicado originalmente no Blog Geopedrados em 24.11.2005.

sábado, 29 de novembro de 2008

Se o rosto é o que é...

 Big Sister III

Imagem Protesto Gráfico

Ministra “é o rosto de uma reforma do Governo”

O porta-voz do PS, Vitalino Canas, afirmou este sábado que a Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, não está isolada politicamente e salientou que a reforma da avaliação dos professores é assumida por todo o Governo.


“A ministra da Educação não está isolada dentro do partido. É apenas o rosto de um reforma que é de todo o Governo”, disse Vitalino Canas, acrescentando que “o primeiro-ministro já tem demonstrado dar todo apoio político” a Maria de Lurdes Rodrigues.

“A reforma da educação é um processo global que mobiliza todo o Governo”, continuou o socialista, considerando “inaceitável” a exigência dos sindicatos de que o processo seja suspenso.

Referindo que “estamos disponíveis para fazer afinações e os ajustamentos necessários para que o modelo se torne melhor”, Vitalino Canas condenou ainda os sindicatos por só aceitarem negociar se a ministra for demitida e desafiou as estruturas “a perderem esta postura arrogante, acabando com a intransigência”.

in CM on-line - ler notícia

Os e-mails do ME - um exemplo para os incautos

O desespero que tomou um certo Ministério, lá para a 5 de Outubro em Lisboa, leva-o a mandar carradas de spam ilegal (algum até vai para os colegas precocemente reformados, tamanha é a barafunda nesse ministério). É claro que não é para preencher nada - até porque a base de dados é ilegal. O e-mail (um deles...) que muitos já receberam é este:


Exmo.(a) Senhor(a) Professor(a)

Prestam-se as seguintes informações relativamente ao processo de avaliação de desempenho dos docentes:

Um modelo de avaliação de desempenho que não prejudica nenhum professor

Com a classificação de Bom, para a qual não existem quotas, estão garantidas condições para uma normal progressão na carreira.
As classificações de Excelente e Muito Bom aceleram o ritmo da progressão.
Neste ciclo avaliativo eventuais efeitos negativos decorrentes das classificações de Insuficiente ou Regular estão suspensos e sujeitos a confirmação posterior.

Assim, este modelo protege os professores, dando-lhes condições mais vantajosas que à generalidade dos funcionários públicos, que não adquirem automaticamente condições de progressão com classificações isentas de quotas. Neste período transitório existe uma vantagem adicional para os professores, que decorre da não aplicação de efeitos das classificações negativas.

O que é, afinal, a avaliação de desempenho docente?
Este modelo de avaliação respeita a especificidade da função docente e o nível de qualificação que o seu exercício exige, ao contrário do que sucede com a larga maioria dos trabalhadores da administração pública - incluindo o pessoal não docente, que há dois anos é avaliado em todas as escolas.
É por isso que a avaliação do desempenho dos professores contempla duas vertentes e, consequentemente, é efectuada por avaliadores distintos:
- a avaliação funcional, que é assegurada pelo director ou presidente do conselho executivo e contempla dimensões inerentes ao desempenho de qualquer profissão, tais como o cumprimento dos objectivos individuais, a assiduidade, o cumprimento do serviço lectivo e não lectivo, a participação na vida da escola, entre outros.
- a avaliação científico-pedagógica, que é efectuada pelos professores coordenadores do respectivo departamento curricular ou outros professores titulares em quem tenha sido delegada a competência de avaliação, que são em regra os professores mais experientes.
Para que esta seja efectivamente uma avaliação de desempenho, e não uma análise documental baseada em registos administrativos, é fundamental, na vertente científico-pedagógica, a observação directa do desempenho em sala de aula.
É por esta razão que, embora esta vertente tenha sido tornada transitoriamente voluntária, ela permanece obrigatória para a atribuição das classificações que distinguem o mérito (Muito Bom e Excelente).

A avaliação dos professores e os resultados escolares dos alunos

Foi tomada a decisão de não considerar o parâmetro que avalia o contributo dos docentes para progresso dos resultados escolares e para a redução da taxa de abandono, na sequência, aliás, da recomendação do Conselho Científico de Avaliação de Professores, que considera a necessidade de uma maior consolidação técnica a este nível.

Esta medida decorre, fundamentalmente, da percepção de que se trata de um dos elementos de mais difícil operacionalização, dando, em muitas escolas, origem a instrumentos de registo e indicadores de medida muito complexos e induzindo uma forte carga burocrática, contribuindo, assim, para a simplificação do processo, que poderá prosseguir normalmente em todas as escolas.

Ministério da Educação

A propósido das mensagens de e-mail que o desespero do Ministério nos envia em catadupa

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Senhor Presidente da Comissão Nacional da Protecção de Dados:

Em tempos, o Ministério da Educação obrigou os opositores ao Concurso de Professores a facultarem um endereço de electrónico cujo objectivo era, exclusivamente, facilitar a comunicação entre o Ministério e o professor relativamente a tal Concurso.


O endereço que então eu facultei é aquele que vai neste e-mail.


