quarta-feira, 16 de abril de 2008

O que eles dizem...

José Sócrates, 1º Ministro

"Este acordo deixou-me muito satisfeito e quero felicitar publicamente a senhora ministra da Educação porque valeu a pena perseverar"

"...o acordo refere que no próximo ano serão avaliados todos os professores, de acordo com as normas que constam do decreto regulamentar" (Expresso, 12.Abril.08)

Álvaro Santos, Presidente do Conselho de Escolas

"O acordo é importante e acaba por ser positivo [...] permite devolver o clima de serenidade às escolas" (Publico online, 12.Abril.08)

Valter Lemos, Secretário de Estado

"Penso que os sindicatos também estão satisfeitos" (Publico online, 14.Abril.08)

Ana Benavente, Professora do Ensino Superior

"quando escolas afirmam que não têm condições para fazer a avaliação este ano”, dizer aos professores contratados que “no próximo ano não serão colocados”, é “ameaçar com o desemprego”. “Isto é uma forma de chantagem” (Publico online, 15.Abril.08)

Santana Castilho, Professor do Ensino Superior

"O tempo e a oportunidade política da plataforma sindical aconselhava uma firmeza que claudicou. Porque quem estava em posição de impor contemporizou. Porque de um dia para o outro se esqueceram as exigências da véspera. Porque quem demandou a lei em tribunal pactuou com uma farsa legal. Porque quem acusou de chantagem acabou a negociar com o chantagista. Porque quem teve nos braços uma unidade de professores nunca vista pensou pouco sobre os riscos de a pôr em causa" (Publico, 16.Abril.o8)

3 comentários:

fjsantos disse...

Aos generais que sabem tudo, aconselhoa leitura de Sun Tzu e da sua «A Arte da Guerra»
http://fjsantos.wordpress.com/2008/04/15/a-arte-da-guerra/

Maio disse...

Luta dos professores: balanço e perspectivas

Definitivamente, se foram 90 por cento de 50 mil os professores que ontem avalizaram a assinatura do acordo com o ministério, não se pode falar de uma maioria esmagadora, quer no universo de 145 mil docentes existentes em todo o país, quer tendo como referência os 100 mil que participaram na inesquecível Marcha da Indignação. Será uma maioria — porque em democracia só os votos expressos contam — mas apenas relativa, que não pode levar os dirigentes sindicais a ignorar o profundo descontentamento e a enorme desilusão de largos milhares de professores pelo magro resultado alcançado.
Nunca será demais repetir que o acordo (ou entendimento, se preferirem) apenas soluciona, no imediato e pontualmente, o problema dos docentes contratados ou em vias de progressão. Quanto ao resto, que é o principal, nada resolve. O Estatuto da Carreira Docente, fonte de todas as injustiças, continua intocável, e o modelo de avaliação do ministério, burocrático, subjectivo, iníquo e, por que não dizê-lo, antipedagógico, regressará já em 2008/2009. Isto para não acrescentar ainda o novo modelo de gestão e autonomia escolar, mais uma ofensa à dignidade dos professores e à sua importância na vida da escola.
Tenhamos, por isso, consciência que, apesar da grandiosa luta de massas que os docentes têm travado, mesmo que, por enquanto, não tenham sido derrotados, se alguém ganhou esta primeira batalha foi o governo: primeiro, porque resistiu à demissão, a certa altura inevitável, da incompetente Ministra da Educação; segundo, porque Maria de Lurdes Rodrigues pode repetir, até à exaustão, que a avaliação dos professores não foi suspensa. E, quando as eleições começam a emergir no horizonte, trata-se de uma preciosa vitória política de José Sócrates.
Não haja, portanto, quaisquer ilusões quanto ao entendimento — o essencial, ou seja, quase tudo, está por conseguir! Que ele não sirva para anestesiar os docentes! A luta recomeça em Setembro, mais intensa que nunca…
Até lá, é tempo de contar as espingardas e afinar a táctica. E continuar a protestar, às segundas à noite, para não se apagar a chama, como canta José Afonso.

em Cantigas do Maio

A luta continua!

AR disse...

"Definitivamente, se foram 90 por cento de 50 mil os professores que ontem avalizaram a assinatura do acordo com o ministério, não se pode falar de uma maioria esmagadora"

E tem dúvidas que foram muitos menos?

Basta ir ao site da FENPROF (que estão a ter ajuda da Comissão eleitoral do Zimbabwe para contar os votos) para perceber tal facto:

"Considerando as votações individuais dos docentes que participaram nas reuniões
(Actualização às 18h 00 de 17/04/2008)


GLOBAIS

77,2% - aprovaram a moção (F) "

http://www.fenprof.pt/?aba=27&cat=95&doc=3313&mid=115

Há coisas realmente fantásticas...