sábado, 19 de abril de 2008

Governo pede ajuda a líder da CGTP - notícia no Expresso - sem comentários


"No dia 29 de Março, na altura do Governo Presente em Viseu, o ministro do Trabalho telefonou a Manuel Carvalho da Silva pedindo-lhe um encontro, que acontece no gabinete do ministro. Tinham passado 11 dias sobre o encontro da delegação da CGTP com o primeiro-ministro, em S-ao Bento, onde a guerra na Educação fora aflorada. Os cem mil manifestantes que se juntaram no Terreiro do Paço foram a almofada necessária para que Carvalho da Silva pedisse "uma saída para este conflito", sem a qual, terá deixado claro, não haveria possibilidade de acalmar todos os outros sectores. Sócrates, por seu lado, não deixou passar a oportunidade de ter pela frente o líder sindical para solicitar a sua intervenção na resolução de um problema que, a agudizar-se, não traria senão prejuízos para ambas as partes.
Carvalho da Silva foi sensível à argumentação do primeiro-ministro, talvez "sugestionado" pelo facto de estar em curso a revisão do Código laboral - de resto uma das prioridades na agenda que a CGTP deixou em São Bento - e de os sindicatos, participando na solução, ganharem a médio prazo créditos sobre o Governo.
Os recados estavam dados e o Governo passou à acção. Vieira da Silva foi o mandatário da tentativa de aproximação entre professores e Ministério. Reuniu, primeiro, com o dirigente da Inter. Depois, solicitou a sua ajuda para conseguir chamar ao Ministério o líder da Fenprof e porta-voz da plataforma de 14 sindicatos dos professores em guerra com a ministra. Mário Nogueira juntar-se-ia no dia 31 ao encontro com Carvalho da Silva e com o ministro do Trabalho. Faltava a tarefa mais difícil, a de juntar ao "grupo" a própria ministra da educação. Mas Maria de Lurdes Rodrigues viria logo, no dia 2 de Abril, ao gabinete do seu colega do Trabalho. Sozinha, dispensando a presença dos seus secretários de Estado, chegou ao Ministério de Vieira da Silva.
E, assim, se quebrou um jejum que durava desde Novembro de 2005, altura em que deixou de participar nas reuniões com os sindicatos, delegando os poderes ora em Valter Lemos, ora em Jorge Pedreira. Era um sinal político importante e fontes governamentais ouvidas pelo Expresso confirmam que a chave para o desbloqueio do impasse veio de dentro do próprio Executivo."
em Expresso, 19 de Abril de 2008

4 comentários:

Anónimo disse...

Se leio bem, os sindicatos trocam a defesa dos professores pela defesa do código do trabalho, em vez de defenderem ambos.

Segunda-feira há nova reunião, para discutir a concretização jurídica das alterações ao Decreto da Avaliação. Aguardo com interesse.

Até Setembro é o meu prazo para ver o desempenho do sindicato. Depois disso logo vejo se entrego o cartão ou se o guardo.

Anónimo disse...

E eu que começava a acreditar nos sindicatos e estava prestes a sindicalizar-me? Sou menos optimista e prefiro não dar uma segunda oportunidade.Que desilusão...
Carolina

Anónimo disse...

Mas que grande promiscuidade!!!!

Maio disse...

Só podemos confiar em nós!
Quando toca a marchar, muitos não sabem que o inimigo marcha à sua frente.
Cartilha de Guerra Alemã, Bertolt Brecht

Travámos uma das lutas mais participadas e intensas de que há memória. Estivemos unidos e mobilizados como nunca. Fizemos a mais grandiosa manifestação de professores que alguma vez aconteceu. Conquistámos as atenções da comunicação social e conseguimos a simpatia da maior parte dos fazedores de opinião. Toda a oposição política, da direita à esquerda, e mesmo algumas personalidades do partido do poder, estiveram connosco. Pusemos o Primeiro-Ministro à beira de um ataque de nervos e a Ministra da Educação com a demissão à vista. Em suma, tivemos tudo para vencer o combate e, afinal, acabámos por morrer na praia.
Quem ganhou em toda a linha foi Sócrates. Segurou Maria de Lurdes Rodrigues e mantém, no essencial, a sua política educativa e o seu modelo de avaliação. Por isso, canta vitória.
Nós, pelo contrário, temos é razões para estar desiludidos, indignados, revoltados. Não apenas porque nenhum dos principais objectivos da nossa luta foi alcançado mas, sobretudo, por termos sido utilizados como moeda de troca e vergonhosamente traídos. De forma calculista, ignóbil, pérfida. Ao mais alto nível, como aqui é relatado.
Caso para perguntar: com dirigentes destes quem precisa de inimigos?
Infelizmente, só podemos confiar em nós. É o que iremos fazer!