










Contra a Propaganda e o Ruído, o Silêncio é uma arma poderosa e impressionante, quando partilhada por muitos milhares.
Porque mais assustador do que a estridência. Porque mais inesperado. Porque já sabem(os) todos ao que vamos.
Será a minha segunda presença num encontro com estas características (a primeira foi em Setúbal, dia 1).
Vou, tal como em Setúbal, participar em silêncio.
Parece-me que uma manifestação de milhares em silêncio seria bem mais eloquente que uma com gritos de ordem. O silêncio como forma máxima de expressão de indignação tem mais poder do que qualquer "som"...
Se entenderem que sim, passem a palavra...
"Perante a crescente onda de contestação, os governantes não se interrogam sobre as razões de ser de tal facto (bem as conhecem!), usam a estratégia da supressão da memória: apagar os factos como se nada tivesse acontecido."
José Jorge T. Mendonça


Os críticos dos professores acham que estamos contra este modelo de avaliação porque estaremos sempre contra qualquer modelo de avaliação. Que pegamos em detalhes para recusar, recusar, sem nunca defender nada de alternativo em concreto.
Mas talvez fosse bom - e quanto a alternativas já as aflorei em posts há algum tempo - que esses críticos tentassem reflectir sobre alguns aspectos de uma avaliação que parece querer pretender manter os professores em permanente estágio ou ano probatório.
Só para eu entender se não serão os críticos a estar mal habituados!
Porque aos professores pede-se que façam uma planificação, aula a aula, de todo o seu trabalho anual.
No meu caso são cerca de 700 planificações de três disciplinas e duas áreas curriculares não disciplinares distintas.
Uma coisa é termos planos de trabalho, uma agenda do que se vai fazer num dia, numa semana, num mês. Esse é o nosso horário de trabalho, que já temos com as aulas que damos todos os dias, durante a semana.
Outra é querer para todas elas um plano detalhado de execução, como se tudo fosse automatizado: às 10 horas entramos, às 10.05 fazemos o sumário; às 10.10 abrimos o manual e começamos a abordar a vida na Idade Média; às 10.20 lemos o documento 2 e às 10.30 analisamos a figura 27; às 35 os alunos colocam dúvidas; às 10.40, o professor recapitula a matéria e questiona os alunos. Tudo muito direitinho, tudo irreal, tudo absolutamente contrário a um ensino dinâmico e interactivo, atento ao que se passa a cada momento na aula.
Isto para todo um ano de trabalho, todos os anos.
Uma observação quase recorrente nesses críticos é que os professores nunca levantaram a voz contra o sistema anterior. Só posso falar por mim. Não levantei porque nunca me achei excelente; mas levantei contra forma de trabalhar como a que agora é proposta. E fi-lo não à mesa de um café mas durante a minha profissionalização, em trabalho entregue para a respectiva avaliação. O qual até foi bem avaliado. Com classificação que até ronda o excelente.
Porque o meu modelo de ensino não é a produção em série de autómatos, sejam eles os docentes ou os alunos.