Acontece que, ainda hoje, o Ministério usou este endereço para outros fins, a saber, para fazer propaganda das suas ideias relativamente ao modelo de avaliação de professores defendido por este governo.

Gostaria que os senhores se pronunciassem sobre este facto.

Com os melhores cumprimentos

António Ribeiro, portador do BI nº6472XXX

(recebido por e-mail)

Semana da Ciência e Tecnologia

Como está quase a terminar a Semana da Ciência e Tecnologia 2008, não podíamos deixar de recordar o mais famoso poema de Gedeão, imortalizado no saudoso programa Zip-Zip por Manuel Freire, aqui num filme muito interessante retirado do YouTube.



Pedra filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
É tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral
pináculo de catedral
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo de Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Columbina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

in Movimento Perpétuo, 1956

Nós sabemos que é só mais um caso pontual, mas...

Gondomar: Aluno agride professora

Artemisa Coimbra, professora de Inglês na EB 2/3 de Jovim, em Gondomar, foi ontem agredida a murro por um aluno de 16 anos que frequenta o 9º ano dos Cursos de Educação e Formação. Teve de ser transportada para o Hospital S. João, no Porto, tendo sido tratada na pequena cirurgia. À saída da Urgência ainda eram visíveis as marcas da agressão no olho.


O incidente ocorreu às 13h40, quando a professora saiu da sala dos professores rumo à aula. "Fui surpreendida pelo aluno a correr na minha direcção e a chamar-me de todos os nomes possíveis. Depois deu-me murros na cara", disse ao CM, Artemisa Coimbra, que é também responsável pelo Observatório de Mulheres Assassinadas, uma organização que combate a violência doméstica.

O incidente ocorreu depois de a docente ter levado o agressor ao Conselho Executivo, por este estar a dizer palavrões no interior da escola.

in Correio da Manhã - ler notícia


ADENDA
: o JN tem a mesma estória, mas mais completa - LER AQUI:


Aluno de 16 anos agride professora a soco e a pontapé
Violência no interior da EB 2,3 de Jovim

Uma professora da EB 2,3 de Jovim, Gondomar, foi agredida por um aluno de 16 anos, a soco e a pontapé, ao início da tarde desta sexta-feira. A agressão ocorreu dentro da escola e a docente esteve cinco horas no S. João, no Porto, a fazer exames.

Só pelas 19 horas é que Artemisa Coimbra - figura activa na luta contra a violência doméstica, sendo responsável pelo Observatório de Mulheres Assassinadas da UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta) - teve alta das Urgências. "Daqui vou para a GNR, apresentar queixa", desabafou, ainda com marcas da violência no rosto e com dificuldades em andar, devido a lesões que sofreu numa perna.

Professora há 29 anos (está há cinco na EB 2,3 de Jovim), Artemisa Coimbra nunca tinha passado por uma situação semelhante. Segundo contou, tudo começou por volta das 13.20 horas. "Vinha a sair do átrio e o aluno estava aos palavrões, alto e bom som. Não consegui fazer ouvidos de mercador. Chamei-o à atenção e ele começou a disparatar e a afirmar que dizia o que bem lhe apetecesse. Então, disse-lhe para me acompanhar ao Conselho Executivo. Contrariado, lá foi", recordou a docente. A situação acabaria em violência, pouco tempo depois.

"Às 13.40 horas, ia para as aulas, com o computador, a pasta e o livro de ponto na mão, quando, quase em frente ao Conselho Executivo, vejo o aluno a vir na minha direcção, a insultar-me aos berros. Depois, começou a agredir-me", contou a professora, que ainda tentou defender-se. Ficou ferida e com os óculos partidos. Logo ontem, a patrulha da Escola Segura, presença habitual por ali, não estava na EB 2,3 de Jovim.

Artemisa Coimbra referiu que não conhece o aluno, que faz parte de uma turma CEF (cursos de educação e formação, dirigidos a jovens que abandonaram os estudos sem a escolaridade obrigatória). Aliás, a professora alerta para a situação destes jovens, que é regulada por legislação especial, que lhes confere um sentimento de "impunidade". "Não acatam qualquer observação", referiu a docente, lembrando que, por exemplo, estas turmas não têm faltas nem aulas de substituição. "O Ministério tem que repensar esta legislação", acrescentou, considerando que o sentimento de impunidade leva os alunos a não respeitar as regras escolares.

Em Jovim, a situação tem piorado significativamente, assegurou, revelando que só nesta semana houve 31 processos disciplinares. "Oito deram em repreensão, os restantes em suspensão", pormenorizou a professora, que dá aulas a alunos dos 5º e 6º anos.

Artemisa Coimbra salvaguardou que nem todos os processos disciplinares dizem respeito a alunos que integram turmas de CEF, mas explicou que o clima existente na escola acaba por contagiar os outros estudantes.

De acordo com a docente, a Direcção Regional de Educação do Norte já tomou conhecimento do sucedido e o Conselho Executivo estará a desenvolver os procedimentos para que a queixa siga para o Ministério Público.

Na EB 2.3 de Jovim, ninguém esteve disponível para prestar qualquer esclarecimento.